Bulgária enfrenta protestos étnicos às vésperas da visita de Dilma | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 29.09.2011
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Mundo

Bulgária enfrenta protestos étnicos às vésperas da visita de Dilma

Manifestações contra os ciganos da etnia rom acontecem em várias cidades búlgaras e reacendem antigas tensões étnicas num dos países mais pobres da União Europeia.

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População atirou fogo na casa de líder da etnia rom

A poucos dias da visita da presidente Dilma Rousseff à Bulgária, várias cidades do país têm sido palco de protestos de fundo étnico. Manifestantes búlgaros ocupam as ruas contra a etnia rom, responsabilizada pela morte do jovem Angel Petrov, de 19 anos. O rapaz foi atropelado e morto no vilarejo de Katunitsa, a 160 quilômetros da capital Sofia, na sexta-feira passada.

A morte de Petrov reacendeu tensões étnicas na Bulgária porque o famoso líder da etnia rom Kiril Rashkov, também conhecido como "czar Kiro", estava no micro-ônibus que atropelou Petrov. Testemunhas relatam que havia uma disputa entre a família do jovem e o czar Kiro, de 69 anos.

Rashkov, o homem mais rico de Katunitsa, é conhecido em toda a Bulgária por suas variadas atividades ilegais, entre elas o comércio ilegal de álcool. Ele nunca foi a julgamento sob tais acusações. Além disso, aterroriza a localidade há anos, segundo os moradores.

"Não há ninguém aqui que não tenha sido ameaçado por ele", afirmou um morador, que preferiu não se identificar.

Dilma visita a Bulgária entre os dias 5 e 6 de outubro. Ela vai passar pela capital Sofia e por Gabrovo, cidade de origem de seu pai, Pedro Rousseff.

Bulgarien Katunitsa Roma Angriffe

Policiais enfrentam manifestantes no vilarejo de Katunitsa

Grande suporte

Nesta quarta-feira (28/09), Rashkov foi preso e acusado de ter ameaçado de morte um morador de Katunitsa. A morte de Petrov deixou a população furiosa, motivando-a a reunir-se em frente a residências de famílias ciganas e atiçar fogo a elas. Os manifestantes receberam apoio de hooligans futebolistas das proximidades de Plovdiv, a segunda maior cidade búlgara.

Durante o confronto com a polícia, um rapaz de 16 anos morreu, aparentemente de insuficiência cardíaca. Cinco pessoas ficaram feridas e cerca de 130 foram presas por vandalismo.

Em Sofia, uma marcha reuniu cerca de 100 pessoas em frente ao Parlamento nesta quarta-feira à noite. Elas carregavam bandeiras e cantavam hinos nacionalistas. Na cidade de Varna, no Mar Negro, 50 ciclistas depositaram flores em frente à catedral para lembrar a morte de Petrov.

As manifestações parecem ter apenas começado. Centenas de pessoas de todo país têm recorrido ao Facebook para dar apoio à população de Katunitsa e organizar protestos em cidades maiores. Particularmente os mais jovens têm se manifestado com slogans nacionalistas e racistas contra os ciganos da etnia rom. Em torno de 400 pessoas já foram detidas.

Cerca de 400 foram presas nos últimos dias

Enterro do jovem Angel Petrov

Preconceito de longa data

Os ciganos representam uma minoria significativa na Europa Central e têm dificuldades de integração em países como Romênia, Bulgária, Hungria, República Tcheca e Eslováquia. A tentativa de muitos de se estabelecerem no oeste gerou uma onda de deportações, especialmente na França, no ano passado.

A Bulgária, que tem o maior percentual de muçulmanos na União Europeia, gosta de se apresentar como um exemplo de paz étnica nos Bálcãs. Cerca de 500 mil roma vivem no país. No entanto, há pelo menos dois anos o sentimento antiétnico vem crescendo na população.

"Mais de 90% dos búlgaros de origem eslava acham que os ciganos vivem à margem do Estado", avalia a socióloga Anna Mantarova, que trabalhou com o tema em diversos estudos. "Muitos acreditam também que os ciganos não respeitam a lei. Acrescente-se a isso a ineficiência do governo em ligar com criminosos, que continuam com seus negócios sem punição. E isso tem alimentado o preconceito contra esse grupo étnico", explicou.

As últimas estatísticas relacionando grupos étnicos e crimes, de 1998, mostrou que os ciganos foram responsáveis pela maioria dos roubos, assaltos e agressões no país. Mantarova disse que desde então a situação não mudou e que as pessoas estão particularmente mais sensíveis a esses tipos de delito.

Apesar de as condições de moradia frequentemente atiçarem as chamas da discriminação – e a Bulgária configura como um dos países mais pobres da União Europeia – as pessoas estão sensivelmente mais atentas para onde vão os recursos públicos, e que muitos ciganos vivem fora do controle do Estado.

"Oito em cada dez búlgaros se sentem de alguma maneira ameaçados pelos roma", afirma Mantarova, acrescentando que os roma estão entre os mais pobres na Bulgária, e boa parte deles vive em guetos, em péssimas condições.

Prejuízo limitado

Políticos do país tentam controlar a situação demostrando união. O presidente búlgaro, Georgi Parvanov, e o primeiro-ministro Boyko Borisov, que raramente concordam em algum assunto, apareceram juntos na televisão, alertando a população que a continuação das tensões poderá isolar o país.

O vice-ministro do Interior, Veselin Vuchkov, também apelou para que todos os políticos sejam razoáveis. "Espero que todos os políticos, pelo menos neste caso, façam seu mehor para serem responsáveis e não usem este trágico incidente para tirar vantagem", pediu.

Vuchkov referiu-se às campanhas eleitorais que acabaram de começar. No dia 23 de outubro a população vai às urnas para escolher um novo presidente e novos governos locais.

Autora: Blagorodna Grigorova (ms)
Revisão: Alexandre Schossler

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