Brumadinho presta homenagens às vítimas da tragédia | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 25.01.2020

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Brasil

Brumadinho presta homenagens às vítimas da tragédia

Um ano após desastre, familiares de vítimas lançam pedra fundamental de memorial que será construído próximo à barragem da Vale que se rompeu. Bombeiros também são lembrados em cerimônia.

Cruzes levam o nome dos mortos no rompimento da barragem da Vale em Brumadinho

Cruzes levam o nome dos mortos no rompimento da barragem da Vale em Brumadinho

Um ano após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, familiares das vítimas retornaram ao epicentro da tragédia neste sábado (25/01) para lançar a pedra fundamental do memorial que será construído em homenagem aos 270 mortos.

Numa tenda montada no centro de operações dos Bombeiros a poucos metros da antiga barragem, diversas autoridades, incluindo o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, participaram da cerimônia, que também homenageou aqueles que participaram da mais longa operação de buscas já realizada no país.

Há 365 dias, cerca de 90 oficiais se revezam na busca pelas 11 vítimas ainda não localizadas no mar de lama que varreu a região. Homens e mulheres que atuaram no resgate também estavam presentes na cerimônia. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do estado, Coronel Erlon Dias do Nascimento Botelho, o mais aplaudido, recebeu uma placa de homenagem em nome da corporação.

Na cerimônia, Zema e instituições que estão investigando as causas da tragédia também receberam homenagens.

Jadison Faria, pai da vítima Camila Santos Faria, preferiria que políticos não fossem homenageados, apenas os bombeiros. Ele conta que a filha estava no telefone com a madrasta no momento exato do rompimento da B1.

"Camila ligou para saber da filha. Ela disse que ouviu um estrondo e a gente ouviu ela perguntando para alguém lá no escritório o que estava acontecendo. A linha caiu e nunca mais conseguimos nos falar", conta, emocionado. Jadison e a esposa agora criam a neta de 3 anos.

Balões são soltos em homenagens às vítimas

Balões são soltos em homenagens às vítimas

Durante todo o trajeto da portaria da Vale até o local da cerimônia, não havia sinais do logo da mineradora. Segundo familiares, o espaço próximo à antiga barragem B1 deve se transformar num parque aberto ao público, que vai abrigar o memorial. O projeto ainda está em discussão.

"A Vale continua dando as cartas", reclama Dora da Silva, que perdeu o filho na tragédia. "Mas ela vai ter que fazer o memorial do jeito que a gente quer", complementou.

No fim do ato oficial, ao ser questionado sobre a responsabilização dos culpados pela tragédia, Zema disse não ter participado das investigações, mas ter frisado ao Ministério Público que denunciasse "quem realmente está envolvido".

"A atividade minerária é importante, pode ser viável com segurança, como assistimos no Canadá ou na Austrália. Precisamos mudar aqui em Minas, e já está mudando", disse Zema a jornalistas após a cerimônia.

Em fevereiro do ano passado, o governador sancionou uma lei que ficou conhecida como "Mar de Lama Nunca Mais", que determina o fim das barragens construídas pelo método de alteamento a montante, o tipo da estrutura que se rompeu. Proposta por iniciativa popular logo após o desastre em Mariana, em 2015, a lei aprovada apenas depois da catástrofe de 2019, em Brumadinho.

Para Maria Teresa de Freitas Corujo, ativista e ex-conselheira da Câmara de Atividades Minerárias do Conselho Ambiental de Minas Gerais, a lei não está sendo cumprida. Em dezembro, o governo autorizou o alteamento da barragem da Anglo American em Conceição do Mato Dentro. O aumento da capacidade da estrutura para receber rejeitos fere a lei, pontua Corujo.

"A 'Mar de Lama Nunca Mais' já está sendo desrespeitada. O artigo 12 veda o alteamento em lugares que tenham comunidades vivendo na zona de autossalvamento (ZAS), que é o caso da Anglo American", detalha Corujo.

Ninguém da Anglo American foi encontrado para comentar o caso.

Marcela Rodrigues perdeu o pai na tragédia

Marcela Rodrigues perdeu o pai na tragédia

Além da cerimônia oficial, diversos atos em memória das vitimas ocorreram em Brumadinho. Marcela Rodrigues, que perdeu o pai Denílson Rodrigues, funcionário da Vale que atuava na barragem da Mina do Córrego do Feijão, preferiu não participar da cerimônia dentro das dependências da mineradora.

"Eu não acredito em nada que a Vale faz. Eu prefiro me manifestar no meio do povo", disse à DW Brasil do alto do caminhão de som que puxava uma romaria rumo ao centro da cidade.

Os letreiros com o nome de Brumadinho, na entrada da cidade, se transformaram num ponto de homenagens ao longo do dia. Numa cerimônia, o nome das 270 vítimas foi lido. Ao final, o céu ficou coberto por balões que foram soltos pelos familiares com a mensagem "Dói demais o jeito que vocês foram embora". 

A mãe de Wagner Nascimento da Silva, que trabalhava na Vale, homenageou o filho. Ela preferiu não enterrar os restos mortais do filho que foram identificados até agora. "Foi encontrado uma perna dele", diz Arlete Gonçalves.

Ela lamenta que muitas mães tenham sepultado apenas pedaços dos filhos que morreram na tragédia. "Aquela lama ainda está cheia de corpos. Eu vou esperar para ver se o do meu filho será achado, nem que eu seja a última a ir retirar as partes dele no IML", afirma.

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