Brasileiros escolherão seu próximo presidente entre Dilma e Serra em 31 de outubro | Eleições 2018 | DW | 04.10.2010
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Eleições 2018

Brasileiros escolherão seu próximo presidente entre Dilma e Serra em 31 de outubro

Ela chegou a considerar uma vitória folgada no primeiro turno, mas nas duas últimas semanas o quadro mudou. Agora, Dilma Rousseff, candidata de Lula, disputa segundo turno com José Serra.

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Dilma Rousseff entrega seu voto

Poucas horas após o fechamento das urnas, o eleitorado brasileiro já sabia que a escolha do novo presidente do país se daria apenas no segundo turno. E o clima de incerteza que antecedeu a votação deste domingo (03/10) se confirmou: Dilma Rousseff, que segundo projeções de duas semanas atrás seria eleita logo na primeira rodada, voltará a enfrentar José Serra nas urnas em 31 de outubro.

Para os especialistas da área que acompanharam os fatos recentes, o resultado não causou espanto. A candidata do PT começou a considerar publicamente um segundo turno depois do escândalo de tráfico de influência que provocou a renúncia de Erenice Guerra da pasta da Casa Civil – cargo que era ocupado por Dilma até março último.

Mas há quem veja a trajetória de Dilma Rousseff como já muito bem-sucedida. Para o cientista político Daniel Flemes, do Instituto Alemão para Estudos Globais e Regionais (Giga), ela jamais teria chances reais se Lula não tivesse trabalhado em prol de sua candidatura.

"A sucessora indicada por Lula se beneficia pelo menos em dois sentidos: primeiramente, pelo apoio direto e pessoal de Lula como presidente e como 'pai do Brasil'. Segundo, porque ela coordenou a política de Lula nos últimos anos e, por isso, tem credibilidade quando promete continuidade", analisa Flemes.

Em números

Com 99,99% dos votos apurados, Dilma Rousseff obteve 46,90% dos votos válidos, contra 32,61% de José Serra. Marina Silva, do Partido Verde, totalizou 19,33%, e foi cumprimentada por Dilma por seu bom desempenho na corrida presidencial – especialistas atribuem o segundo turno ao ótimo resultado conquistado por Marina.

O candidato da oposição sinalizou o interesse em obter o apoio de Marina durante seu pronunciamento na noite de domingo. Serra também parabenizou a terceira colocada e reconheceu a importância de sua contribuição para "o jogo democrático brasileiro".

A candidata do presidente Lula entra na nova disputa ainda como favorita. Em Brasília, Dilma se disse confiante e ressaltou que seu partido está acostumado a brigar nas eleições – nas duas vezes em que venceu como presidente, Lula só conquistou o posto no segundo turno.

Os rivais Dilma e Serra, que evitaram o confronto direto ao longo da campanha presidencial, agora se veem obrigados a partir para o ataque. Walquiria Domingues Leão Rego, cientista política da Unicamp, atribui a eventual vitória da candidata do governo ao interesse pela política dos pobres. Na opinião de Daniel Flemes, Serra se aproxima mais dos interesses dos grandes empresários, principalmente da indústria.

O eleitorado e o público especializado aguardam os próximos episódios da briga pelo voto pela presidência para ver se haverá mudança significativa das posturas marcantes até então.

Marcas de 2010

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, 18,12% dos 135,8 milhões de eleitores deixaram de votar neste primeiro turno. Nas eleições presidenciais de 2006, esse índice havia sido de 16,7%. O Tribunal também informou que a votação ocorreu com tranquilidade em todo o território nacional, com poucos incidentes e sem violência.

A primeira etapa da corrida presidencial se encerra com um nível de debate político mediano, deixando de fora a candidata que mais falou sobre plano de governo durante sua campanha – Marina Silva.

Quem chegar à presidência terá inevitavelmente que lidar com o "fantasma" do presidente Lula, dono de alto índice de aprovação dentro do país. Fora dele, a comunidade internacional, ao menos por enquanto, ainda não arrisca julgar se o fato de Dilma não ter levado no primeiro turno represente uma espécie de derrota para o líder em fim de mandato.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

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