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Brasileiro não entendeu que seria executado

30 de abril de 2015

Rodrigo Gularte não estava ciente de que seria morto, afirmam o seu advogado e o padre que o acompanhou nos últimos momentos. Família tentou impedir execução alegando que ele sofria de esquizofrenia paranoide.

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Foto: B. Ismoyo/AFP/Getty Images

O brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, que foi executado na Indonésia nesta terça-feira (28/04), não estava consciente de seu destino até poucos instantes antes de ser morto por um pelotão de fuzilamento, segundo declarações do seu advogado e do padre que o acompanhou nos últimos momentos.

Condenado à morte por tráfico de drogas, Gularte, de 42 anos, foi executado com outros seis estrangeiros na ilha de Nusakambangan, apesar dos apelos contrários da sua família e do governo brasileiro, que argumentaram que ele sofria de esquizofrenia paranoide.

"Ele tinha uma mente delirante", disse à agência de notícias AFP o advogado Ricky Gunawan, explicando que o brasileiro não foi capaz de compreender a realidade quando recebeu o aviso de que a sua execução seria dentro de 72 horas.

"Quando lhe dissemos que a condenação à morte seria concretizada, ele perguntou: 'Que condenação à morte? Eu não vou ser condenado à morte'", relatou. "Não estou certo de que ele compreendeu 100% que seria executado", disse, acrescentando que Gularte estava irredutível na ideia de que a água da prisão estava envenenada.

O advogado conta que, quando perguntou a Gularte quais eram os seus últimos pedidos, o brasileiro respondeu com brincadeiras. "Ele só ria. Perguntou-me: 'É como na lâmpada de Aladim, em que podemos pedir três desejos?'", declarou.

O padre irlandês Charlie Burrows, que acompanhou Gularte nos seus últimos dias, disse que o brasileiro não foi capaz de entender sua situação até os últimos instantes. "Pensei que havia entendido que seria executado, mas quando começaram a lhe pôr as correntes, me disse: 'Oh, padre, vou ser executado?'", relatou Burrows, em declarações à emissora australiana ABC.

O padre disse ainda que Gularte ouvia vozes com frequência. "Todos estavam há dias sendo preparados e todos sabiam que haveria uma execução. Mas como ele ouvia essas vozes, e supunha que as vozes lhe diziam: 'Não, tudo vai correr bem.' Ele acreditava nas vozes mais do que em qualquer pessoa."

AS/lusa/efe/afp