Brasil mantém patamar ″muito ruim″ em ranking de corrupção | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 28.01.2021

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Mundo

Brasil mantém patamar "muito ruim" em ranking de corrupção

Mais importante relatório sobre o tema no mundo mostra país estagnado e alerta que a integridade de uma nação não se alcança "através de soluções populistas e autoritárias".

Homem enrolado em bandeira nacional e com máscara em protesto contra o governo Bolsonaro em Brasília

Protesto contra o governo Bolsonaro em Brasília

O Brasil se manteve estagnado, "em patamar muito ruim", no principal ranking mundial de corrupção, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (28/01) pela ONG Transparência Internacional.

O chamado Índice de Percepção de Corrupção (IPC) avalia 180 países e territórios e atribui a eles notas de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), para depois estabelecer um ranking global.

Em 2020, o Brasil registrou 38 pontos, três a mais que em 2019, mas, como frisou o relatório, ainda dentro da margem erro da pesquisa (4,1 pontos para mais ou para menos). Por isso a conclusão de "estagnação".

A percepção da corrupção no Brasil ainda está abaixo da média do Brics (39), da média regional para a América Latina e o Caribe (41), da mundial (43) e ficou ainda mais distante da média dos países do G20 (54) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (64).

O pequeno aumento no número de pontos fez o Brasil saltar da 106ª posição registrada em 2019 para a 94ª, mas ainda atrás de países como Colômbia, Turquia e China.  A Transparência Internacional alerta que o país enfrenta sérios retrocessos no combate à corrupção. 

"Não será através de soluções populistas e autoritárias que construiremos um país íntegro e justo. Será através do fortalecimento da nossa democracia e de uma cidadania consciente, unida, livre e ativa na luta por seus direitos", afirma a ONG, em comunicado que acompanhou a divulgação do relatório.

Na 94ª posição, o Brasil é acompanhado, com a mesma pontuação, por Etiópia, Cazaquistão, Peru, Sérvia, Sri Lanka, Suriname e Tanzânia.

Lideram o ranking, empatados com 88 pontos, Dinamarca e Nova Zelândia. Elas são seguidas, no campo dos "altamente íntegros", por Finlândia, Singapura, Suécia, Suíça, Noruega, Holanda, Alemanha e Luxemburgo.

A pontuação de 2019 havia sido a mais baixa desde 2012, quando passou a ser possível fazer comparações anuais. Em 2018, o Brasil caiu nove posições em relação ao ano anterior, ficando em 105º lugar. A classificação brasileira apresenta tendência de queda desde 2014, quando o país ocupava a 69ª posição.

"Falta de integridade tirou oxigênio das pessoas"

Em seu capítulo relativo ao Brasil, divulgado em português pela ONG, o relatório afirma que a luta contra a corrupção, que foi bandeira de boa parte da classe política eleita nos últimos anos, não se transformou em medidas concretas.

"Nenhuma agenda efetiva de reformas anticorrupção foi apoiada pelo governo e aprovada pelo Congresso. Pelo contrário, ocorreram graves retrocessos institucionais, principalmente com a perda de independência de órgãos fundamentais como a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal", observa.

Além disso, prossegue o relatório, "o avanço do autoritarismo, com ataques crescentes aos jornalistas e à sociedade civil, ameaça outra frente essencial para a luta contra a corrupção: a produção de informação de interesse público e o controle social".

Segundo o relatório, o ano de 2020, devido à pandemia, expôs a necessidade real de responder urgentemente às necessidades da sociedade. E, com isso, os riscos de corrupção também cresceram. "No Brasil, a falta de integridade dos governantes literalmente tirou o oxigênio das pessoas", diz o relatório.

Quando a corrupção mata

O índice de 2020 analisa especificamente a correlação entre os níveis de corrupção e a resposta das nações à pandemia de coronavírus no ano passado. O relatório destaca o impacto da corrupção nas respostas governamentais à covid, comparando o desempenho dos países no índice com seu investimento em assistência médica e a extensão do enfraquecimento das normas e instituições democráticas durante a pandemia.

A ONG diz que a corrupção é predominante em toda a resposta global à covid-19, desde subornos para a obtenção de testes e tratamento até a compra pública de suprimentos médicos.

"O que você vê é que a aquisição de equipamentos de proteção – como máscaras e respiradores – não está sendo tratada de forma transparente", diz Daniel Eriksson, diretor administrativo interino da ONG, à DW. "Isso torna muito atraente para as pessoas corruptas sugar dinheiro para seus próprios bolsos, enriquecendo-se assim à custa da população em geral – neste caso, a corrupção realmente mata pessoas".

O relatório aponta para "inúmeras vidas perdidas devido aos efeitos insidiosos da corrupção, minando uma resposta global justa e equitativa" à pandemia.

A análise da Transparência Internacional diz que a corrupção desviou fundos de investimentos necessários para cuidados de saúde, deixando algumas comunidades sem médicos, equipamentos e também clínicas e hospitais. "A covid-19 não é apenas uma crise de saúde e econômica: é uma crise de corrupção, a qual estamos atualmente falhando em administrar", diz a presidente da ONG, Delia Ferreira Rubio, no resumo do relatório.

rpr/cn (dw,ots)

Leia mais