Bolsonaro questiona proteção de florestas por europeus | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 01.12.2018

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Brasil

Bolsonaro questiona proteção de florestas por europeus

Para presidente eleito, governos anteriores "aceitaram de forma passiva e servil" a demarcação de terras indígenas. Ele diz ainda querer combater "indústria da multa ambiental".

Foto de Jair Bolsonaro

Bolsonaro crítica europeus ao ser questionado sobre mudanças climáticas

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou neste sábado (01/12) que a economia brasileira é prejudicada por "uma política tacanha" que valoriza as questões ambientais e indígenas, acrescentando que a Europa pouco fez para preservar suas florestas.

"Temos tudo para ser uma grande nação, mas por causa de uma política tacanha e mesquinha, que tem relevado a questão ambiental e indígena, continuamos a patinar na economia, e nós temos que mudar isso aqui", disse Bolsonaro, em Resende (RJ), após a cerimônia de formatura de aspirantes a oficial na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde se formou há 41 anos.

"Eu acredito na ciência, ponto final!... Agora, o que fez a Europa para manter as suas florestas? E querem dar a sua opinião aqui?", disse o ex-militar ao ser questionado sobre as mudanças climáticas.

Para Bolsonaro, governos brasileiros anteriores "aceitaram de forma passiva e servil" indicações de países estrangeiros para "a expansão ou demarcação das terras indígenas", e "um grande problema" do Brasil, "que tem que ser visto com bastante cautela, é que as políticas indigenistas e ambientais não trabalham em prol do" país, mas "em prol de interesses extraterritoriais".

O presidente eleito reforçou suas recentes críticas ao Acordo de Paris, considerando que ele não é favorável aos interesses do Brasil e contrário às políticas ambientais nacionais.

Ele afirmou, em outubro último, que não retiraria o Brasil do Acordo de Paris, que prevê medidas contra o aquecimento global, depois de ter ameaçado fazê-lo durante a campanha presidencial, mas sentenciou neste sábado que a fiscalização ambiental no seu governo mudará.

O presidente eleito reiterou que vai combater o que classifica como "indústria da multa ambiental" e disse que não permitirá que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) fixem multas "a torto e a direito".

"Eu mesmo fui multado. Se não me engano em 2012. Foram 10 mil reais. O processo foi levando avante, foi arquivado no Supremo Tribunal Federal, mas o Ibama levou a multa para frente. Estou na iminência de entrar na dívida ativa. Vou pagar essa multa, mas sou a prova viva do descaso, da parcialidade e do péssimo trabalho prestado por alguns fiscais do Ibama e do ICMBio. Isso vai acabar."

Bolsonaro disse ainda que falta apoio concreto para as políticas em favor dos indígenas e do meio ambiente no país: "Eu fui, nas minhas andanças, ao Acre e à Rondônia. Em torno de 20% apenas dessas áreas podem ser usadas em benefício da população local. E 80% não. Isso está errado."

Questionado sobre o nome que comandará o Ministério do Meio Meio Ambiente, Bolsonaro indicou que ainda está inclinado em favor do agrônomo Xico Graziano, que integrou o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e já pertenceu aos quadros do PSDB. Graziano também foi secretário de Meio Ambiente de São Paulo.

Em Resende, o presidente eleito estava acompanhado do vice-presidente Hamilton Mourão; do general Fernando Azevedo e Silva, confirmado para o Ministério da  Defesa; do general Augusto Heleno, que assumirá o Gabinete de Segurança Institucional; do ministro extraordinário da transição, Onyx Lorenzoni, que comandará a Casa Civil; e do governador eleito no Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

CA/abr/lusa/efe

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