Bolsonaro exonera diretor-geral da PF, e Moro deve deixar governo | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 24.04.2020
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Brasil

Bolsonaro exonera diretor-geral da PF, e Moro deve deixar governo

Maurício Valeixo foi escolhido por Sergio Moro, que ameaçou deixar Ministério da Justiça se houvesse a exoneração e vai se pronunciar em breve. Ele deve confirmar sua saída do governo.

Sergio Moro e Jair Bolsonaro

Diretor exonerado é pivô de embate entre o ministro da Justiça e o presidente

O presidente Jair Bolsonaro exonerou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Leite Valeixo, segundo o Diário Oficial da União desta sexta-feira (24/04). Um substituto ainda não foi indicado.

Valeixo havia sido escolhido para a PF pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, que dissera nesta quinta-feira que renunciaria ao seu cargo se Valeixo fosse afastado. Depois da exoneração, Moro anunciou um pronunciamento no Ministério da Justiça, marcado para as 11h desta sexta-feira. Pessoas ligadas a ele disseram à imprensa que ele anunciará sua saída do governo.

Segundo consta no Diário Oficial, a exoneração ocorreu através de um decreto assinado por Bolsonaro e por Moro, "a pedido" do próprio Valeixo.

O portal de notícias G1 e o jornal Folha de S. Paulo informaram nesta quinta-feira que Moro havia dito ao presidente que renunciaria se Valeixo fosse demitido, o que foi negado pelo Ministério da Justiça. 

 Mauricio Valeixo

Valeixo (d) nos tempos da Operação Lava Jato, em Curitiba

Segundo o G1, Bolsonaro teria avisado a Moro que iria substituir Valeixo na direção da PF em uma reunião nesta quinta-feira, mas o ministro teria resistido. De acordo com a Folha, ele teria pedido demissão logo após ser informado sobre a decisão pelo presidente. Bolsonaro teria então acionado ministros militares para persuadir Moro a permanecer na pasta.

A intenção por trás da troca no comando da PF seria colocar um nome próximo do presidente, uma vez que Valeixo é visto como o braço-direito de Moro na pasta. A inclusão do nome do ministro no anúncio da exoneração seria uma questão de formalidade, uma vez que o diretor-geral da PF é diretamente subordinado a ele. 

Segundo a Folha, Valeixo não pediu a própria exoneração, ao contrário do que foi publicado no Diário Oficial.

Moro anunciou o nome de Valeixo para comandar a PF em novembro de 2018, antes da posse de Bolsonaro. O diretor-geral exonerado atuou como superintendente da PF no Paraná durante a Operação Lava Jato, na época em que atual ministro da Justiça era o juiz federal responsável pelos processos em primeira instância da operação. 

Em nota, a Associação de Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) condenaram a troca no comando da PF, afirmando que tais "especulações prejudicam a estabilidade da Polícia Federal [...] e colocam em risco a própria credibilidade na lisura dos trabalhos da instituição".  

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 
App | Instagram | Newsletter

Leia mais