Bolsonaro deve receber alta em até seis dias, diz cirurgião | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 08.09.2019
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Brasil

Bolsonaro deve receber alta em até seis dias, diz cirurgião

Operação de correção de hérnia incisional se estendeu por cinco horas - quase três horas a mais do que o previsto. Segundo médico, presidente tem quadro clínico estável.

Messerattacke auf Präsidentschaftskandidaten in Brasilien Jair Bolsonaro (picture-alliance/dpa/F. Bolsonaro)

Jair Bolsonaro, em setembro de 2018, após as duas primeiras cirurgias

O médico Antônio Macedo, cirurgião-chefe que realizou neste domingo (08/09) a operação de correção de hérnia incisional em Jair Bolsonaro, disse que o presidente deverá receber alta médica em até seis dias. De acordo com ele, o presidente também deverá estar apto a viajar em sete a dez dias, se não houver complicações.

A operação de Bolsonaro começou às 7h35 (horário de Brasília) e se estendeu por cinco horas. Segundo o cirurgião Macedo, o procedimento foi bem-sucedido e o presidente apresenta quadro clínico estável. Essa foi a quarta intervenção cirúrgica desde que Bolsonaro sofreu um atentado na campanha de 2018.

"A cirurgia transcorreu muito tranquila, não houve nenhuma sutura intestinal, não houve sangramento, a gente imagina que após a alta, se tivermos a alta em cinco dias, ele deve viajar em sete dias, mais tardar em 10 dias", disse o cirurgião em entrevista coletiva no início da tarde no hospital Vila Nova Star, na capital paulista, onde ocorreu o procedimento.

O cirurgião ainda disse que a operação demorou mais do que o previsto em razão de o intestino no presidente da República estar fortemente aderido na parede abdominal. "Normalmente uma hérnia não demora tudo isso. Mas aí a gente não contava que tinha aderido tudo de novo em relação à cirurgia de 28 de janeiro. Isso teve de ser feito com muito cuidado, você não pode machucar o intestino em hipótese nenhuma. Teria sido melhor se [a cirurgia] fosse com duas horas, teria sido mais fácil", disse.

O médico ainda citou que a hérnia desenvolvida por Bolsonaro decorreu do ferimento da facada e das cirurgias posteriores. "Houve uma lesão grave da parede abdominal que ficou muito fraca. Além disso, durante a facada, ele desenvolveu uma peritonite, no dia 12 de setembro do ano passado ele foi operado já aqui em São Paulo dessa peritonite. Isso infectou muito a parede, deixou a parede muito enfraquecida, o que necessitou [agora] a correção dessa hérnia".

Segundo o médico, há uma pequena chance, de aproximadamente 6%, de o problema voltar a ocorrer no mesmo local. O cirurgião, no entanto, diz que encontrou tecidos em boa condição e que a probabilidade de isso ocorrer é muito pequena.

"O tecido que nós conseguimos unir e reforçar é um tecido mais musculoso, mais forte, mais nutrido, então é difícil de se imaginar que vai haver recidiva. Ele [Bolsonaro] está do ponto de vista clínico, do ponto de vista geral, muito bem, não tem sinais de cansaço, de esgotamento de nada", disse.

Como parte do processo de recuperação, a partir dessa segunda-feira, o presidente passará a ter uma dieta com líquidos.

Ainda por causa da cirurgia, o vice-presidente Hamilton Mourão deve ficar até a quinta-feira à frente da Presidência da República. Depois disso, está previsto que Bolsonaro possa despachar do próprio hospital.

Bolsonaro foi alvo de um ataque com faca em 6 de setembro, quando participava de um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).  Após o atentado, ele fez uma cirurgia inicial na Santa Casa de Juiz de Fora e depois uma segunda, em São Paulo. Ele permaneceu três semanas internado e recebeu alta no final de setembro.

Em janeiro, já ocupando a presidência, ele foi novamente submetido a uma cirurgia  para a retirada de uma bolsa de colostomia e reconstrução do trânsito intestinal.

O agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso logo depois do atentado. Em maio, um juiz da 3ª vara da Justiça Federal em Juiz de Fora decidiu que Adélio Bispo não poderia ser punido criminalmente em razão de sofrer transtorno mental. A decisão foi tomada com base em avaliações psiquiátricas, inclusive com uma entrevista feita por um médico indicado pela defesa de Bolsonaro. A investigação da Polícia Federal concluiu que ele agiu sozinho.

No mês seguinte, o juiz aplicou em Adélio o mecanismo da "absolvição imprópria", previsto quando uma pessoa não pode ser condenada por ser inimputável, e determinou a internação do agressor por tempo indeterminado na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

Bolsonaro, que desde o atentado alimentava dúvidas sobre as conclusões do inquérito da PF e sugeria que Adélio fazia parte de uma conspiração, dizia que pretendia contestar a sentença, mas não apresentou nenhum recursodentro do prazo.

JPS/ab/ots

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