Bolsonaro anuncia pastor Milton Ribeiro como ministro da Educação | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 10.07.2020

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Brasil

Bolsonaro anuncia pastor Milton Ribeiro como ministro da Educação

Em aceno aos evangélicos, nomeação é publicada no Diário Oficial da União. Ribeiro tem ligação com a Universidade Mackenzie e é pastor da Igreja Presbiteriana. Ele será o quarto chefe do MEC no governo Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro escolheu o pastor da Igreja Presbiteriana Milton Ribeiro para assumir o comando do Ministério da Educação. A nomeação foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira (10/07).

Ribeiro é vice-presidente do conselho deliberativo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, da qual foi vice-reitor. Desde maio de 2019, é membro da Comissão de Ética Pública ligada à Presidência da República, tendo sido nomeado por Bolsonaro.

O pastor foi o primeiro indicado pelo presidente para integrar o colegiado, que tem a função de investigar ministros e funcionários do governo. Seu mandato termina em 2022, mas ele deverá abdicar do posto para assumir o comando do MEC.

Segundo seu currículo Lattes, Ribeiro tem graduação em Teologia e em Direito, mestrado em Direito pelo Mackenzie e doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Ele ainda é pastor reverendo na Igreja Presbiteriana de Santos, no litoral de São Paulo.

Fontes citadas pela imprensa brasileira afirmam que o nome de Ribeiro foi levado a Bolsonaro pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Jorge de Oliveira. Com o novo chefe do MEC, o presidente tenta apostar num perfil mais técnico, ao mesmo tempo em que satisfaz grupos da base de apoio do governo, incluindo a ala ideológica e os evangélicos.

Bolsonaro teria sofrido pressão desse grupo religioso e, por isso, sondado evangélicos para o cargo, entre eles Ribeiro. A chamada ala ideológica, por sua vez, também vinha cobrando um nome conservador. Em declarações recentes, o mandatário afirmou que estava buscando alguém de perfil "conciliador" para a função.

Em um ano e meio de governo, Ribeiro será o quarto ministro da Educação de Bolsonaro, depois de Ricardo Vélez Rodríguez, Abraham Weintraub e Carlos Decotelli, que teve uma passagem relâmpago pelo MEC e nem chegou a tomar posse no cargo.

Decotelli entregou sua carta de demissão em 30 de junho, apenas cinco dias depois de ser nomeado para o posto e após uma série de polêmicas sobre títulos acadêmicos que dizia possuir, mas que acabaram sendo desmentidos por instituições de ensino mencionadas em seu currículo. Ele também foi acusado de plágio em sua dissertação de mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em seguida, Bolsonaro convidou o atual secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, para assumir a pasta. Feder era considerado de perfil técnico e um nome bem visto pelo chamado Centrão, novos aliados do governo.

A escolha, contudo, desagradou os setores mais radicais do bolsonarismo, especialmente os ligados ao guru ultraconservador Olavo de Carvalho, que exerce forte influência sobre os filhos do presidente.

Esses grupos veem o MEC como um palco para uma "guerra cultural" contra a esquerda e não querem que a pasta seja ocupada por alguém que não compartilha dessa agenda extremista. O nome também não havia agradado políticos evangélicos que apoiam o presidente. 

Após sofrer uma série de ataques nas redes sociais, Feder acabou recusando o convite de Bolsonaro no último domingo, 5 de julho, deixando novamente o posto em aberto num momento de crise devido à epidemia de coronavírus, que atinge também a área da educação.

Nomeações para o CNE

Mais cedo nesta sexta-feira, Bolsonaro também nomeou novos membros para o Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão de assessoramento do MEC que propõe políticas públicas na educação. O conselho encaminha pareceres ao ministro, que acata ou veta parte das recomendações.

Ao todo, o CNE é formado por 24 membros com mandatos de quatro anos, que podem ser prorrogados por mais dois anos. O órgão é dividido por duas câmaras, uma de educação básica e uma de educação superior.

Em decreto publicado no Diário Oficial da União, o presidente nomeou 11 novos integrantes, além de reconduzir ao cargo os presidentes da Câmara de Educação Básica, Sueli Menezes, e da Câmara de Educação Superior, Luiz Roberto Curi.

As nomeações desta sexta-feira também acenam aos grupos da ala ideológica de apoio a Bolsonaro, incluindo nomes olavistas.

Entre os 11 novos membros, não há nenhum representante do Conselho de Secretários Estaduais de Educação (Consed) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). As entidades, que representam secretários de Educação dos estados e municípios, chegaram a indicar nomes para o conselho, mas foram ignoradas pelo governo.

Em reação às nomeações, o Consed e a Undime divulgaram uma nota de repúdio nesta sexta. "O CNE é um órgão de Estado e não de um governo", afirmam as entidades. "Desconsiderar as sugestões dos gestores da educação pública de todo o país para a composição de um colegiado tão importante como o CNE transmite uma mensagem negativa e preocupante."

EK/abr/ots

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