Bolsonaro é esfaqueado durante ato de campanha | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 07.09.2018
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Eleições 2018

Bolsonaro é esfaqueado durante ato de campanha

Candidato à Presidência é atingido na região do abdômen em meio a evento eleitoral em Juiz de Fora. Após cirurgia, candidato é transferido para hospital em São Paulo. Suspeito é preso em flagrante.

Jair Bolsonaro

Bolsonaro foi agredido enquanto fazia campanha nesta quinta-feira na cidade mineira de Juiz de Fora

O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) foi atingido no abdômen por um golpe de faca nesta quinta-feira (06/09), durante um evento de campanha na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Ele foi operado, e o quadro é considerado estável. Nesta sexta-feira, o candidato foi transferido para o hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ele deve ficar internado por um período de sete a dez dias.

"Jair Bolsonaro sofreu um atentado agora em Juiz de Fora, uma estocada com faca na região do abdômen", afirmou no fim da tarde um dos filhos do presidenciável, o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), no Twitter.

O candidato foi encaminhado à Santa Casa de Juiz de Fora e, a fim de verificar a gravidade do ferimento, foi submetido a uma laparotomia exploratória. Os médicos constataram lesões numa artéria, no intestino grosso e no intestino delgado.

Segundo a Santa Casa, todas as lesões foram reparadas durante uma cirurgia. "Bolsonaro encontra-se estável, com pressão arterial normal e sem risco iminente de morte. Hemorragia controlada até o momento", diz o boletim médico divulgado pela imprensa.

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O médico Luiz Henrique Borsato, da Santa Casa de Juiz de Fora, afirmou que Bolsonaro passa bem e deve ficar internado durante um prazo de entre uma semana e dez dias, a ser determinado de acordo com a evolução de sua recuperação. 

Borsato, que participou da equipe que operou Bolsonaro, disse que o intestino grosso do candidato foi transfixado pela faca e a parte lesada do órgão teve de ser removida. A facada causou ainda três lesões no intestino delgado, que foi costurado pelos cirurgiões. O caso é considerado grave, e o presidenciável é submetido a cuidados intensivos. 

Durante a cirurgia, o candidato recebeu transfusões de quatro bolsas de sangue. Cinco cirurgiões e dois anestesistas trabalharam na operação.

Flávio Bolsonaro, que inicialmente chamou o ferimento de "superficial", relatou que o incidente "foi mais grave" do que se pensava. "[Ele] perdeu muito sangue, chegou ao hospital com pressão de 10/3, quase morto... Seu estado agora parece estabilizado", escreveu o filho. Borsato confirmou que o candidato deu entrada no hospital com sinais de choque e grande hemorragia.

Segundo boletim médico divulgado pelo hospital Albert Einstein nesta sexta-feira, o presidenciável passará por exames e um por uma avaliação médica realizada por uma equipe multidisciplinar. Os principais riscos a serem monitorados são infecção e pneumonia.

Em mensagem de vídeo gravada por correligionários, Bolsonaro aparece deitado no leito do hospital, cercado de familiares e apoiadores. "Nunca fiz mal a ninguém", afirmou, após agradecer à equipe médica que o atendeu. O candidato ainda lamentou não poder comparecer à parada militar de 7 de Setembro no Rio de Janeiro.

Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o momento da agressão. Bolsonaro é erguido nos ombros por um de seus apoiadores, em meio a dezenas de pessoas, quando sofre um golpe na região da barriga. Em outra gravação, ele aparece sendo retirado do local, carregado por vários homens.

A Polícia Federal afirmou que um suspeito foi detido. "O agressor foi preso em flagrante e conduzido para a delegacia da PF naquele município. Foi instaurado inquérito policial para apurar as circunstâncias do fato", diz uma nota. Bolsonaro contava com escolta de policiais federais no momento do incidente.

O agressor foi identificado como Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos. Em seu perfil no Facebook, ele diz ser natural da cidade de Montes Claros (MG) e fez várias postagens críticas ao deputado. A polícia informou que, após o ataque, o suspeito foi agredido por pessoas que estavam no local.

Reações

Políticos e candidatos à Presidência foram rápidos em condenar o ataque. Em evento no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer disse que a agressão é lamentável para a democracia. "Isso revela algo que devemos nos conscientizar. É intolerável a intolerância que tem havido na sociedade brasileira. É intolerável que falseiem dados na campanha eleitoral", afirmou.

A ex-presidente Dilma Rousseff também descreveu o ataque como lamentável, mas acrescentou  que "o ódio, quando você planta, você colhe tempestade". "Você não pode falar que vai matar ninguém, não pode falar isso", disse a petista, em referência a declarações anteriores polêmicas de Bolsonaro.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), lamentou e afirmou ser "repugnante a violência praticada contra o deputado Jair Bolsonaro". "Independente de divergências políticas, a sociedade não deve tolerar atitudes dessa natureza, que atentam contra a nossa democracia. Que o caso seja esclarecido e punido o mais rápido possível", escreveu.

Em nota, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, destacou que "a violência contra candidato e eleitores é violência contra a democracia, que exige convivência pacífica, direito de reunião e liberdade de expressão". "As eleições devem ser livres e justas, para que a vontade popular seja exercida sem qualquer coerção, pelo que são inteiramente incompatíveis com atos de violência."

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também manifestou "repúdio". "A democracia não comporta esse tipo de situação. [...] Neste momento, cabe a reflexão a respeito do momento marcado por extremismos, por discursos de ódio e apologia à violência. Tudo isso apenas estimula mais violência, numa situação que prejudica a todos", diz uma nota.

EK/ots

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