Boatos de golpe levam governo da China a censurar páginas da internet | Notícias internacionais e análises | DW | 31.03.2012
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Mundo

Boatos de golpe levam governo da China a censurar páginas da internet

Rumores sobre suposto golpe começaram a ser espalhados na internet após demissão de um importante político chinês. Pequim bloqueou 16 websites e seis pessoas foram presas.

O governo da China bloqueou 16 páginas na internet, prendeu seis pessoas e puniu os dois microblogs mais populares no país – Sina Weibo e Tencent QQ – com a não publicação de comentários de seus usuários até a próxima terça-feira (03/04) após a divulgação, via internet, de rumores de um golpe de Estado no país, possivelmente ligado a um escândalo que derrubou um importante político chinês.

Segundo a agência estatal de notícias Xinhua, os websites espalharam o boato de que veículos militares haviam entrado em Pequim e que "havia algo de estranho" ocorrendo na capital chinesa. Até mesmo aviões militares estariam sobrevoando a cidade, de acordo com as informações. O golpe estaria sendo liderado pelo chefe de segurança Zhou Yongkang após a demissão, neste mês, do político em ascensão Bo Xilai.

Demitido do comando do partido na metrópole Chongqing depois de seu chefe de polícia ter passado a noite no consulado dos Estados Unidos, onde teria pedido asilo político, Bo tinha grandes chances de faturar um posto nacional durante o congresso do partido este ano. No entanto, ele já havia sido criticado pelo chefe do governo, Wen Jiabao, por suas atitudes antirreformistas.

A queda de Bo acabou gerando uma divisão na legenda pouco antes de sua troca de comando. A demissão recebera uma cobertura bastante superficial por parte da imprensa estatal, duramente controlada.

Controle rígido

Uma amostra do rígido controle exercido pelas autoridades sobre o que circula na rede mundial de computadores no país é a prisão, desde o dia 14 de fevereiro, de 1.065 pessoas, segundo a agência Xinhua, em uma operação desencadeada em Pequim para combater crimes como tráfico de armas, drogas e materiais tóxicos, além do tráfico de órgãos humanos e de informações pessoais via online. Mais de 3 mil websites já receberam advertências.

O governo chinês afirma que vem fazendo esforços para "limpar" a rede, atitude que vem sendo encarada como restrição à liberdade online no país, onde vários websites como Twitter, Facebook e YouTube são bloqueados. A China tem cerca de 500 milhões de usuários de internet.

"Mudança política é boato, reforma política também é boato", postou no Twitter o artista chinês Ai Weiwei, dissidente, neste sábado, comentando a suspensão dos cometários nos microblogs.

Ai Weiwei estaria supostamente referindo-se às observações de Wen Jibao, que criticou Bo Xilai um dia antes do anúncio de sua queda e afirmou que o partido do governo precisa realizar uma "reforma política" ou corre o risco de retornar ao "caos" da Revolução Cultural (1966-76).

Em seu editorial nesta edição de sábado, o jornal oficial do partido chinês, People's Daily, prometeu que o governo vai punir os responsáveis pelas "mentiras e especulações". "Boatos online enfraquecem a moral pública e, se fora de controle, vão perturbar a ordem pública e afetar a estabilidade social", disse o jornal ao pedir que a população "ignore ruídos externos", fofocas e boatos.

MSB/afp/dpa
Revisão: Carlos Albuquerque

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