Berlim inaugura mural em homenagem a Marielle Franco | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 08.03.2021

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Alemanha

Berlim inaugura mural em homenagem a Marielle Franco

Obra na capital alemã relembra a vereadora do Rio assassinada em 2018 e pede proteção a ativistas de direitos humanos.

Painel em homenagem a Marielle Franco

Painel fica no bairro de Kreuzberg, ao lado da linha de metrô U1

A ex-vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em março de 2018 em um atentado ainda não totalmente esclarecido pelas autoridades, foi homenageada neste segunda-feira (08/03), Dia Internacional da Mulher, com um mural de cerca de 100 metros quadrados na lateral de um prédio em Berlim.

A pintura foi realizada pela artista russa Katerina Voronina com o apoio da organização Anistia Internacional e do museu de arte urbana contemporânea Urban Nation. O mural faz parte da série "Brave Walls", que busca chamar a atenção para a necessidade de proteção de ativistas de direitos humanos e já lançou obras semelhantes em mais de 20 países.

Voronina, que mora em Berlim desde 2018, teve a sua pintura selecionada por um júri no segundo semestre do ano passado. A obra levou dez dias para ser executada, consumiu 50 litros de tinta acrílica e fica em um prédio no bairro de Kreuzberg, ao lado da linha de metrô U1.

"Marielle Franco me impressionou profundamente. Ela era uma mulher forte e corajosa, que lutou sem hesitar contra estruturas de poder e infelizmente perdeu a sua vida como resultado disso", afirmou a artista.

Berlim se tornou o primeiro estado da Alemanha a criar um feriado para o Dia Internacional da Mulher, no ano passado. Na primeira edição do feriado, em 8 de março de 2019, Marielle já havia sido lembrada durante a tradicional marcha das mulheres da cidade. 

Painel em homenagem a Marielle Franco, com a cidade de Berlim em pespectiva

Pintura foi realizada em 10 dias com o apoio da Anistia Internacional e do museu Urban Nation

Crime não esclarecido

Vereadora de primeiro mandato e atuante em causas sociais, especialmente na luta antirracista e na promoção de pautas feministas e LGBTQ, Marielle foi morta quando tinha 38 anos e logo se transformou tragicamente num símbolo internacional.

Na noite de 14 de março de 2018, ela deixou um debate na Casa das Pretas, no centro do Rio, e pouco tempo depois seu veículo foi emboscado por atiradores. Ela e o motorista, Anderson Gomes, morreram no local.

Dois suspeitos de executarem o assassinato foram presos em 2019: o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz, acusados de envolvimento com milícia. A investigação apontou que Lessa teria efetuado os disparos, enquanto Queiroz teria conduzido o veículo que seguiu Marielle. Nenhum dos dois foi julgado até o momento.

Mandantes e motivos do crime seguem sem esclarecimentos. Uma série de políticos do Rio de Janeiro figuraram como suspeitos de terem ordenado o assassinato, como o vereador Marcelo Siciliano (PHS), o ex-vereador Cristiano Girão e o ex-deputado Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Todos negam qualquer envolvimento.

Uma das linha de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público aponta que o assassinato de Marielle foi encomendado como uma forma de vingança contra o atual deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ), colega de partido de Marielle e que se notabilizou por sua atuação contra as milícias da cidade. Marielle trabalhou durante uma década no gabinete de Freixo antes de ser eleita vereadora.

Nas eleições municipais de 2020, a viúva da vereadora, Mônica Benício, foi eleita para uma vaga na Câmara do Rio de Janeiro. A família de Marielle também lançou um instituto que leva o nome da ex-vereadora.

Artista Kate Voronina em frente a painel de Marielle

Voronina: "Marielle lutou sem hesitar contra estruturas de poder e infelizmente perdeu a sua vida por isso"

Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher remonta à Conferência das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague em 1910 e idealizada pela ativista feminista alemã Clara Zetkin.

A partir de 1947, a data foi adotada oficialmente na extinta República Democrática Alemã (a Alemanha Oriental). Na Alemanha Ocidental, ganhou importância somente com os movimentos de mulheres na década de 1970.

As Nações Unidas convocaram pela primeira vez uma celebração da data em 1975, como parte do Ano Internacional das Mulheres. Em 1977, a Assembleia Geral da ONU reconheceu oficialmente o 8 de março como "Dia dos Direitos da Mulher e da Paz Mundial".

bl (ots, DW)