Bento 16 vai ao Benin celebrar os 150 anos de evangelização do país | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 18.11.2011
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Mundo

Bento 16 vai ao Benin celebrar os 150 anos de evangelização do país

Pequeno país da África Ocidental não é só uma terra cristã: é também o berço do vodu, uma religião tradicional que ainda é muito difundida entre a população.

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Cerimônia de vodu em Benin

O papa Bento 16 chega nesta sexta-feira (18/11) ao Benin, onde permanecerá por três dias. A viagem marca os 150 anos da introdução do cristianismo no pequeno país da África Ocidental.

Na maior cidade do Benin, Cotonou, a comunidade da Igreja de Saint Michel está ansiosa com a visita do líder da Igreja Católica. Os preparativos estão em ritmo acelerado para a missa deste domingo.

O coral do dirigente Nicolas de Dravo, por exemplo, ensaia para fazer bonito: "Esta é a terceira visita de um Papa ao Benin. João Paulo 2º esteve duas vezes aqui". Ele lembra que alguns países receberam a visita de um Papa somente uma vez.

O berço do vodu

Papstbesuch in Benin

Altares de vodu estão por todos os lados

Em cada grupo de quatro habitantes do Benin, um é católico. Mas o país, que tem 9 milhões de habitantes, não é só uma terra cristã. É também o berço do vodu, uma religião politeísta africana que cultua os antepassados e cujos rituais são marcados pela música, dança e muita comida.

Essa religião antiga e tradicional é muito disseminada. Existe um deus principal, com seus muitos filhos. E para cada uma dessas divindade há altares espalhados sobretudo pelo litoral, nas pequenas vilas de pescadores. As cerimônias são celebradas à noite, frequentemente nas praias.

Segundo Nicolas, o vodu sempre foi importante para a cultura local. "Nossos antepassados sempre acreditaram nessa religião, até porque não havia evangelização." Mas o dirigente do coral diz que prefere a situação atual, na qual pode optar entre o cristianismo, o vodu e o islamismo.

Papstbesuch in Benin

Neste local deverá acontecer a grande missa de Bento 16

Estatísticas mostram que 18% dos moradores seguem o vodu, o que faz do Benin o país africano com o maior percentual de seguidores de uma religião tradicional entre seus moradores. "O Benin é um país liberal e as religiões vivem em paz umas com as outras", afirma Nicolas.

Convívio de religiões

A proximidade com que vodu e cristianismo convivem no país pode ser vista em Uidá. A basílica onde Bento 16 vai celebrar uma missa no sábado para relembrar os 150 anos da cristianização do Benin é vizinha de um templo importante do vodu.

Não muito longe da igreja está o Templo Píton, que atualmente é mais um atrativo turístico, porém é um dos símbolos da cultura do vodu. Diz a lenda que as cobras pítons teriam salvado a cidade de um ataque.

No final do século 19, os primeiros missionários católicos queriam se estabelecer exatamente nesta mesma localidade. O sacerdote do templo vodu na época concordou, mas com uma condição: que cada novo integrante comesse fufu e noz-de-cola, como é típico nas cerimônias do vodu.

Papstbesuch in Benin

Cerimônias de vodu acontecem principalmente na praia

"Os missionários aceitaram a condição", relata o guia turístico Moise Toffon, que mostra aos visitantes o templo da cobra píton. Não demorou e os forasteiros exigiram que a nova igreja fosse construída em frente ao templo. "Mais uma vez o sacerdote-chefe estava de acordo e providenciou até operários para ajudar na construção da igreja católica", conta o guia ao apontar para a igreja, que pode ser vista de onde ele trabalha. Esta basílica é atualmente a única igreja na África Ocidental localizada perto de um templo vodu.

Católicos visitam sacerdote vodu

Mas mesmo que se ressalte o convívio pacífico entre as duas religiões, elas também têm suas diferenças. Um dos grandes críticos da Igreja Católica é o sacerdote vodu Dah Aligbonen.

No pátio interno de sua casa, em Cotonou, ele recebe diariamente pessoas que buscam uma palavra de conforto ou ajuda espiritual. Entre esses estão também padres católicos, conta o sacerdote. Eles estariam cansados e decepcionados com a Igreja, afirma.

"A Igreja pede dinheiro de manhã, de tarde e de noite. Deve ser extremamente rica", comenta. Mas ele aponta ainda um outro motivo para que as pessoas o procurem: o interesse pela tradição.

Autora: Katrin Gänsler (br)
Revisão: Alexandre Schossler

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