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Criminalidade

28 de agosto de 2007

Após chacina de italianos em Duisburg, começa julgamento pelas mortes em restaurante chinês em fevereiro último na Alemanha. Relatório mostra que ranking do crime organizado é liderado por alemães e turcos.

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Máfia italiana está em quinto lugar no rankingFoto: picture-alliance/dpa

Sob fortes medidas de segurança, teve início nesta segunda-feira (27/08) o julgamento de cinco vietnamitas envolvidos no assassinato de sete pessoas de origem asiática na cidade de Sittensen, no norte da Alemanha, em fevereiro último.

Na ocasião, um casal, dono de um restaurante chinês, e cinco empregados foram encontrados mortos no estabelecimento em que trabalhavam. Rapidamente, começaram as especulações sobre os motivos do crime: bandos mafiosos, dinheiro de extorsão e, finalmente, latrocínio, acusação pela qual estão sendo julgados os vietnamitas.

Recentemente, as especulações sobre a implicação de máfias estrangeiras no crime organizado alemão tomaram ainda mais fôlego com a confirmação pelo Ministério italiano do Interior do envolvimento da máfia do país no assassinato de seis italianos na cidade alemã de Duisburg em meados de agosto.

Bandos alemães encabeçam ranking

Apesar da acusação do envolvimento da máfia calabresa nos assassinatos de Duisburg, um relatório publicado pelo Departamento Federal de Investigações (BKA) na última sexta-feira (24/08) mostra que os italianos ocupam apenas a quinta posição no ranking do crime organizado na Alemanha.

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Chacina de Duisburg foi obra da máfia, diz ministério italianoFoto: AP

Outro dado importante é o fato de os prejuízos causados pela criminalidade organizada e os ganhos de seus bandos terem praticamente duplicado em 2006.

Enquanto os prejuízos são calculados em 1,36 bilhão de euros, 97,7% a mais que em 2005, o BKA avalia que os lucros subiram para 1,8 bilhão de euros, um aumento de 113,8% em relação ao ano anterior. Porém, de acordo com o relatório recém-publicado pelo BKA, são bandos alemães que encabeçam o ranking do crime organizado no país, com um lucro de 1,4 bilhão de euros em 2006.

Narcotráfico, delitos econômicos e furtos

Autoridades policiais alemãs investigaram 622 grupos com 10.244 suspeitos de ações criminosas em 2006, sendo que cidadãos alemães representam 42,3% desse total. No entanto, segundo o relatório, aproximadamente 17% deles teria nascido no exterior, principalmente na Rússia, no Cazaquistão, na Polônia e na Turquia.

Na média, tais bandos são compostos por 16 integrantes. O BKA, entretanto, também alerta para grupos maiores: o relatório constatou a existência de nove grupos com mais de cem e de outros 31 com mais de 50 suspeitos. Criminosos alemães estariam distribuídos em 208 bandos, cujas principais atividades seriam narcotráfico, delitos econômicos e furtos.

Poloneses, russos e sérvios

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Máfia russa e polonesa atuam em campos semelhantesFoto: APTN

O segundo lugar é ocupado por 73 grupos turcos, atuantes principalmente no tráfico de heroína, seguidos por 30 grupos poloneses, atuantes sobretudo no contrabando de automóveis roubados para os antigos países soviéticos do Leste europeu e no comércio ilegal de cigarros.

Outros 30 bandos criminosos russos, atuantes nas mesmas áreas que os poloneses, ocupam o quarto lugar da lista.

Ligados às máfias siciliana, calabresa, napolitana e à Stidda, pequena organização criminosa italiana, o quinto lugar do relatório é ocupado por 26 grupos italianos, cujas principais áreas de ação são o contrabando de automóveis e o tráfico de cocaína. Em sexto lugar, estão 25 bandos da Sérvia e Montenegro, também especializados no narcotráfico.

Segundo o relatório do Departamento Federal de Investigações, o aumento da criminalidade organizada foi, no entanto, acompanhado pela diminuição em 4,3% do número de procedimentos de investigação. Para Konrad Freiberg, presidente do Sindicato dos Policiais Alemães, isto é conseqüência do corte de dezenas de milhares de cargos na polícia alemã em 2006. (ca)