Autoridades chinesas temem protestos como os que ocorrem no mundo árabe | Notícias internacionais e análises | DW | 21.02.2011
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Mundo

Autoridades chinesas temem protestos como os que ocorrem no mundo árabe

Distúrbios no mundo islâmico causam no governo chinês temores de que onda de protestos possa avançar até o país. Ativistas estão sob vigilância, polícia dilui tentativas de manifestação e internet é mais censurada.

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Internet mais censurada: medida preventiva

As autoridades chinesas estão nervosas. A apenas algumas semanas da assembleia anual do Congresso Popular – o Parlamento simulado do país –, as lideranças do Partido Comunista tentam sufocar na raiz possíveis protestos e manifestações. No fim de semana (19-20/02), dezenas de ativistas foram confinados à prisão domiciliar.

Teng Biao, um advogado de renome, está desaparecido deste sexta-feira (18/02). "Estou muito preocupada. Meu marido não voltou para casa depois de ter sido intimado pelas autoridades de segurança. Durante a madrugada, forças de segurança vieram buscar computador, livros e um aparelho de fax da nossa casa", conta sua esposa, Wang Ling.

Em função da vigilância acirrada, alguns ativistas e intelectuais críticos ao regime não puderam falar abertamente ou tiveram seus telefones cortados nesta segunda-feira (21/02).

Seguidores da "Revolução de Jasmim"?

Jasmin-Revolution China Peking 2011 Februar

Policial tenta dispersar protesto em Pequim no domingo (20/02)

O pivô da conduta repressora das autoridades foi a convocação pela internet para uma "Revolução de Jasmim", aos moldes daquela dos países árabes. Não está claro ainda quem foi responsável pela ideia, inicialmente publicada em um site estrangeiro. Apenas em Pequim e Xangai, algumas centenas de pessoas atenderam ao apelo e foram para as praças centrais de suas cidades no último domingo (20/02).

Em Pequim, a polícia tentou dissipar centenas de pessoas que se aglomeravam em frente a uma lanchonete localizada numa grande rua comercial. No entanto, não se pode afirmar que tenha se tratado de uma manifestação de fato, já que os participantes não portavam cartazes nem gritavam palavras de ordem, sendo então impossível avaliar quem estava ali para protestar ou apenas por curiosidade.

Entretanto, quando uma pessoa jogou alguns jasmins na rua, a polícia interveio imediatamente e tentou prender um jovem. "Eu só estava passando ali por acaso", disse ele, rodeado de jornalistas. "Só quis apanhar uma flores bonitas que estavam no chão. Por que querem me levar?", questionava o jovem.

Ele acabou sendo liberado, mas outras duas pessoas foram detidas. Em Xangai, houve uma concentração semelhante, altamente vigiadas tanto por policiais de uniforme quanto à paisana. De acordo com agências de notícias, também nesta cidade várias pessoas foram detidas.

Eliminando o que põe "a harmonia" em risco

A presença em peso da polícia, a intimidação de intelectuais e ativistas críticos e a censura rígida tornam improváveis protestos no momento na China. As declarações de altos funcionários do governo no fim de semana demonstram, contudo, o quanto as autoridades estão nervosas.

O presidente Hu Jintao conclamou seus correligionários de partido a reduzirem "fatores de desarmonia" na sociedade, a um melhor gerenciamento da internet e a um melhor controle da opinião pública.

Na internet chinesa, a palavra molihua (jasmim) está parcialmente bloqueada. Nos comentários em microblogs, o termo está proibido desde o fim de semana. As autoridades querem, com isso, evitar discussões sobre os recentes acontecimentos no mundo árabe, impedindo também comparações com a China.

Autora: Ruth Kirchner (sv)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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