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Logotipo da Audi simboliza fusão de quatro marcas históricasFoto: AP

Audi coleciona recordes

gh
24 de julho de 2004

Montadora cresce à sombra do grupo Volkswagen e quer vender um milhão de veículos por ano. Complexa história da empresa remonta aos primórdios das indústria automobilística alemã.

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Os quatro anéis entrelaçados do logotipo da Audi AG são a marca registrada de uma das montadoras mais antigas da Alemanha. Eles simbolizam a fusão consumada em 1932 entre quatro fabricantes de veículos automotivos até então independentes: Audi, Horsch, DKW e Wanderer. Empresas de origens distintas, elas só direcionaram suas produções para a indústria automobilística, quando Henry Ford, nos Estados Unidos, já produzia carros em grande escala.

O nome Audi – e os dois primeiros anéis – originou-se de uma briga. Em 1899, August Horsch, um dos grandes pioneiros da indústria automobilística alemã, fundara em Colônia a empresa Horsch, mais tarde transferida para Zwickau, na Saxônia. Devido a dificuldades financeiras e desentendimentos internos, ele abandonou a empresa em 1909 e abriu uma nova fábrica de automóveis. Como estava proibido de usar o nome Horsch, traduziu-o para o latim – Audi ( = ouça!). O primeiro carro ficou pronto no ano seguinte e, em 1921, a Audi foi a primeira montadora alemã a apresentar um automóvel com direção à esquerda.

DKW e Wanderer – de duas a quatro rodas

O terceiro anel remonta a 1904, quando o dinamarquês Jörgen Skafte Rasmussen fundou com um parceiro em Chemnitz a Erns & Rasmussen, que produzia armaduras para vapor de escape, isqueiros, descascadores de batata e outros produtos metálicos. A partir de 1912, incluiu autopeças em seu sortimento e iniciou experimentos na área automotiva que resultariam no novo nome da empresa: DKW (Dampf-Kraft-Wagen ou Carro de Propulsão a Vapor).

O quarto anel da Audi foi forjado pelas mãos de Johann Baptist Winklhofer e R.A. Jaenicke, que em 1885 fundaram uma oficina de bicicleta em Chemnitz. O negócio expandiu rapidamente para a produção própria de bicicletas, evoluiu para o desenvolvimento de automotores em 1902 e, em 1913, saíam de fábrica os primeiros carros Wanderer. A empresa criou uma divisão encarregada de produzir máquinas-ferramenta e, sob a marca Continental, ainda fabricava máquinas de escrever e calculadoras.

Fusão foi tábua de salvação

Enfraquecidas pela crise econômica mundial do final do anos 20, nenhuma das quatro empresas tinha condições de sobreviver isoladamente. Sob o comando do Banco Estatal da Saxônia, no dia 29 de junho de 1932, as fábricas Audi, Horsch, DKW e o departamento de automóveis da Wanderer fundiram-se na Auto Union AG, com sede em Chemnitz.

Os anos seguintes foram marcados pelo crescimento da produção e o sucesso da marca no automobilismo. Sob o signo dos quatro anéis, a Auto Union logo se tornou o segundo maior grupo automobilístico da Alemanha. As estrelas da época eram seus carros de corrida de 16 cilindros e as limusines de luxo que imortalizaram o nome de August Horsch.

O período de 1939 a 1945 marcou o capítulo mais escuro da Auto Union, que, como toda a indústria alemã, dedicou-se à produção de material bélico. A fabricação de carros foi interrompida em 1939/1940. Depois da guerra, a empresa foi liqüidada e desapareceu atrás da cortina de ferro em conseqüência da divisão e reforma monetária da Alemanha. Em 03 de setembro de 1949, nascia a nova Auto Union, com sede em Ingolstadt, que primeiramente ressuscitou a marca DKW.

Quatro anéis, uma estrela e a NSU

Audi Fertigung
Linha de produção do A8 em NeckarsulmFoto: AP/Audi

Em 1958, a Daimler Benz comprou 87,8% das ações da Auto Union, mas a estrela de Stuttgart logo sumiu do firmamento. Quatro anos depois, a Volkswagen comprava a Auto Union por 300 milhões de marcos. Em setembro de 1965, era lançado o primeiro carro com o nome Audi – com motor de quatro cilindros e carroceria derivada do DKW F102. Seguiram-se novos modelos, inicialmente com a mesma carroceria, mas com motores de 75 cv (Audi 75), 80 cv (Audi 80), 90 cv (Audi Super 90) e, a partir de 1968, também o Audi 60 (55 cv).

O sucesso desses carros foi tão surpreendente que, apesar de a Volkswagen ser contra, a direção da fábrica de Ingolstadt passou a desenvolver modelos próprios. Partindo do estilo do pequeno Audi, surgiu o Audi 100, com o mesmo tipo de motor de seus antecessores.

A direção da Volkswagen custou a engolir o avanço da Audi e, quase que de castigo, forçou-a a fundir-se com a fábrica de motores NSU, subsidiária da Volks sediada em Neckarsulm. Em 1977, com o fim da produção do Ro 80, morreu a marca NSU, que existira por mais de 100 anos.

Embora não esteja representada por um anel no logotipo da Audi, a NSU teve uma história de pioneirismo e sucesso. Fundada em 1873 como oficina mecânica em Riedlingen, à beira do Danúbio, passou mais tarde a fabricar máquinas de tricotar, biblicletas, motocicletas e, finalmente, carros. Somente em 1913 e 1914, a NSU, com 1200 funcionários, produziu mais de 12 mil bicicletas, 2500 motocicletas e 400 automóveis. Após a Segunda Guerra Mundial, era a maior fábrica de motocicletas do mundo. Chegou a passar pelas mãos da Fiat e Volkswagen, antes de ser incorporada pela Audi.

Técnica e inovação

Seguindo a filosofia do "progresso pela técnica e a inovação", a Audi lançou em 1982 a terceira geração do Audi 100, com uma carroceria aperfeiçoada na aerodinâmica, já prenunciando o direcionamento da montadora rumo à classe de veículos prêmio. Em decorrência de uma reestruturação do grupo Volkswagen, em 1985, a Audi NSU Auto Union AG foi rebatizada em Audi AG, com sede em Ingolstadt.

Com o Audi V8, lançado em 1988, a empresa posicionou-se de vez na classe prêmio. Este modelo reunia uma série de inovações, como a tração permanente nas quatros rodas, a tecnologia de quatro válvulas e o câmbio automático de quatro marchas. Seguiu-se uma nova geração de motores de seis cilindros, com a qual a empresa oferece desde 1991 uma interessante alternativa às tradicionais marcas de veículos da classe superior. Com os motores diesel de injeção direta de 4, 5, 6 e 8 cilindros, fabricados a partir da década de 90, a Audi prestou uma contribuição decisiva ao desenvolvimento de veículos a diesel mais econômicos e menos agressivos ao meio ambiente.

Dados atuais e Audi do Brasil

Audi A6, Internationaler Autosalon Genf 2004
Audi A6: novo modelo de sucesso da montadora de IngolstadtFoto: AP

Hoje a Audi tem fábricas na Alemanha (Ingolstadt e Neckarsulm), Hungria, Brasil, China, Malásia e Tailândia, com um total de 52 mil empregados. Enquanto outras empresas demitem, a montadora gerou 10 mil novos empregos nos últimos anos somente na Alemanha. Em 2003, entregou 770 mil veículos em todo o mundo, registrando um faturamento de 23,4 bilhões de dólares (oitavo ano recorde consecutivo) e um lucro de 816 milhões de euros.

Em 2004, deve bater novos recordes de produção e venda, como sinalizam os dados do primeiro trimestre (259 mil carros vendidos). O novo A6 já registra 20 mil encomendas. Nos próximos três anos, a montadora pretende lançar mais seis novos modelos. "A longo prazo, vamos aumentar as vendas anuais para mais de um milhão de carros", garante o presidente da Audi, Martin Winterkon.

No Brasil, a Audi está presente desde 1993, quando o tricampeão mundial de F1 Ayrton Senna começou a importar os carros da marca para o país. A Audi do Brasil iniciou suas atividades em 1996, passando a atuar no mercado latino-americano, onde vendeu 12 mil unidades em 2002. O modelo A3, produzido na fábrica Volkswagen/Audi de São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba), é exportado para a Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

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