Ativista desmente pedido de interferência alemã em Hong Kong | Notícias internacionais e análises | DW | 04.07.2020

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Ásia

Ativista desmente pedido de interferência alemã em Hong Kong

Joshua Wong, de 23 anos, é um dos protagonistas dos protestos pró-democracia iniciados há um ano na região semiautônoma. Ele nega sequer ter dado a entrevista a um tabloide alemão que poderia lhe custar a liberdade.

Joshua Wong, ativista pró-democracia de Hong Kong

Joshua Wong é um dos líderes dos protestos em Hong Kong, ao lado de Nathan Law

O ativista pró-democracia Joshua Wong, de Hong Kong, negou nesta sexta-feira (03/07) ter pedido uma interferência da Alemanha no território semiautônomo chinês. Na véspera, o tabloide alemão publicara uma entrevista com ele, contendo a citação: "Eu peço ao governo alemão: olhem o que está acontecendo em Hong Kong e denunciem a injustiça."

Nos termos da controversa lei de segurança nacional imposta por Pequim desde 1º de julho, tal declaração poderia resultar na prisão de Wong. No Twitter, o ativista de 23 anos desmentiu que tivesse falado recentemente ao Bild.

"Disseram que eu apelei ao governo alemão, numa entrevista à mídia. No entanto o conteúdo dessa notícia é inexato, pois eu não dei nenhuma entrevista ao Bild Zeitung na semana passada", afirmou, ressaltando: "Valorizo cada ativista que esteja disposto a arriscar sua segurança pessoal para se pronunciar por HK. Acho que jornalismo exato é uma das chaves para defender as liberdades em HK."

O site em inglês da DW esteve entre os veículos de imprensa que publicaram artigos baseados na suposta entrevista. A matéria foi retirada da rede. Consultado pela DW, o Bild declinou de comentar o episódio.

Numa outra entrevista ao jornal, publicada em 22 de maio, Wong dissera: "Eu apelo ao governo alemão e à chanceler [federal Angela] Merkel para se colocar do lado de Hong Kong."

O grupo pró-democracia Demosisto, criado e liderado por ele, se desfez em 30 de junho, por temores de que, com a entrada em vigor da lei de segurança, Wong se tornasse um "alvo preferencial". Outro destacado pró-democrata, Nathan Law, escapou de Hong Kong no dia seguinte. Ambos vinham sendo protagonistas dos protestos iniciados um ano atrás.

Nos termos da legislação imposta pela China, opositores de Pequim estão sujeitos a multas e prisão. Segundo críticos, ela infringe os direitos dos residentes na região administrada pelo Reino Unido até 1997. Centenas de cidadãos foram presos no início da semana por participar de protestos basicamente pacíficos.

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