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PolíticaOriente Médio

Ataques com armas químicas na Síria

Nina Raddy
2 de dezembro de 2020

[Vídeo] "Como formigas sendo mortas com inseticida": testemunhas descrevem ataque com armas químicas na Síria em relatório ao qual DW e Der Spiegel tiveram acesso exclusivo. Mais de mil pessoas morreram no ataque.

https://www.dw.com/pt-br/ataques-com-armas-qu%C3%ADmicas-na-s%C3%ADria/video-55793758

Em 21 de agosto de 2013, ao menos quatro mísseis com ogivas de gás sarin caíram sobre áreas mantidas por rebeldes na região de Ghouta Oriental, na Síria. Mais de mil pessoas foram mortas, entre elas, muitas crianças.

Até hoje, o regime de Assad nega a responsabilidade por esse crime de guerra. Eman e Mohammed estavam lá nesse dia. Eles perderam seu filho mais velho. Atualmente, são testemunhas de uma queixa-crime na Alemanha, encaminhada por grupos de direitos humanos que investigam o ataque.

O casal não quer se identificar, pois teme pela segurança de sua família. “Tenho medo pela minha mãe e irmãs, que ainda moram na Síria. Porque o regime é cruel e injusto, não tem misericórdia. Se tivessem consciência, eles não teriam feito essas coisas”, explica Eman.

A queixa foi apresentada por três ONGs de direitos humanos. Hadi al-Khatib, do “Arquivo Sírio”, é um dos ativistas. Eles estão convencidos de que o regime sírio está por trás do ataque em Ghouta. Por anos, têm coletado informações sobre instalações secretas de armas químicas, locais suspeitos de lançamento, e mísseis usados no ataque.

Nos arquivos revelados à DW, 50 desertores ofereceram informações sobre instalações secretas de armas químicas. Eles também apontaram os suspeitos dos crimes,
incluindo Bashar al-Assad, e seu irmão mais novo, Maher.

A queixa-crime foi apresentada em outubro à Procuradoria Federal da Alemanha, em Karlsruhe, onde uma unidade de crimes de guerra investiga, há anos, atrocidades na Síria. Promotores dizem que investigarão as evidências de forma independente. A decisão de abrir um processo contra indivíduos suspeitos pode levar meses, ou até anos.