Assim Taiwan conseguiu conter o surto de coronavírus | Notícias internacionais e análises | DW | 13.03.2020
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Ásia

Assim Taiwan conseguiu conter o surto de coronavírus

Mesmo ficando ao lado da China, ilha tem menos de 50 casos de covid-19. Especialistas dizem que ação rápida e efetiva do governo e cooperação da população ajudaram a conter novo coronavírus.

China Shanghai | Menschen mit Gesichtsmasken überqueren Straße (Reuters/A. Song)

Experiência com Sars em 2002-03 ajudou Taiwan a desenvolver plano de prevenção de crise

Dois meses e meio após um agressivo novo coronavírus se espalhar por todo o mundo a partir da cidade chinesa de Wuhan, mais de 100 mil pessoas em dezenas de países ao redor do planeta já foram infectadas.

Mas a epidemia praticamente passou ao largo de Taiwan, apesar da proximidade da ilha com o epicentro do vírus.

Quando o surto começou, em janeiro, alguns especialistas previram que Taiwan, com 23,7 milhões de habitantes e a apenas 130 km do litoral chinês, logo teria o maior número de casos fora da China continental. Muitos taiwaneses têm parentes ou trabalham na China e viajam com frequência para lá.

No entanto, enquanto a China continental já registrou mais de 80 mil casos de covid-19 até o momento, Taiwan manteve seu número de casos confirmados abaixo de meros 50. Alguns especialistas internacionais em saúde atribuem isso à rápida preparação e intervenção precoce do governo insular.

O especialista em política de saúde pública Jason Wang, da Universidade Stanford, nos EUA, disse que, desde o início, Taiwan reconheceu a potencial dimensão da crise e foi capaz de se antecipar.

"Após a epidemia de Sars em 2002 e 2003, Taiwan instalou o Centro de Comando de Saúde Nacional (NHCC). Isso foi um preparativo para a próxima crise", disse Wang, acrescentando que o NHCC reúne dados, facilitando a cooperação entre especialistas.

Ação precoce

O governo de Taiwan introduziu uma proibição de entrada para visitantes de China, Hong Kong e Macau logo após o aumento do número de casos de covid-19 na China continental.

Além disso, o governo proibiu a exportação de máscaras de proteção em janeiro, garantindo um estoque em Taiwan. Em fevereiro, implementou um sistema de racionamento de duas máscaras por semana por pessoa. Governo e setor privado trabalharam juntos para criar 60 linhas de produção de máscaras para atender à demanda.

Segundo Wang, novas leis de saúde pública deram poder adicional ao governo taiwanês para alocar recursos.

"O governo taiwanês cruzou dados do sistema de seguridade nacional de saúde com dados de imigração e alfândega", explica Wang. "Isso permitiu que o pessoal médico da linha de frente identificasse os possíveis pacientes após examinar seus históricos de viagens", apontou Wang.

O governo do país insular também criou um software que permitiu às pessoas relatarem históricos de viagens e sintomas de doenças, escaneando um código QR ao chegarem a Taiwan. Os viajantes recebem uma mensagem de texto com seu status de saúde, o que possibilita aos funcionários da alfândega ignorar os passageiros de baixo risco e concentrar-se naqueles com alto risco de infecção.

"O governo de Taiwan conseguiu fazer muitas coisas com as novas tecnologias, e essas práticas permitem triar as pessoas adequadamente e depois oferecer os devidos cuidados", disse o especialista da Universidade de Stanford.

A disposição da população em seguir as regulamentações governamentais também ajudou as autoridades taiwanesas a responder ao surto de coronavírus.

"A maioria dos taiwaneses vivenciou dificuldades e interrupções durante a epidemia de Sars, então isso ainda está fresco na memória e ajuda a promover um senso de comunidade", afirma o professor de saúde pública Chunhuei Chi, da Universidade do Óregon, nos EUA. "Todos sabem que estão no mesmo barco, e isso os torna dispostos a cumprir as medidas estabelecidas pelo governo."

Pesquisa médica

Chi acrescenta que Taiwan investiu em sua expertise de pesquisa biomédica nas últimas décadas, e as equipes de pesquisadores estão trabalhando para produzir em larga escala um teste de diagnóstico rápido para o coronavírus.

No domingo passado, uma equipe de pesquisadores da Academia Sinica de Taiwan desenvolveu anticorpos que podem identificar a proteína do Sars-Cov-2 em 19 dias, oque abre caminho para a produção de um novo teste rápido, que pode reduzir para 15 minutos o prazo de diagnóstico de covid-19.

E embora Pequim continue impedindo Taipé de entrar na Organização Mundial da Saúde (OMS), o especialista em saúde pública Wang diz que o país insular continua compartilhando com outros Estados sua experiência no combate ao surto de coronavírus.

"Taiwan tem compartilhado suas estratégias de prevenção de epidemias com outras nações por meio de teleconferências, ajudando países que não possuem capacidades médicas avançadas a avaliar amostras tiradas de pacientes", diz Wang. "Em outras palavras, o governo de Taiwan tem usado ativamente a área de saúde pública para cooperar com outros países."

Quanto à questão sobre se Taiwan vai poder se tornar membro da OMS por seu sucesso em conter a disseminação do coronavírus, Wang acha que esse é um tema a ser considerado sobretudo pela própria OMS, e não tanto por Taiwan.

"A OMS deve saber que a inclusão é a chave para combater uma pandemia global e, se estiver ignorando certas áreas do mundo, então isso não é uma coisa boa", comenta Wang.

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