Apagão na Venezuela entra no quarto dia | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 11.03.2019
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América Latina

Apagão na Venezuela entra no quarto dia

Maioria dos estados venezuelanos segue sem energia elétrica, e Maduro acusa EUA de "ataque cibernético". Guaidó classifica situação de "tragédia sem precedentes", enquanto ONG contabiliza 21 mortes em hospitais.

Diversos prédios sem eletricidade em Caracas

A capital Caracas também foi afetada pelo blecaute histórico na Venezuela

A Venezuela entrou nesta segunda-feira (11/03) em seu quarto dia de apagão. A falta de eletricidade em grande parte do país resultou em mortes em hospitais e se transformou em mais um fator da disputa política entre Nicolás Maduro e o líder da oposição e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

O governo de Maduro estendeu a suspensão das aulas e da jornada de trabalho para esta segunda-feira. No domingo, filas para postos de combustível se estendiam por quarteirões, e água começou a faltar. Lojas foram saqueadas, e alimentos começaram a estragar devido à falta de refrigeração.

Os hospitais com geradores de energia fazem uso destes equipamentos somente para emergências. Guaidó, chefe da Assembleia Nacional e reconhecido como presidente interino venezuelano por cerca de 50 países, classificou a situação de uma "tragédia sem precedentes" e acrescentou que cerca de 15 mil pacientes que necessitam de diálises estão em risco.

Até as 21h de domingo (hora local), ao menos 21 pacientes, entre eles seis bebês, morreram por consequência do apagão, segundo a organização Médicos por la Salud, que há cinco anos monitora os 40 hospitais mais importantes do país. O balanço foi divulgado pelo médico Julio Castro, porta-voz da ONG, no Twitter.

O maior número de vítimas foi registrado no Hospital Manuel Núñez Tovar, na cidade de Maturín, no leste do país, onde 15 pessoas morreram devido a falhas no fornecimento de energia. Em Caracas, quatro recém-nascidos morreram em diferentes hospitais, sendo que um deles estava em condição de desnutrição severa.

"Não são simples números, são vidas de venezuelanos que, se não fosse a incapacidade de Nicolás Maduro, não teriam sido perdidas", escreveu no Twitter o médico e deputado opositor Jose Manuel Olivares, ao compartilhar o balanço da Médicos por la Salud.

Nas redes sociais, relatos têm indicado que o número de vítimas pode ser maior. A presidente do colegiado dos médicos do estado de Zulia, Daniela Parra, desmentiu a divulgação de meios de comunicação que relataram a morte de 296 pessoas – incluindo 80 neonatais – no hospital universitário de Maracaibo. Parra classificou o número de "absolutamente falso", desmentiu a morte de 80 bebês, mas não indiciou uma cifra exata de pessoas afetadas pelo blecaute.

O governo de Maduro contrariou as informações da oposição e de organizações não governamentais e negou no domingo a morte de pessoas nos hospitais devido ao apagão.

"Constatamos com surpresa que nas redes sociais se fala da quantidade de mortos. É absolutamente falso", afirmou o ministro da Saúde, Carlos Alvarado, que acrescentou que "estas informações tendenciosas pretendem inquietar a população".

Segundo o ministro, 90% dos geradores elétricos estão em funcionamento após uma suspensão de dois dias, permitindo assim assegurar a vida de centenas de doentes que se encontram em estado crítico. Quanto a números, Alvarado disse que 15 a 17 doentes foram transferidos para outras unidades de saúde, mas "sem consequências sérias". 

Guaidó pede estado de emergência

Em meio ao caos na Venezuela, Guaidó anunciou que solicitará aos deputados que decretem "estado de emergência". Além disso, uma sessão de emergência na Assembleia Nacional foi convocada para "avaliar o estado de alarme nacional e tomar as devidas ações".

Guaidó ainda criticou a falta de comunicação por parte do governo Maduro e anunciou a convocação de protestos. "Eles [o governo] não dão as caras ao povo da Venezuela, não oferecem informações precisas [sobre o apagão]", disse.

O líder da oposição afirmou ainda que "16 estados que estão absolutamente apagados e que há parcialmente luz em oito, mas que vai e vem, que flutua". Na quinta-feira, quando começou o apagão, 22 dos 23 estados venezuelanos e o Distrito Capital chegaram a ficar sem eletricidade.

Maduro acusa EUA de "ataque cibernético"

O apagão ocorreu após uma falha na usina hidrelétrica de Guri, no estado venezuelano de Bolívar responsável por 70% do fornecimento elétrico do país. A energia voltou brevemente em partes de Caracas e outras cidades na sexta-feira, mas caiu novamente no sábado.

Maduro afirmou que um "ataque cibernético" impediu o restabelecimento completo. O presidente garantiu que fornecerá às Nações Unidas, "dentro de poucos dias", provas de que os Estados Unidos estiveram envolvidos no apagão.

Os estados de Zulia, Trujillo, Mérida e Táchira serão os últimos a voltar ao fornecimento normal de energia elétrica, segundo comunicou Alexis Rodríguez, membro do comitê executivo da Federação de Trabalhadores da Indústria Elétrica da Venezuela. "Eles estão no fim da fila no sistema [da rede elétrica]", disse.

Rodríguez afirmou ser impossível que um ataque cibernético tenha causado o apagão. "Nosso equipamento é analógico e tem um controle remoto que não ultrapassa 20 ou 30 metros", explicou. Segundo ele, a crise elétrica é fruto de anos de falta de investimento e de manutenção.

"Neste caso, o que ocorreu foi fruto da falta de capina ao longo da linha de transmissão, o que é algo elementar", explicou e acrescentou que incêndios florestais afetaram três linhas de transmissão.  

Onze países-membros do Grupo de Lima, incluindo o Brasil, responsabilizaram o "regime ilegítimo" de Maduro pelo apagão na Venezuela. A posição foi expressa num comunicado publicado no portal do Itamaraty, e que foi assinado também pelos governos de Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Chile, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru.

PV/EK/efe/lusa/afp/rtr/ots

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