Após Guaidó anunciar apoio de militares, Caracas é palco de confrontos | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 30.04.2019
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América Latina

Após Guaidó anunciar apoio de militares, Caracas é palco de confrontos

Autoproclamado presidente interino da Venezuela diz ter apoio de "valentes soldados" para fim da "usurpação" do poder. Governo denuncia tentativa de golpe, e tropas pró-Maduro entram em confronto com manifestantes.

Manifestantes contrários ao governo enfrentam veículos militares em Caracas

Manifestantes contrários ao governo enfrentam veículos militares em Caracas

Em mensagem de vídeo acompanhado de vários militares dissidentes, o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou nesta terça-feira (30/04) que militares deram "finalmente e de vez o passo" para acompanhá-lo e conseguir "o fim definitivo da usurpação" do governo de Nicolás Maduro. Enquanto isso, o governo chavista disse estar "enfrentando e desativando" um plano de golpe de "militares traidores".

"Hoje, valentes soldados, valentes patriotas, valentes homens apegados à Constituição acudiram ao nosso chamado", disse Guaidó num vídeo de três minutos divulgado no Twitter, aparentemente gravado pouco antes do amanhecer na base militar La Carlota, no leste Caracas. "O momento é agora. A cessação definitiva da usurpação começou hoje."

"São muitos os militares. A família militar de uma vez [por todas] deu o passo. A todos aqueles que estão nos ouvindo: é o momento, o momento é agora, não só de calma, mas de coragem e sanidade para que chegue a sanidade à Venezuela. Deus os abençoe, seguimos adiante. Vamos recuperar a democracia e a liberdade na Venezuela", disse o líder da oposição.

"As Forças Armadas tomaram a decisão correta e podem contar com o apoio do povo da Venezuela, o apoio da nossa Constituição, a garantia de que estão do lado certo da história. Hoje, como presidente da Venezuela, como legítimo comandante em chefe das Forças Armadas, convoco todos os soldados, toda família militar, a nos acompanhar nesta façanha como sempre fizemos, no marco da Constituição, no marco da luta não violenta", afirmou Guaidó.

Na mensagem, Guaidó convocou às ruas todos os venezuelanos que se comprometeram nas últimas semanas a se manifestar para exigir a saída de Maduro.

"Povo da Venezuela, é necessário que todos saiamos às ruas, apoiemos a democracia e recuperemos nossa liberdade. Organizados e unidos, devemos nos deslocar às principais instalações militares. Povo de Caracas, todo mundo para La Carlota", convocou Guaidó.

Em entrevista exclusiva à DW, assegurou que os militares estão a favor da mudança de poder, "apesar de muita perseguição interna nas Forças Armadas, de agentes da inteligência cubana, inclusive". "Mas é evidente não somente que a maioria dos cidadãos e da comunidade internacional, mas também as Forças Armadas não mais respaldam Maduro."

O ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, comunicou que o governo de Maduro está "enfrentando e desativando uma tentativa de golpe de Estado".

Em Caracas, manifestante joga bomba de gás lacrimogêneo contra veículo militar

Em Caracas, manifestante joga bomba de gás lacrimogêneo contra veículo militar

"Informamos o povo da Venezuela que estamos neste momento enfrentando e desativando um pequeno grupo de militares traidores que se posicionaram no Distribuidor Altamira para promover um golpe de Estado e contra a Constituição e a paz da República", disse o ministro.

"A esta tentativa se juntou a extrema direita golpista e assassina, que anunciou sua agenda violenta há meses. Pedimos ao povo que permaneçam em alerta máximo para, junto com a gloriosa Força Armada Nacional Bolivariana [FANB], derrotar a tentativa de golpe e preservar a paz", prosseguiu Rodríguez.

O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, acusou os Estados Unidos e potências estrangeiras de promover uma guerra civil no país e afirmou estar orgulhoso do papel dos militares para restaurar a ordem.

"Essa nova tentativa de potências estrangeiras para promover uma guerra civil, abrir as portas a um intervencionismo e colocar um governo fantoche em nosso país fracassou", disse Moncada a jornalistas.

Tensão em Caracas

Manifestantes contrários ao governo Maduro entraram em confronto com militares leais ao presidente nas imediação da base aérea onde Guaidó anunciou sua operação contra o regime. Forças de segurança da Venezuela lançaram bombas de gás lacrimogêneo, e militares que respaldam Guaidó devolveram as bombas de gás lacrimogêneo. 

Assistir ao vídeo 01:32

Venezuela tem dia de confrontos nas ruas

Imagens das emissoras BBC e CNN mostraram um tanque militar atropelando a toda velocidade um grupo de manifestantes. Segundo médicos da Cruz Verde, uma organização de voluntários da Universidade Central da Venezuela (VCV), o atropelamento teria deixado vítimas, que foram levadas a hospitais da região. Ao menos 69 pessoas ficaram feridas, duas delas por armas de fogo, nos protestos contra Maduro, informaram serviços de saúde.

Guaidó se manteve perto da base aérea militar La Carlota, onde o governo Maduro dispõe de material bélico e cujas imediações foram tomadas por muitos membros das forças de segurança que bloquearam as vias públicas. Ao seu lado esteve o oposicionista venezuelano Leopoldo López, fundador e líder do partido Vontade Popular (VP), que foi libertado nesta terça-feira em Caracas, onde cumpria uma pena de quase 14 anos de prisão domiciliar.

No local também marcaram presença milhares de simpatizantes de Guaidó. Disparos foram ouvidos. Segundo a agência de notícias AFP, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, afirmou que um soldado leal ao governo Maduro foi ferido por uma bala no pescoço. 

Homem com tarje civil arremessa bomba de gás lacrimogêneo nos arredores da base militar de La Carlota, em Caracas

Homem com tarje civil arremessa bomba de gás lacrimogêneo nos arredores da base militar de La Carlota

Padrino afirmou que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) usará armas caso seja necessário para conter a revolta militar liderada por Guaidó. Padrino disse que os quartéis militares do país estão em funcionamento normal e que a FANB "permanece firmes em defesa da Constituição e de suas autoridades legítimas".

"Rechaçamos este movimento golpista que pretende afundar o país em violência. Os pseudolíderes políticos que se colocaram à frente deste movimento subversivo usaram soldados e policiais com armas na via pública da cidade para criar ansiedade e terror", disse Padrino.   

Em meio aos confrontos, 25 militares venezuelanos pediram asilo na embaixada do Brasil em Caracas. Os militares não seriam de alta patente. O pedido foi atendido pelo governo brasileiro, segundo confirmou o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros.

Segundo a ONG venezuelana de direitos humanos Provea, protestos contra Maduro foram registrados em 22 estados do país.

Libertação de Leopoldo López

Numa breve mensagem emitida do lado de fora da base da Força Aérea, López disse ter sido libertado por militares que apoiam Guaidó e acrescentou que "hoje, as pessoas estão muito cientes de que as coisas precisam mudar".

"O povo e as Forças Armadas vão conseguir o fim da usurpação, um governo de transição e eleições livres", encerrou López aos gritos de "Venezuela livre!".

López uniu-se a Guaidó

López uniu-se a Guaidó

O pai de López, que reside em Boston, nos EUA, confirmou por telefone que o oposicionista recebeu um "indulto presidencial" de Guaidó, reconhecido como chefe de Estado venezuelano por dezenas de países europeus e do continente americano, inclusive Brasil, Alemanha e Estados Unidos. "Hoje começa a Operação Liberdade em toda a Venezuela para acabar com a usurpação de Nicolás Maduro", acrescentou o pai do oposicionista.

O líder do Vontade Popular se entregou às autoridades venezuelanas em 18 de fevereiro de 2014, depois que um tribunal de Caracas ordenou a prisão por instigar a violência no papel de um dos organizadores de uma manifestação que havia sido realizada seis dias antes e terminou com três mortos e dezenas de feridos.        

Ele foi transferido para uma prisão militar acusado dos crimes de incitação à desordem pública, associação para cometer um crime, danos matérias e incêndio. López acabou condenado em setembro de 2015 a 13 anos, nove meses, sete dias e 12 horas de prisão. Desde meados de 2017, López cumpria a pena em prisão domiciliar.

Depois de apoiar Guaidó publicamente, Lopéz se refugiou com sua família na Embaixada do Chile. A informação foi confirmada pelo ministro chileno do Exterior, Roberto Ampuero, que disse que o opositor e seus familiares entraram no prédio na qualidade de "hóspedes".

PV/CN/efe/afp/rtr/ap/ots

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