Analistas pedem corte maior das dívidas e reformas nos países endividados | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 14.11.2011
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Economia

Analistas pedem corte maior das dívidas e reformas nos países endividados

Um corte ainda maior na dívida, mais transparência, novas reformas, contenção de gastos: economistas dizem o que a zona do euro deveria fazer para enfrentar o problema do endividamento na Itália, na Grécia e em Portugal.

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Os juros de títulos públicos da Itália superaram na semana passada os 7% anuais. Quando chegaram a esse ponto, Grécia, Portugal e Irlanda não tiveram outra escolha a não ser apelar para o fundo de resgate do euro. Mas a maioria dos especialistas afirma que o fundo não comporta um socorro à terceira maior economia da zona do euro – a falência da Itália significaria o fim da união monetária.

As mudanças de governo em Atenas e Roma podem afastar esse cenário de pesadelo por algum tempo, mas não resolvem o problema. O endividamento de alguns de seus membros ainda paira como uma espada de Dâmocles sobre a zona do euro.

Na Grécia há uma corrida para sacar dinheiro dos bancos porque muitas pessoas têm medo da volta da dracma. Os bancos gregos estão com a água pelo pescoço. Qual seria a solução imediata para salvar a zona do euro?

Maior corte das dívidas

"Primeiro deveria haver um corte mais corajoso na dívida da Grécia e também na de Portugal", afirma o economista e conselheiro do governo alemão Clemens Fuest. "Tudo o que foi discutido anteriormente é insuficiente. O corte deveria ser maior. Talvez 70% ou mais", diz Fuest em entrevista à Deutsche Welle.

Isso iria piorar ainda mais a situação dos bancos locais. Mas esses, argumenta o especialista, vão ter que ser auxiliados pela zona do euro de qualquer forma. Com menos dívidas e mais reformas, ambos os países podem ter um recomeço bem-sucedido.

No caso da Itália, trata-se principalmente de uma questão de confiança, opina Fuest, que também é professor de economia da Universidade de Oxford. "Se você olhar para o planejamento financeiro da Itália, vai ver que é esperado um orçamento equilibrado a partir de 2013. Isso é melhor até que na Alemanha." O problema é que os mercados financeiros parecem não acreditar nesses números.

Mais transparência

Mario Monti / Italien

Novo premiê italiano, o economista Mario Monti

Fuest sugere que o próximo passo seja assegurar uma maior transparência. "É importante mostrar que não há nada que tenha sido varrido para debaixo do tapete, que as finanças públicas realmente são como estão sendo apresentadas no momento", afirma.

Ele propõe a criação de uma autoridade independente de controle orçamentário. Isso poderia ser feito de imediato e iria convencer mais os investidores do que um pacote de austeridade costurado às pressas. Mas não há, na visão dele, uma alternativa à redução dos gastos estatais.

"O importante é que a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto seja reduzida", afirma o economista Alfons Weichenrieder, da Universidade Goethe, de Frankfurt. "E isso pode ser alcançado equilibrando-se o orçamento, não fazendo novas dívidas e tendo, ao mesmo tempo, um crescimento nominal", sustenta Weichenrieder.

Reformas estruturais

Como o crescimento da Itália está abaixo da média da zona do euro, o país não poderá ser poupado de novas e dolorosas reformas do mercado de trabalho. No entanto, ainda vai levar anos para que elas tragam frutos. Há também o risco de que os compromissos assumidos pelo novo governo liderado por Mario Monti não sejam respeitados pelo próximo. Os países endividados e toda a zona do euro têm diante de si um caminho de muitos obstáculos e incertezas.

Por isso cada vez mais economistas defendem que o Banco Central Europeu (BCE) possa comprar títulos de dívida estatais em quantidade ilimitada. Weichenrieder, entretanto, é contra essa teoria. "Isso seria como dar carta branca aos italianos para que continuem fazendo o que vêm fazendo", avalia. "Enviar o sinal de que o BCE poderá comprar diretamente títulos do governo italiano no mercado primário seria fatal."

Não imprimir dinheiro pelo BCE

O BCE já comprou títulos da dívida no valor de cerca de 190 bilhões de euros, incluindo principalmente gregos e italianos, a fim de manter as taxas de juros num nível suportável. Se a autoridade monetária anunciar que não deixará os juros dos títulos italianos subirem acima dos 5% ou 6%, os mercados financeiros se tranquilizarão de imediato, mas a Itália e outros países comprometidos não sentiriam mais a pressão por reformas, alerta Fuest.

"Diante desse dilema está o BCE e também os Estados-membros que ajudam, como a Alemanha." E como esse dilema não é fácil de ser resolvido, a solução acabará sendo fornecer a ajuda necessária, mas sem assinar cheques em branco.

Autor: Zhang Danhong (md)
Revisão: Alexandre Schossler

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