Amsterdam Arena vai instalar assentos feitos de plástico verde brasileiro | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 19.01.2012
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Ciência e Saúde

Amsterdam Arena vai instalar assentos feitos de plástico verde brasileiro

Estádio da capital holandesa passa por reforma para se tornar neutro em emissões de gases estufa. Invenção brasileira vai ajudar na meta de ser "o mais sustentável do mundo".

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Amsterdam Arena tem 52 mil assentos

A ambição de transformar um estádio de futebol no mais sustentável do mundo não vem do Brasil, sede da próxima Copa do Mundo. Mas tem participação brasileira: a inventora do plástico verde, Braskem, vai fornecer assentos feitos com esse material para a empresa holandesa Amsterdam Arena, responsável pelo estádio de mesmo nome.

Inicialmente serão dois mil exemplares de sugar seat, ou assento de açúcar, como foi batizado. A iniciativa holandesa prevê que, nos próximos anos, os demais 52 mil assentos sejam substituídos pela tecnologia brasileira.

Enquanto isso, nos estádios brasileiros, a movimentação pró-sustentabilidade é mais lenta. "Já há conversas iniciadas com construtores e gestores das arenas. Seria emblemático ter a cana-de-açúcar brasileira no assento da Copa do Mundo do Brasil", disse Frank Alcântara, da Braskem, à DW Brasil.

Ambição holandesa

O estádio da capital holandesa foi inaugurado em 1996 e passa por uma remodelação. "Toda a reforma é norteada por diretrizes de sustentabilidade", afirma a Amsterdam Arena. A meta é fazer do local, até 2015, um estádio neutro em emissões de gases estufa. O primeiro do mundo está na Alemanha: a casa do time de Augsburg, na Baviera, é abastecida com energia renovável e utiliza sistemas de aquecimento e resfriamento neutros em emissões de CO2.

Em Amsterdã, a lista de soluções a serem adotadas inclui o uso de energia solar, a gestão de resíduos e a reutilização de água da chuva. O plástico especial é considerado um grande aliado: estudos da fabricante indicam que, para cada tonelada de polietileno verde produzido, são capturados e fixados até 2,5 toneladas de CO2 da atmosfera.

Na busca por parceiros que pudessem ajudar nessa missão a favor do meio ambiente, os holandeses chegaram à Braskem. Depois de certificar o plástico verde em 2007, a empresa inaugurou a primeira unidade de produção do material em 2010, no Rio Grande do Sul. Em vez da fonte fóssil, a invenção brasileira usa a cana-de-açúcar como matéria-prima.

"Durante o brainstorm eles nos perguntaram se dava para fazer assentos com o plástico verde. Dissemos que iríamos estudar. Demorou um pouco, mas chegamos a uma solução", relembra Alcântara.

Matéria-prima em abundância

Apesar de o plástico verde usar uma matéria-prima renovável, o material tem o mesmo tempo de decomposição da versão comum – de 100 a 500 anos.

Fonte primária do açúcar e do etanol, a cana-de-açúcar também é a base do polietileno verde. A Braskem não vê problemas de escassez de matéria-prima. "Se comparármos a quantidade de terra agricultável que o Brasil tem e a produtividade da cana-de-açúcar brasileira, não dá nem pra pensar em crise de abastecimento. Não há competição", diz Alcântara.

A empresa brasileira, que já fornece o material para marcas como Tetra Pak, Coca-Cola e Johnson & Johnson, planeja abrir outras duas plantas de produção de plástico verde no Brasil. "E posso dizer que, se os estádios brasileiros adotarem a sugar seat, só um fornecedor não daria conta", arrisca Alcântara.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Alexandre Schossler

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