Amazônia, Irã e guerra comercial dominaram o G7 | Notícias internacionais e análises | DW | 26.08.2019
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Mundo

Amazônia, Irã e guerra comercial dominaram o G7

Cúpula em Biarritz chega ao fim marcada por atritos entre França e Brasil, visita surpresa de ministro iraniano e novos capítulos na queda de braço entre China e EUA. Trump diz que pode convidar Putin para o G7 em 2020.

Líderes do G7 em Biarritz

Líderes do G7 em Biarritz: declaração final deixou de fora temas como mudanças climáticas e a Amazônia

Chegou ao fim nesta segunda-feira (26/08), em Biarritz, no sudoeste da França, a reunião de cúpula do G7, grupo que reúne Estados Unidos, Alemanha, Japão, França, Canadá, Itália e Reino Unido.

Os três dias de reuniões foram dominados pela crise envolvendo o programa nuclear iraniano, os protestos em Hong Kong, o Brexit, a guerra comercial entre os americanos e chineses, o conflito no leste da Ucrânia e o aumento das queimadas e do desmatamento na Amazônia brasileira – cuja abordagem pelo G7 provocou reclamações e insultos por parte do governo de Jair Bolsonaro. 

Ao final do encontro, o governo francês, que organizou a cúpula, divulgou um documento em nome de todos os participantes. O texto deixou de fora alguns temas mais espinhosos do encontro, como as mudanças climáticas e as discussões sobre a Amazônia. Em vez disso, focou em questões como comércio internacional, o Irã, Hong Kong, a Ucrânia e a Líbia.

No documento, os participantes afirmam que estão comprometidos a alcançar dois objetivos em relação ao Irã: assegurar que o país nunca produza ou adquira armas nucleares, e promover a paz e a estabilidade na região.

O texto ainda diz que a França e a Alemanha vão ficar responsáveis por organizar um encontro nas próximas semanas para "alcançar resultados concretos" na questão do conflito separatista no leste da Ucrânia.

Os participantes também reafirmaram seu apoio à manutenção do status especial de autonomia de Hong Kong em relação à China e pediram para que a violência seja evitada no território, que há três meses é palco de intensos protestos contra o regime de Pequim. No caso da Líbia, os representantes do G7 pediram que seja negociada uma trégua no país que enfrenta uma guerra civil.

Em suas falas à imprensa no último dia, o presidente francês, Emmanuel Macron, saudou os resultados. "Nós conseguimos encontrar pontos reais de convergência", disse.

Amazônia

O início do encontro, na sexta-feira, foi dominado pela preocupação de vários membros do G7, especialmente a França, com as queimadas na Amazônia brasileira, um tema que vem dominando o noticiário internacional há quase uma semana.

O governo de Jair Bolsonaro se irritou com a repercussão e a iniciativa dos membros do G7 de discutir a situação da floresta. A irritação logo se traduziu em uma série de insultos contra Macron e acusações de que o Grupo dos Sete estava se comportando de forma colonialista.

Assistir ao vídeo 01:29

Merkel e Macron sobre Amazônia: "Questão global"

Na sexta-feira, Macron chegou a afirmar que Bolsonaro mentiu para ele em uma conversa em junho, durante o encontro do G20. Na ocasião, segundo o francês, Bolsonaro afirmou que estava comprometido com a preservação do meio ambiente, que foi uma das condições impostas pela União Europeia para garantir o acordo comercial com o Mercosul.

Ao longo da cúpula, membros do governo brasileiro e da família do presidente usaram as redes sociais para chamar Macron de "idiota", "cretino", "calhorda" e "Mícron". O próprio Bolsonaro endossou no Facebook uma piada sexista sobre a aparência da mulher de Macron, Brigitte. Nesta segunda-feira, o líder francês respondeu ao insulto e disse esperar que os brasileiros "tenham logo um presidente que esteja à altura" do cargo.

No entanto, apesar dos atritos iniciais, o tema da Amazônia logo perdeu força ao longo do G7, e os membros do grupo não apoiaram a política de enfrentamento de Macron. A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, por exemplo, não endossou os planos de Paris de engavetar o acordo Mercosul-UE por causa das iniciativas antiambientais de Bolsonaro.

Em um vídeo vazado durante a reunião, ela disse que entraria em contato com Bolsonaro para que não ficasse a impressão de que o G7 estava "trabalhando contra ele". O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, também afirmou que não apoiaria rasgar o acordo com o Mercosul.

Ao final, os líderes do G7 acertaram o envio de um pacotede mais de 80 milhões de reais para ajudar a conter as queimadas na Amazônia. No entanto, Bolsonaro mais uma vez reagiu com desdém. "Quem é que está de olho na Amazônia? O que eles querem lá?", indagou o presidente, questionando as intenções por trás da ajuda internacional.

Irã

O encontro foi marcado por uma surpresa: a visita inesperada do ministro do Exterior iraniano, Mohammad Javaf Zarif, que voou a Biarritz para discutir o acordo nuclear que seu país fechou em 2015 com EUA, França, Reino Unido, China e Alemanha, e que foi abandonado pelos americanos. Há meses os países europeus signatários vêm tentando encontrar uma solução para salvar o acordo.

Trump declarou ter aprovado a visita surpresa do chefe da diplomacia iraniana, à margem da cúpula, mesmo sem querer encontrá-lo. A iniciativa de convidar Zarif partiu do presidente francês. "Eu disse a ele [Macron]: se é isso o que você quer, faça! Estava ciente de tudo o que ele estava fazendo e aprovei", disse o presidente americano.

A presença surpresa parece ter aliviado um pouco a tensão sobre a questão nuclear iraniana. Ao final do encontro, Trump disse que pode encontrar o presidente iraniano, Hassan Rohani, se as "circunstâncias forem propícias".

Merkel elogiou os esforços de líderes do G7 para encontrar uma solução diplomática em relação ao programa nuclear iraniano. "O que nos une – e isso é um grande passo à frente – é que não apenas não desejamos que o Irã tenha armas nucleares, mas também [queremos] encontrar uma solução para isso por meios políticos", disse ela.

Guerra comercial

Ao final do encontro, Trump indicou que pode ocorrer uma diminuição na escalada de tensões na guerra comercial entre a China e os EUA. O americano declarou que as delegações dos dois países retomarão "muito em breve" as negociações.

"A China entrou em contato com nossos responsáveis comerciais e pediu para voltar à mesa de negociações... É um acontecimento muito positivo para todo o mundo", disse Trump nesta segunda-feira.

Foi um contraste em relação à abertura do encontro, marcada pela imposição por parte dos Estados Unidos de uma nova leva de tarifas sobre produtos chineses e pelo pedido de Trump de que empresas americanas deixem o país asiático.

Rússia

Nesta segunda-feira, Trump afirmou que está inclinado a convidar a Rússia para a cúpula do G7 no próximo ano, que será realizada nos Estados Unidos, fazendo com que o grupo volte a se chamar G8, como era antes de 2014 – até a suspensão dos russos por causa da anexação da Crimeia ucraniana.

Segundo o americano, é melhor ter a Rússia integrada ao grupo do que fora. Mas a ideia não é bem vista por outros membros do G7.

Macron, que se reuniu com Putin uma semana antes da cúpula, disse que não houve avanços sobre o retorno da Rússia ao grupo. "Enquanto a situação na Ucrânia não for solucionada, não é o momento de oficializar o retorno. Mas todos constatamos que é importante falar com a Rússia", disse o francês.

JPS/efe/rtr/ots/lusa

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