Aliados de Merkel falam em default e saída da Grécia da zona do euro | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 12.09.2011
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Mundo

Aliados de Merkel falam em default e saída da Grécia da zona do euro

Líderes do FDP e da CSU, que compõem a coalizão de governo alemão, defendem pela primeira vez a insolvência da Grécia e que o país deixe a zona do euro. Merkel rejeita especulações.

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Rösler e Merkel: caminhos opostos

Líderes dos partidos que compõem a base do governo da chanceler federal alemã, Angela Merkel, passaram a falar abertamente nos últimos dias sobre uma possível insolvência da Grécia e até mesmo que o país deixe a zona do euro.

O primeiro a abordar o tema foi o vice-chanceler Philipp Rösler, que é também ministro da Economia e preside o Partido Liberal Democrático (FDP). "Para estabilizar o euro não deve mais haver tabus", afirmou, acrescentando que isso incluiria também uma "insolvência ordenada" da Grécia.

Para Rösler, a União Europeia (UE) poderia ainda impor sanções aos países que não conseguirem sanar suas dívidas, como por exemplo retirar o direito de voto dentro do bloco.

O secretário-geral do FDP, Christian Lindner, foi além e disse que não se pode mais descartar a hipótese de que a Grécia deixe a zona do euro. Para ele, é preciso pensar numa saída caso os gregos não consigam cumprir suas metas. "Uma das soluções poderia ser a Grécia entrar numa 'insolvência ordenada', a fim de que o país possa reestruturar sua dívida", afirmou.

Também o presidente da União Social Cristã (CSU), Horst Seehofer, disse que a exclusão da Grécia da zona do euro não deve ser mais um tabu. "Se os gregos, apesar de todos os esforços, não tiverem sucesso, então também essa possibilidade não deve ser excluída", afirmou à emissora ZDF.

"A CSU é um partido da estabilidade monetária", continuou. "Isso exclui que nós, como República Federal da Alemanha, assumamos de forma permanente dívidas de outros países."

Merkel quer Grécia na zona do euro

Nesta segunda-feira (12/09), Merkel recebe o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, para debater a situação financeira no bloco e o tema deve ser tratado nas conversas.

A chanceler defende a permanência da Grécia na zona do euro, argumentando que uma eventual expulsão poderia resultar num "efeito dominó" e trazer consequências ainda mais drásticas.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do governo disse que a legislação europeia não permitem que um país deixe a zona do euro e muito menos que seja expulso dela. Segundo ele, o objetivo do governo é estabilizar a zona do euro como um todo.

O líder do partido de Merkel, a União Democrata Cristã (CDU), no Parlamento alemão, Peter Altmaier, disse que é preciso forçar a Grécia a preencher as condições necessárias impostas pela União Europeia, pelo Banco Central Europeu e pelo Fundo Monetário Internacional para receber o próximo pacote de ajuda. "Qualquer outra especulação é contra-produtiva e perigosa", afirmou Altmaier, em tom de crítica às declarações de Rösler.

Alemães contra mais ajuda à Grécia

Ao defender o apoio da UE à economia grega, ainda que sob condições de que os gregos cumpram com o "dever de casa", Merkel assume alguns riscos políticos. A medida poderia colocar a chanceler em dificuldades com a população: segundo pesquisa de opinião realizada esta semana, 76% dos alemães são contrários à manutenção de ajuda à endividada Grécia.

Merkel também precisa convencer os rebeldes de sua coalizão a votar favoravelmente à criação de novos poderes ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), no próximo dia 29. De outra maneira, sua autoridade pode ser seriamente afetada.

Medidas de austeridade

Neste domingo (11/09), o ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, anunciou novas medidas de austeridade, que deverão economizar para os cofres do país algo em torno de 2 bilhões de euros. A medida, que consiste basicamente na implantação de um imposto especial sobre propriedade imobiliária, visa exatamente cumprir as metas exigidas pela UE para assegurar a ajuda econômica ao país.

Venizelos apelou para um "novo esforço nacional" face à "nefasta atmosfera" para a Grécia no exterior – ou seja, as discussões a respeito da declaração de insolvência do país ou mesmo a expulsão da zona do euro. O ministro disse ainda que economia do país deve recuar 5,3% este ano, mais do que o anteriormente previsto.

O anúncio de novos esforços por parte da Grécia foi bem recebido pela União Europeia.

MS/rts/afp/dpa/lusa
Revisão: Alexandre Schossler

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