Alexei Navalny foi envenenado, diz governo alemão | Notícias internacionais e análises | DW | 02.09.2020

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Mundo

Alexei Navalny foi envenenado, diz governo alemão

Segundo Berlim, análise laboratorial comprova "de modo inequívoco" intoxicação do líder oposicionista russo por substância do grupo novichok. Mesmo tipo de veneno foi usado em tentativa de assassinato de ex-espião.

Oposicionista russo Alexei Navalny

Oposicionista russo Alexei Navalny está em coma em hospital berlinense

O político de oposição russo Alexei Navalny foi envenenado com um agente químico neurotóxico, anunciou nesta quarta-feira (02/09) o porta-voz do governo alemão Steffen Seibert.

Uma substância do grupo de agentes neurotóxicos Novichok foi comprovada "de modo inequívoco" por um laboratório especial, a pedido do Hospital Universitário Charité de Berlim, onde Navalny está sendo tratado.

O governo alemão falou de um ataque que condenou "da forma mais veemente possível" e ressaltou que o Kremlin é agora "solicitado a comentar o assunto com urgência".

Segundo Seibert, a Alemanha vai discutir uma "reação conjunta apropriada" com seus parceiros na União Europeia (UE) e na Otan. Ele adiantou também que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, consultou vários ministros e o chefe da Chancelaria, Helge Braun, para coordenar as próximas medidas a serem adotadas.

Através de comunicado, Seibert informou que os exames foram realizados num laboratório militar alemão especializado em farmacologia e toxicologia e que os testes mostraram a presença de "um agente químico neurotóxico do grupo novichok".

Este grupo de agentes nervosos está associado à tentativa de assassinato de Serguei Skripal, um ex-espião russo, e da sua filha Yulia que foram envenenados em 2018 no Reino Unido. A substância foi desenvolvida pelos militares soviéticos entre os anos 1970 e 1980.

Navalny, que está em coma induzido, mas em estado considerado estável, no Hospital Universitário Charité, chegou para tratamento em Berlim no último dia 22, após uma disputa entre seus apoiadores e autoridades russas que, inicialmente, não permitiram que ele viajasse ao país europeu para receber tratamento. Dois dias depois a chegada dele, o Charité informou que exames apontaram sinais de envenenamento em seu organismo.

Os médicos não puderam confirmar especificamente qual era a substância, mas afirmaram na ocasião que novos exames seriam realizados, e que os efeitos da substância tóxica no corpo de Navalny foram comprovados várias vezes por laboratórios independentes. O ativista anticorrupção havia sido transferido da Rússia para a capital alemã a pedido de sua família. 

Um dos maiores críticos do governo do presidente Vladimir Putin, chegou à Alemanha após passar dias internado em uma unidade de terapia intensiva de um hospital em Omsk, na Sibéria, para onde fora levado após se sentir mal durante um voo entre a cidade siberiana de Tomsk e Moscou. A aeronave precisou fazer um pouso de emergência, e o ativista foi levado ao hospital.

Inicialmente, os médicos russos haviam vetado o traslado do ativista, alegando que seu estado crítico de saúde não permitia a remoção. Apoiadores de Navalny denunciaram a recusa como uma tentativa do governo russo de protelar a transferência até que indícios de envenenamento não pudessem mais ser rastreados em seu corpo.

No início de setembro, Merkel foi explícita ao advertir Moscou de que o envenenamento de Navalny teria uma "reação adequada" da União Europeia e da Otan.

MD/lusa/dpa/afp