Alemanha lê cada vez menos, mas nem tudo está perdido | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 10.01.2009
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Alemanha

Alemanha lê cada vez menos, mas nem tudo está perdido

Estudo realizado em Mainz não teve apenas más notícias. Positivo é o interesse dos estrangeiros pela leitura. E o livro impresso continua tendo futuro, lado a lado com os sucedâneos eletrônicos.

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Mal sabem para que serve um livro

"Ler muito tempo me cansa demais", justificam os alemães que não leem livro algum. E seu número é alarmante, como constatou a Fundação Lesen ("ler" em alemão), de Mainz, em suas pesquisas mais recentes. Ela partiu das seguintes questões: o que lê a população, como lê, por que e por quanto tempo?

Ler na Alemanha 2008 , o terceiro estudo da série sobre o comportamento de leitura, revela uma mudança nos hábitos da nação. Com tendências positivas e negativas.

O drama das bibliotecas públicas

Kinder lesen im Welttags-Kinderbuch

Ambiente familiar influencia

Primeiro, a má notícia: o prazer de ler escasseia no país. Enquanto em 2000 um terço da população adulta e adolescente da Alemanha ainda lia entre 12 e 50 livros por ano, em 2008 apenas um quarto cumpre o mesmo volume de leitura. Outros 25% da população nem encostam o dedo num livro, uma proporção que se manteve constante nos últimos anos.

Os pesquisadores de Mainz atribuem esta triste realidade ao fato de que muitos pais não mais oferecem um modelo de leitura. Assim quase a metade dos entrevistados entre 14 e 19 anos de idade jamais recebeu um livro de presente na infância. Um balanço com consequências sérias que atravessam toda a fase escolar, reduzindo o desempenho em quase todas as disciplinas.

Mas para combater a tendência não basta mandar os estudantes à livraria, lembra Christoph Schäfer, da Fundação Lesen. "A oferta mais importante é, sem dúvida, a infraestrutura das bibliotecas públicas. Que são, naturalmente, uma espécie ameaçada, em face aos cortes orçamentários e outras medidas que talvez permitam a uma biblioteca manter seu acervo, porém quase impossibilitam o trabalho."

Afinal, de que serve uma instituição que não pode comprar livros novos ou só funciona em horários limitados para reduzir custos de pessoal?

A surpresa estrangeira

Já existem vários programas de incentivo à leitura nos jardins-de-infância e escolas primárias. Porém eles não bastam, também no que se refere aos descendentes de imigrantes. Mas, para além de todos os preconceitos, a pesquisa trouxe aqui uma descoberta surpreendente: uma nova "classe média de leitores", formada por adultos com histórico de migração, porém com bons conhecimentos do idioma alemão.

"Este grupo leva a sério a leitura como aspecto da educação. Eles mesmos possuem uma trajetória educacional bem sucedida e sabem: educação abre chances para estruturar tanto da vida profissional como particular", analisa Schäfer.

Esta é, portanto, a boa notícia: 36% dos entrevistados com ascendência estrangeira admitiram que, várias vezes por semana, se entregam inteiramente à leitura, 11% até mesmo todos os dias. Não há dúvida, conclui Schäfer: para esta camada é decisiva a consciência de que "ler é importante, este tema me diz algo, influencia meu futuro".

Impresso ou eletrônico?

Elektronisches Buch aus Japan

Convivência pacífica

Como em outros países industrializados, na Alemanha "ler" significa, cada vez mais, "ler no monitor". Porém o estudo também mostrou que a maioria não abriria mão do livro impresso. O motivo é que na tela é mais fácil o leitor se perder.

Christoph Schäfer explica: "Ler no monitor tem certas especificidades, a estratégia de leitura se modifica: o zapping – ou seja, a passagem de um texto para outro através de um clique ou de um hiperlink – aumenta. E isso modificará muito nossa cultura de textos e de leitura no futuro próximo."

O novo estudo confirmou a impressão – presente desde a pesquisa de 2005 – de que o livro e as novas mídias são dois mundos completamente distintos. Mas que agora convergem. "Estamos ultracuriosos para ver como as ofertas de livros eletrônicos vão se impor no futuro."

Hoje já há leitores mais ligados à informação, que talvez ainda não leiam todo um livro na tela, mas não teriam problema se sua revista especializada fosse oferecida online. "E isso vai obviamente modificar muito todo o mercado livreiro", prevê o encarregado de imprensa da Fundação Lesen.

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