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Alemanha defende afegão condenado à morte por virar cristão

22 de março de 2006

O caso do afegão Abdur Rahman, convertido ao Cristianismo, mobiliza políticos e autoridades religiosas da Alemanha.

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O caso do afegão Abdur Rahman, convertido ao Cristianismo, mobiliza políticos e autoridades religiosas da Alemanha.

Afghanistan Abdul Rahman droht Todesstrafe weil Christ
Abdul RahmanFoto: AP

No domingo último (19/03), um juiz do Afeganistão declarou que Rahman fora preso por se haver convertido, estando ameaçado de pena de morte, caso não se reconverta ao Islamismo. A Charia (Lei islâmica) pune a apostasia com a morte.

Ministros dispostos a intervir

A ministra alemã do Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, declarou ao jornal Bild: "Faremos todo o possível para salvar a vida de Abdur Rahman". Ela pretende apelar diretamente ao presidente afegão, Hamid Karzai. Segundo o Bild, Rahman tornou-se cristão durante sua estada de nove anos na Alemanha.

O ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, expressou "profunda preocupação", estando disposto a intervir, se necessário. A embaixada alemã em Cabul está "em contato próximo com o lado afegão", afirmou o ministro ao jornal Frankfurter Rundschau.

O Afeganistão é um país conservador, com 25 milhões de habitantes, dos quais 99% são muçulmanos. Há três anos, dois jornalistas afegãos foram condenados à morte por cometer blasfêmia, tendo que buscar asilo no exterior.

Direitos para cristãos no Islã

O principal prelado católico da Alemanha, cardeal Karl Lehman, descreveu o caso contra Rahman como "um sinal alarmante". "A Conferência Episcopal Alemã exige solenemente que os cristãos possam praticar sua fé no Afeganistão de forma aberta e livre, e que a conversão ao Cristianismo seja possível sem qualquer desvantagem", disse em declaração oficial.

"Os bispos alemães procurarão assegurar que os cristãos em países islâmicos gozem dos mesmos direitos que os muçulmanos em nosso país", prossegue o documento.

Especialmente na Arábia Saudita e no Paquistão, os cristãos possuem direitos bastante reduzidos. Este vem se tornando um motivo de irritação cada vez maior na Europa, onde as comunidades muçulmanas crescem rapidamente, e exigem direitos e respeito.