Alemanha anuncia retirada de tropas do Afeganistão | Notícias internacionais e análises | DW | 14.04.2021

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Mundo

Alemanha anuncia retirada de tropas do Afeganistão

Governo alemão decide acompanhar os EUA na retirada de tropas do Afeganistão, que deve ocorrer em setembro deste ano. Reino Unido deve seguir os passos. Saída está planejada para a data simbólica de 11 de setembro.

Tanque de guerra com uma bandeira e soldados das Forças Armadas da Alemanha trafega por vilarejo no Afeganistão

O que era para ser apenas uma curta intervenção para estabilizar um país dilacerado se transformou em 20 anos de estadia

A Alemanha acompanhará os Estados Unidos na retirada de tropas do Afeganistão, comunicou a ministra da Defesa alemã, Annegret Kramp-Karrenbauer, em uma entrevista nesta quarta-feira (14/04). E o Reino Unido deve seguir os planos dos aliados americanos e alemães, segundo relatos da imprensa britânica.

"Sempre dissemos que entramos juntos e saímos juntos", disse a ministra da Defesa em entrevista à emissora pública alemã ARD. "Defendo uma retirada ordenada e espero que decidamos isso hoje na Otan." Kramp-Karrenbauer afirmou à ARD que uma decisão da Otan nesse sentido virá após uma sessão especial da chamada reunião de Diálogo de Segurança Quadrilateral (Quad), um fórum estratégico informal entre EUA, Japão, Austrália e Índia.

O anúncio de Kramp-Karrenbauer foi feito após relatos de que o presidente dos EUA, Joe Biden, anunciará ainda nesta quarta-feira a retirada completa de tropas americanas do território afegão em 11 de setembro. Agências de notícias divulgaram trechos do discurso de Biden, no qual ele afirma que chegou a hora de acabar com a guerra mais longa da história dos EUA.

"Não podemos continuar o ciclo de estender e expandir nossa presença militar no Afeganistão na esperança de criarmos as condições ideias para nossa retiradas, esperando um resultado diferente", diz trecho do discurso de Biden. "Eu sou agora o quarto presidente americano a presidir a presença de tropas americanas no Afeganistão. Dois republicanos. Dois democratas. Não vou passar essa responsabilidade para um quinto."

Reino Unido segue passos e EUA perdem prazo

O Reino Unido deve seguir os passos dos EUA e da Alemanha e retirar seus cerca de 750 soldados do Afeganistão, segundo relato do diário britânico The Times. O jornal citou fontes que alegaram que "eles [os britânicos] teriam dificuldades sem o apoio americano por causa da dependência das bases e da infraestrutura dos EUA".

A retirada das tropas americanas em setembro fará com que os EUA não respeitem o prazo de maio para a saída acertada pelo governo do ex-presidente Donald Trump com o Talibã. Em fevereiro de 2020, os EUA e o Talibã assinaram um "acordo para a paz", no qual os americanos concordaram em retirar todas suas tropas em 14 meses se os militantes talibãs mantiverem o acordo.

O Talibã não cumpriu sua parte do compromisso e ainda ameaçou retomar as hostilidades contra tropas estrangeiras que ainda estiverem no Afeganistão a partir do 1º de maio.

Um funcionário do governo americano relatou a repórteres que se o Talibã atacar tropas dos EUA durante uma ação de retirada "eles terão uma resposta enérgica". Biden havia decidido que uma retirada acelerada e precipitada colocaria os cerca de 2.500 soldados em risco e que esta não seria uma opção viável, acrescentou o funcionário.

A longa missão da Alemanha no Afeganistão

Soldados da Bundeswehr – as Forças Armadas da Alemanha – foram informados em 2001 de que sua missão não era de combate, mas de uma curta intervenção destinada apenas a estabilizar um país isolado e dilacerado pela guerra, e no qual Osama bin Laden, fundador da organização terrorista Al Qaeda e idealizador dos ataques de 11 setembro, estavam se escondendo na época.

Vinte anos depois, cerca de 1.300 soldados alemães ainda estão destacados no Afeganistão. A Alemanha participa de uma missão liderada pela Otan para treinar as forças afegãs de defesa nacional. A retirada militar em setembro encerraria esta missão. Ao todo, 59 militares alemães morreram no Afeganistão em 20 anos de intervenção.

Na terça-feira, o Talibã anunciou que não participará de uma cúpula sobre o futuro do Afeganistão, agendada para ser realizada na Turquia no final deste mês, até que todas as forças estrangeiras tenham deixado o país.

"Até que todas as forças estrangeiras tenham se retirado completamente de nossa pátria, não participaremos de nenhuma conferência que tome decisões sobre o Afeganistão", divulgou Mohammad Naeem, porta-voz do escritório do Talibã no Catar, em uma mensagem no Twitter.

pv (ap, dw)

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