A maior escavação arqueológica urbana da Europa | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 10.08.2020

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Coluna Checkpoint Berlim

A maior escavação arqueológica urbana da Europa

Restos de antigo cemitério, de muro da antiga Berlim e de hospedaria de 1571, além de louças do legendário Grand Hotel, foram algumas das primeiras descobertas de escavações no centro da capital alemã.

Escavação na região da Alexanderplatz, em Berlim

Projeto arqueológico na região da Alexanderplatz deve durar cinco anos

O solo de Berlim esconde muitos mistérios, e não estou falando das milhares de bombas perdidas pela cidade, heranças da Segunda Guerra Mundial. O centro da capital alemã abriga atualmente a maioria escavação arqueológica urbana da Europa. Há quase um ano, arqueólogos trabalham em escavações na região em torno da Alexanderplatz.

Nas escavações, arqueólogos esperam descobrir mais detalhes ou informações que possam preencher lacunas sobre o passado da capital alemã. Exatamente o que pode ser encontrado por ali é um mistério que vai sendo revelado ao longo do trabalho. 

O primeiro ano de escavações já rendeu algumas surpresas, como a descobertas de 35 sepulturas no local onde ficava um antigo cemitério que funcionou entre 1708 e 1802. Os ossos encontrados estão sendo analisados e poderão dar respostas sobre as condições de vida dos berlinenses daquela época.

Também foram encontrados fundamentos de um pavilhão militar prussiano construído em 1880. No início dos anos 1920, o local foi transformado num mercado, que ficou conhecido como o Pequeno Alex.

Fundamentos do antigo Grand Hotel, construído em 1894 e que funcionou até o início do século 20, mas acabou destruído na Segunda Guerra, também foram localizados nas escavações. Louças do hotel foram encontradas no solo. Próximo a esta descoberta, os arqueólogos encontraram ainda restos de uma hospedaria datada de 1571. Restos de objetos de diferentes épocas também foram encontrados.

Com previsão de duração de até cinco anos, o projeto prevê a escavação em uma área de 25 mil metros quadrados na região onde nasceu Berlim. Segundo arqueólogos, o local pesquisado abrange aproximadamente 20% da área da cidade histórica de Berlim. Ao fim da escavação, os pesquisadores esperam ter reunido informações valiosas sobre o passado da cidade.

Infelizmente, a maioria dos antigos fundamentos de Berlim provavelmente não poderá ser mantida no local onde ficou por centenas de anos. Na região das escavações está prevista a construção de diversos prédios, e o que desse passado não puder ser removido acabará sendo novamente coberto pelo futuro.

Antes da pandemia, todas as sextas-feiras era possível participar de visitas guiadas gratuitas às escavações. Com as restrições impostas devido ao coronavírus, as visitas foram suspensas. Ainda não há previsão de retorno dessa atividade. O projeto prevê a visitação até o fim das escavações. Quem sabe mais para o fim deste ano seja possível conhecer ao vivo um pouco da história de Berlim e acompanhar o trabalho dos arqueólogos.

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Clarissa Neher é jornalista da DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy. Siga-a no Twitter.

 

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