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EducaçãoBrasil

A importância da relação aluno-professor durante a pandemia

Vinícius de Andrade
Vinícius De Andrade
24 de junho de 2021

Enquanto alguns estudantes relatam como o apoio de professores os ajudou a não se sentirem ainda mais afastados da escola durante o ensino remoto, outros reclamam da distância e da sobrecarga de tarefas.

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Cartaz diante de escola em Ubatuba, no litoral paulista
Cartaz diante de escola em Ubatuba, no litoral paulistaFoto: Nádia Pontes

A relação entre aluno e professor é de suma importância no processo de aprendizagem de qualquer estudante, especialmente para quem frequenta a escola pública no Brasil. Com a pandemia, o distanciamento social e a mudança do ensino presencial para o remoto, essa relação passou por um processo de ressignificação.

A pandemia tem sido, sem dúvida, o período em que os alunos mais precisam dos seus professores, e faz toda a diferença quando se sentem acolhidos e notados. 

"Como as aulas de forma remota, os alunos precisavam que os professores estivessem mais presentes para ajudar e ensinar o conteúdo", diz a Ana, estudante de Pernambuco.

Kelly, de São Paulo, passou por uma situação crucial para ela: "Pediram para eu ir à escola, e basicamente estavam preocupados por eu não estar participando das aulas online. Essa manifestação foi por sugestão de uma professora que estava preocupada comigo. Ela foi à escola e comentou sobre mim, pois notou que eu estava afastada. Foi muito bacana, pois eu nunca vi um professor se preocupar tanto assim com o aluno em todos os meus anos de escola. Foi um cuidado maravilhoso. Isso me motiva a melhorar, me motiva a sair mais da zona de conforto, confiante de que alguém vai estar lá para me ajudar."

Para alguns alunos, o ensino remoto os aproximou ainda mais dos professores e eles notaram que o contexto da pandemia promoveu uma maior empatia na relação, mas, para outros, infelizmente a maioria, o sentimento foi de mais distância do que nunca.

"Senti-me mais afastada dos professores. Raramente conversávamos virtualmente, a não ser para o envio das tarefas. Foi e continua sendo um período bem ruim. Estou no terceiro ano e acredito que vai pesar muito para nós nos próximos anos. Já estamos sofrendo as consequências em relação ao que aprendemos, mas acredito que irá piorar", diz Kélita, aluna do Espírito Santo.

Outra mudança negativa na perspectiva dos alunos é a grande quantidade de atividades e tarefas, muito mais do que havia no modelo presencial. Entendo que elas surgem em um contexto de difícil adaptação do professor e pela falta de familiaridade com o novo modelo, mas dificultam e muito a adaptação dos alunos. Eles se sentem sobrecarregados e se culpam quando não conseguem completar todas as atividades. Inclusive, dificulta – e muito – o processo de aprendizagem, pois simplesmente não conseguem absorver todos os conteúdos.

Além disso, segundo Ana, estudante de Goiás, alguns pontos negativos do ensino presencial se intensificam no online. "Ano passado eu estudei meu terceiro ano em colégio militar, me senti muito afastada dos professores pelo fato de eles não darem espaço para conhecerem alunos novos e focaram somente aqueles que consideravam 'inteligentes'. Com a pandemia não mudou muita coisa, só o fato de que apenas dez alunos participavam das vídeos chamadas em uma turma de 30."

Confesso que eu não havia considerado antes o ponto que Ana trouxe, mas é uma questão real. Com a correria diária, falta de recursos e lotação das salas de aula, é comum professores estereotiparem seus alunos, basicamente em dois grandes grupos: interessados e não interessados. Não digo isso como julgamento, pois, sendo realista, sei que é até uma questão de sobrevivência. No entanto, a fala de Ana me fez pensar sobre como é difícil desconstruir estereótipos e como a manutenção deles pode se tornar um problema maior ainda no contexto atual, fazendo com que muitos alunos nunca se sintam acolhidos ou com a possibilidade de opinar ou, até mesmo, tirar dúvidas. Dessa forma, se sentem ainda mais distantes da escola.

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Vozes da Educação é uma coluna quinzenal escrita por jovens do Salvaguarda, programa social de voluntários que auxiliam alunos da rede pública do Brasil a entrar na universidade. Revezam-se na autoria dos textos o fundador do programa, Vinícius De Andrade, e alunos auxiliados pelo Salvaguarda em todos os estados da federação. Siga o perfil do Salvaguarda no Instagram em @salvaguarda1

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