Casos como o atropelamento e arrastamento de uma mulher em São Paulo no final de novembro - ela foi arrastada durante cerca de um quilômetro, teve as duas pernas amputadas e está hospitalizada - e o assassinato a tiros de duas funcionárias de uma das escolas federais mais conceituadas do Rio de Janeiro, o Cefet do Maracanã, voltaram a evidenciar a cultura de violência de gênero predominante no país.
"Cada um de nós, homens, precisamos ser o professor do outro. Cada um de nós temos que educar nossos filhos, cada um de nós temos que educar nossos companheiros", discursou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante evento em Recife, nesta terça (02/12). "Porque, pensando bem, não existe pena para punir um cara desse, porque até a morte é suave. É preciso que haja um movimento nacional dos homens, contra os animais que batem, que judiam, que maltratam as mulheres", prosseguiu Lula.
Há dez anos, o Brasil passou a reconhecer os antes chamados "crimes passionais" como feminicídio . Desde então, os números vêm crescendo: cerca de 1.500 mulheres são vítimas do feminicídio anualmente. Na capital paulista, por exemplo, entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 53 casos de feminicídio. Um recorde: é o maior índice anual desde 2018, mesmo sem contabilizar os meses de novembro e dezembro.
A lei considera feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, e menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima. As penas para o crime variam de 12 a 30 anos de prisão.
O documentário da DW mostra a guerra silenciosa travada contra mulheres no Brasil.
rk (ABr)