A força do lobby na campanha presidencial norte-americana | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 29.10.2008
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Mundo

A força do lobby na campanha presidencial norte-americana

Nada funciona na política norte-americana sem lobistas, sejam os que defendem o porte de armas ou os críticos ao aborto. Os grupos de interesse estão presentes também na campanha à Presidência.

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Obama x McCain: decisão nas urnas em 4 de novembro

Em 2004, os ex-combatentes na Guerra do Vietnã se denominaram Swiftboat-Veterans for Truth (Veteranos de Lanchas Rápidas pela Verdade) e acusaram o candidato democrata à presidência John Kerry de covarde e mentiroso em relação ao seu passado no Vietnã.

A intenção destes veteranos não foi agredir o programa político de Kerry, mas destruir a imagem do altamente condecorado veterano do Vietnã. Desde esta época, este tipo de campanha nos Estados Unidos recebe o nome de swiftboating.

Até agora, a campanha presidencial norte-americana deste ano não teve swiftboating, o que não significa que ela esteja se dando em nível objetivo. Pelo contrário, há quem afirme que Barack Obama tem contato com terroristas e que devido a um antigo câncer de pele John

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McCain não tem saúde para ser presidente.

Na realidade, nenhum dos dois candidatos precisa que alguém lhes produza manchetes negativas. Eles mesmos podem fazê-lo, diz o especialista em política Clyde Wilcox, da Universidade de Georgetown.

"Na maioria dos estados norte-americanos, a equipe de John McCain está fazendo uma campanha negativa", diz Wilcox, que acrescenta: "A equipe de Obama dispõe de tanto dinheiro que isso resulta em manchetes positivas e negativas".

Coordenação cada vez mais nas mãos dos partidos

Como não existe nos Estados Unidos uma filiação partidária no sentido da palavra, são os grupos de interesse que reúnem doações e mobilizam eleitores, explica Clyde Wilcox. Mas também isso está mudando, complementa.

"Desde a eleição de George W. Bush os republicanos vêm tentando mobilizar os eleitores com a ajuda do partido. Este ano, as pessoas em volta de Obama estão tão bem organizadas e estruturadas, que elas mesmas fazem muita coisa." Os grupos de lobistas desempenham aí um papel importante, especialmente os sindicatos.

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Há tipos diferentes de lobistas e grupos de interesse. Por um lado, há o lobby nacional das armas ou os sindicatos, com membros pagantes e uma agenda fixa.

Por outro lado, há organizações como a MoveOn, criada há dez anos por ativistas políticos com pouco capital e muita criatividade. Entrementes, ela tem mais de 4 milhões de filiados e se mobiliza na internet fazendo propaganda para Barack Obama.

Direitos femininos: não só em tempos de eleição

MoveOn.org serve de modelo para outros grupos, como o WomenCount, constituído em maio por um pequeno número de mulheres na costa oeste dos EUA. Elas estavam chocadas com a intensa pressão da mídia para que a então candidata a candidata Hillary Clinton desistisse em favor de Obama.

WomenCount conseguiu que o sexismo se tornasse tema político, disse sua porta-voz Rosemary Camposano. E elas querem continuar defendendo ativamente os interesses das mulheres: "As mulheres representam agora um grupo definido de eleitores, todos lhes dão atenção". Mas a questão é como as mulheres podem continuar despertando a atenção quando não se necessita de seu voto.

Campanha pode complementar candidatos

Também do lado dos conservadores o mercado não parece completamente saturado. Neste ano, o Family Research Council – FRC (Conselho de Pesquisa Familiar) fundou um grupo próprio de ação política. O FRC representa há 25 anos os tradicionais valores conservadores e religiosos, é contra o aborto e contra o casamento entre homossexuais.

O grupo de ação do FRC está fazendo anúncios em emissoras de rádio e televisão em Pensilvânia e Ohio, estados que ainda estão sendo disputados por Obama e McCain.

Trata-se do tema aborto e da tentativa de contrapor algo aos anúncios de Barack Obama nestes estados, esclarece David Nammo, diretor do grupo de interesses. "McCain é contra o aborto, mas não aborda o tema na propaganda eleitoral. Mas sabemos que este é um tema que mobiliza os eleitores."

Os lobistas e grupos de interesses continuam fazendo parte do processo democrático dos EUA, como já no início da história do país, afirma Clyde Wilcox.

Uniões de empresas e associações de agricultores já havia antes da criação dos primeiros partidos no final do século 18. "Grupos de interesses participam do processo político desde sempre", diz Wilcox, pois segundo ele só assim é possível que cada indivíduo tenha seus interesses representados num país de apenas dois partidos.

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