A encruzilhada de Merkel | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 26.06.2018

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Alemanha

A encruzilhada de Merkel

Novamente o tema refugiados assombra a chanceler alemã. Ela tenta conter as demandas linha-dura de seus aliados conservadores, sem desagradar a outros parceiros e à UE. Uma disputa que pode fazer implodir seu governo.

Chanceler alemã se equilibra na corda bamba: governo pode desmoronar

Chanceler alemã se equilibra na corda bamba: governo pode desmoronar

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, enfrenta uma semana decisiva sobre o destino do seu governo. No momento, luta para conter uma disputa com seu próprio ministro do Interior, o bávaro Horst Seehofer. Em jogo está quem de fato comanda o país e se a coalizão que vem governando a Alemanha desde março vai desmoronar.

A disputa entre Seehofer e Merkel envolve essencialmente como a Alemanha deve lidar com imigrantes ilegais e solicitantes de refúgio que chegarem às suas fronteiras. Desde que assumiu o cargo, Seehofer vem defendendo uma posição mais linha dura sobre o problema, distante da abordagem de Merkel nos últimos anos.

Agora ele também ameaça ordenar que solicitantes de refúgio sejam barrados diretamente nas fronteiras da Alemanha já a partir de 1° de julho. Entre aqueles que podem ser barrados diretamente estão pessoas que já solicitaram proteção em outros países da União Europeia ou que já tiveram pedidos anteriores rejeitados.

Hoje a política prevê que, ao chegar à Alemanha, eles sejam inicialmente acolhidos. Somente após uma análise do caso é que eles podem eventualmente ser enviados de volta para outros países da União Europeia.

O problema para Merkel é que a presença de Seehofer no governo é essencial para a manutenção da atual coalizão que comanda o país. Ele é o chefe da União Social-Cristã (CSU), o braço bávaro da União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel. Com 46 cadeiras no Parlamento, a CSU garante que Merkel tenha maioria para governar.

Sem Seehofer e a CSU, Merkel corre o risco de se ver isolada, contando apenas com o apoio da sua sigla e do Partido Social-Democrata (SPD), seu outro parceiro de coalizão. Uma cisão entre as duas siglas irmãs também seria um acontecimento histórico no cenário partidário da Alemanha desde o final dos anos 1940.

Para Merkel, qualquer decisão unilateral sobre fronteiras –  como Seehofer defende –  pode criar problemas com os vizinhos da Alemanha e minar a política de solidariedade entre os membros da União Europeia.

Merkel, por enquanto, conta com o apoio do seu partido na disputa. Nesta segunda-feira (25/06), a secretária-geral da CDU tentou amenizar a tensão e afirmou que relacionamento entre os democrata-cristãos e a CSU sempre teve "altos e baixos”, mas que sempre foi benéfica para a sigla da chanceler.

Nesta terça-feira, Merkel começa a se reunir com líderes dos partidos da sua coalizão para procurar uma solução para a crise. O vice-líder do SPD, Ralf Stegner, disse no último fim de semana que seu partido considera os planos de Seehofer inaceitáveis e que eventuais mudanças na política do governo são uma violação aos termos-base acordados na formação da coalizão governamental.

Merkel, portanto, está em um dilema: se optar por confrontar abertamente seu ministro do Interior, corre o risco de alienar a CSU; se der carta branca, corre o risco de perder o apoio do SPD e se indispor com outros países europeus, que desejam uma solução conjunta para o problema.

Segundo veículos da imprensa alemã, o SPD já está planejando o que fazer caso a coalizão desmorone. Por enquanto, a CSU e Seehofer não demonstram estarem dispostos a retroceder. O próprio Seehofer está sob pressão de membros do seu partido.

O atual governador da Baviera, Markus Söder, apoia uma posição linha-dura em relação às fronteiras e disse recentemente que uma solução europeia seria muito complicada. Na própria Baviera, a CSU vem sendo pressionada pelo crescimento nas pesquisas do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) entre os conservadores do estado. Hoje a sigla conta com o apoio de 13% dos eleitores locais.

JPS/ots/dpa

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