5 perguntas e respostas sobre a morte | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 20.04.2019
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Ciência

5 perguntas e respostas sobre a morte

O fim é mesmo inevitável? O que acontece com o corpo, depois? O que revelam as experiências de quase-morte, e o que a física quântica tem a dizer sobre a alma? Fatos sobre um tema tão tabu quanto fascinante.

"A morte é, muito provavelmente, a melhor invenção da vida. Ela é o motor transformação dela; elimina o velho e cria espaço para o novo!" O discurso de despedida do fundador da Apple Steve Jobs comoveu muita gente. No fim da vida, de nada lhe valeram sua fortuna, iniciativas visionárias, conexões: com apenas 56 anos, o pioneiro da informática comercial sucumbiu a um câncer de longa data.

Por que a morte biológica é inevitável?

Também no corpo humano – composto por muitos bilhões de células que, dia após dia, se dividem, garantindo o crescimento –, "a morte cria espaço para o novo". Os organismos possuem um método bastante eficiente para destruir estruturas celulares potencialmente perigosas, como as afetadas por carcinógenos ou vírus: a morte celular programada, em que células antigas são substituídas por outras, idênticas.

Contudo essa divisão vai se desacelerando, e em algum momento para. Os prováveis responsáveis por isso são os telômeros, estruturas localizadas nos extremos dos cromossomos. Essas "capas protetoras" vão se encurtando ao longo das divisões, e por fim estas param de ocorrer. Primeiro as novas células cessam de nascer, depois as antigas morrem.

A telomerase pode cuidar para que a divisão prossiga, mas como essa enzima também acelera o câncer, do ponto de vista biológico faz sentido que só fique ativa em algumas células. Um distúrbio do processo, por exemplo nas usinas de força celulares, as mitocôndrias, tem consequências amplas para o organismo.

O limite biológico do funcionamento do corpo humano é de cerca de 120 anos. No entanto, decisiva é a real expectativa de vida, que tem melhorado no decorrer dos séculos, graças às melhores condições de vida e higiene. Na Alemanha, por exemplo, essa média vem aumentando em mais ou menos três meses, a cada ano.

Câncer pulmonar sob microscópio eletrônico

Células cancerosas "esquecem" que devem morrer

Qual é a definição de morte?

O processo de envelhecimento humano em geral redunda na falência de diversos órgãos: sistema cardiovascular, pulmões e cérebro entram em colapso, ocorre o óbito. Do ponto de vista médico, existem diferentes tipos de morte.

Na morte clínica, o sistema cardiovascular falha, o pulso e a respiração param, os órgãos deixam de receber oxigênio. No entanto, uma reanimação ainda é possível, através de respiração artificial e massagem cardíaca, e é frequentemente bem-sucedida.

Na morte cerebral, tal não é mais possível, pois cérebro, cerebelo e tronco cerebral deixam de funcionar. Embora determinadas células ainda possam estar ativas nas camadas mais profundas, a "consciência" se perdeu.

Apesar disso, "mortos cerebrais" podem ser mantidos vivos artificialmente por muito tempo; grávidas nessa condição podem até completar a gestação. Certos pacientes também reagem a estímulos externos, por exemplo durante operações. Do ponto de vista medicinal, porém, trata-se de meros reflexos medulares, não de uma sensação de dor. A definição da morte cerebral na Alemanha permanece controversa, apesar de diretrizes estritas da Câmara Federal dos Médicos, entre outras instâncias.

Corpo sendo examinado por legista em necrotério

Há diversos tipos de morte: funções vitais se extinguem gradativamente

O que acontece no corpo após a morte?

De início, os órgãos ainda subsistem algum tempo sem oxigênio nem substâncias nutritivas. A divisão celular só cessa gradativamente, então as células morrem; se em grande número, não é mais possível os órgãos se regenerarem. As células cerebrais são as primeiras, só resistindo de três a cinco minutos; o coração aguenta até meia hora. Quando o sangue para de circular, porém, o órgão descai, formam-se necroses. Através delas, os médicos legistas têm indicações sobre causa e local do óbito.

Após duas horas, instaura-se o rigor mortis, pois o trifosfato de adenosina deixa de ser produzido, e sem esse vetor de energia essencial para as células, os músculos se enrijecem. Após alguns dias, esse enrijecimento cede. O trato gastrointestinal só morre dentro de dois a três dias, as bactérias em seu interior aceleram a decomposição.

Os agentes patogênicos do corpo, permanecem em parte perigosos por bem mais tempo: os vírus da hepatite sobrevivem ainda vários dias; os bacilos da tuberculose, até anos. Ao todo, o processo de decomposição do corpo humano leva cerca de 30 anos.

O que revelam as experiências de quase-morte?

A ciência indica que as experiências de quase-morte ocorrem no período entre a morte clínica e a reanimação. Também as religiões e o esoterismo se ocupam das vivências relatadas, que podem variar fortemente, dependendo das influências culturais ou regionais.

Alguns contam sobre uma avalanche de memórias, a dissolução do corpo, paisagens ou uma luz forte (no fim do túnel). Enquanto alguns sentem uma enorme sensação de felicidade, outros experimentam pânico e medos. Ainda outros não registram qualquer experiência fora do comum.

Aparentemente a quase-morte é mais vivenciada quando as medidas de reanimação duram muito tempo, e o cérebro fica privado de oxigênio por um prazo mais longo. Essa privação afeta em especial os lobos temporais e parietais do cérebro, assim como o giro angular, situado entre os dois. Entretanto não está claro se as experiências ocorrem nessas áreas.

Pesquisadores também tentaram traçar paralelos entre essa vivência extrema e ocorrências comparáveis de sujeitos vivos. Alguns pacientes de enxaqueca, por exemplo, veem igualmente luzes, e certos epilépticos têm experiências "fora do corpo".

Homem caminha em direção a luz no fim de túnel

A proverbial "luz no fim do túnel"

O que a física quântica tem a ver com a alma?

No entanto, teólogos e esotéricos não têm sido os únicos a se ocupar intensivamente com as enigmáticas experiências de quase-morte, mas também estudiosos de física. A base para uma "alma fisicamente descritível" é o fenômeno do entrelaçamento quântico. Albert Einstein já se deparara com esse estranho efeito, mas o descartou como "ação fantasmagórica à distância".

Ele consistem em que duas partículas subatômicas entrelaçadas se comportem como um par de gêmeos, independente da distância real que as separa. Quando se determina através de medições as propriedades de uma delas, o estado quântico da partícula-parceira também é imediatamente definido.

Hoje em dia, numerosos físicos quânticos defendem que esse efeito exista de fato: assim como entre as partículas subatômicas, haveria um dualismo entre corpo e alma. Quando se pergunta, contudo, se a física quântica pode "provar" a existência da alma humana, aí começa a fé, seja ela de motivação científica ou religiosa.

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