1986: Catástrofe ecológica no Reno | Fatos que marcaram o dia | DW | 01.11.2015
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Calendário Histórico

1986: Catástrofe ecológica no Reno

Em 1º de novembro de 1986, a água usada para debelar um grande incêndio na fábrica Sandoz, na Suíça, carregou produtos altamente tóxicos para o rio, matando por envenenamento todos os seres vivos nas águas do Alto Reno.

Ao lado de Tchernobil, incêndio da Sandoz foi pior acidente ambiental da Europa

Ao lado de Tchernobil, incêndio da Sandoz foi pior acidente ambiental da Europa

O incêndio que começou na noite de 1° de novembro de 1986 na fábrica da Sandoz na Basileia (Suíça) abalou a confiança da população europeia na indústria química. Em poucos minutos, os 6 mil metros quadrados do Depósito 956 foram consumidos pelas chamas. Mais de mil toneladas de inseticidas, substâncias à base de ureia e mercúrio transformaram-se em nuvens tóxicas incandescentes. Tambores de produtos químicos explodiram no ar como se fossem granadas.

O cenário era tão assustador que, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, as autoridades de segurança pública deram alarme geral na região da Basileia. Os moradores das vizinhanças foram obrigados a fechar as janelas e permanecer dentro de casa: 400 mil pessoas estavam em perigo. Diretamente ao lado do prédio em chamas, havia um depósito de sódio e fosgênio (cloreto de carbonila) – gás tóxico utilizado como arma mortífera na Primeira Guerra Mundial.

Protestos da população

Milhares de suíços reagiram com manifestações contra a indústria química, responsável por 50% dos empregos na Basileia. Embora não houvesse mortos e feridos entre os seres humanos, a vítima fatal do acidente foi a natureza. A água usada para apagar o incêndio dissolveu e arrastou para o Reno 30 toneladas de produtos químicos, principalmente agrotóxicos.

Nos dias seguintes, morreram os animais no rio, que abastece com água potável as cidades às suas margens, da Basilea a Roterdã, na Holanda. Entre a cidade suíça e a alemã Karlsruhe, foram encontradas mais de 150 mil enguias mortas. O rio estava ecologicamente morto, depois da maior catástrofe já ocorrida no Alto Reno.

Após o acidente, a Sandoz construiu enormes bacias de decantação ao longo do rio, preparadas também para a retenção de efluentes em caso de incêndio. Antes de 1986, a indústria despejava milhões de metros cúbicos de esgoto no Reno, em cujas margens estão instaladas 20% das empresas do setor químico da Europa. Hoje, os efluentes são controlados e tratados pelos laboratórios das próprias fábricas.

Peixes voltaram a se ambientar

O ecossistema do Reno se recuperou, segundo Istvan Pinter, da secretaria do Meio Ambiente de Baden-Württemberg, o estado alemão mais atingido. Por meio de um amplo programa ambiental iniciado em 1987, foi possível reduzir bastante a poluição fluvial. Dezenas de espécies de peixes voltaram a se ambientar, e a quantidade dos pequenos animais que servem de alimento aos peixes atingiu o nível do início do século anterior.

Além de um profundo arranhão na imagem, a Sandoz teve um prejuízo de cerca de 71 milhões de euros com o incêndio – grande parte somente para a recuperação do solo contaminado. O Reno recebeu um leito parcialmente novo. A empresa, porém, não foi condenada judicialmente, e a causa do acidente não foi esclarecida. O diretor-presidente da multinacional na época, Marc Moret, escondeu-se da imprensa por três semanas – uma política de comunicação que irritou os países vizinhos e só aumentou os estragos às imagem da empresa.