1973: Willy Brandt em Israel | Fatos que marcaram o dia | DW | 08.06.2014
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Calendário Histórico

1973: Willy Brandt em Israel

No dia 7 de junho de 1973, o então chanceler federal alemão Willy Brandt chegou a Israel para sua primeira visita oficial ao país.

Estadista aproveitou para pescar no Mar da Galileia

Estadista aproveitou para pescar no Mar da Galileia

"Todos aqui hão de me entender, se eu disser que as relações teuto-israelenses têm um caráter especial e que esta característica não mudará nunca. Para nós, não poderá haver neutralidade de coração e de consciência". Foi o que declarou o ex-chanceler federal alemão Willy Brandt diante do Parlamento Europeu em novembro de 1973. Com esse discurso, ele rejeitou todas as tentativas de caracterizar as relações entre as Alemanha e Israel como "normais e rotineiras".

O atual Estado de Israel foi criado oficialmente a 14 de maio de 1948, três anos após a derrota do nazismo. Ele tem sua origem no sionismo – movimento surgido na Europa, no século 19, que pregou a criação de um país onde os judeus pudessem viver livres de perseguições. É também o representante legal das vítimas do Holocausto. Na sua fundação, ninguém podia imaginar que um dia Israel pudesse manter relações diplomáticas com a Alemanha, que exterminou seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial.

Reparação de danos

Quatro anos mais tarde (em 1952), porém, o então chanceler federal alemão Konrad Adenauer e o fundador de Israel, David Ben Gurion, já assinaram um acordo, importante no caminho da aproximação entre os dois países. Tratou-se do acordo de reparação dos danos causados aos judeus. Embora evitassem visitas oficiais, os dois estadistas mantinham estreitas relações pessoais e tiveram um primeiro encontro histórico a 14 de março de 1960, no Hotel Waldorf Astoria, em Nova York. Somente após sua renúncia em 1963, Adenauer visitou Israel. Em "caráter particular", Ben Gurion participou do enterro do ex-chanceler alemão, em 1967.

Golda Meir

Golda Meir

As relações diplomáticas somente foram reatadas em 1965, no governo de Ludwig Erhard (1963-1967). Diante da reação crítica do mundo árabe, inicialmente ainda foram evitadas visitas mútuas dos chefes de Estado. Finalmente, a 7 de junho de 1973, o líder social-democrata Willy Brandt, acompanhado pelo escritor Günther Grass, realizou sua primeira viagem oficial a Israel, então governado por Golda Meir (1998-1978). Brandt foi recebido com todas as honras e sua agenda não divergiu da de outros chefes que visitassem oficialmente Israel.

Um dos principais assuntos das conversações de Brandt foi a crise e ameaça de guerra na região. "O conflito no Oriente Médio talvez nos toque mais do que outros. É um apelo à nossa séria responsabilidade", disse. Para ele, o fato de um governo alemão se interessar especialmente pela paz na região era uma obviedade. Brandt, porém, teve o cuidado de não tomar partido, ressaltando que a Alemanha não tinha qualquer legitimação para atuar como intermediadora no conflito. "Somos a favor de uma solução pacífica, negociada e aceita pelas partes diretamente envolvidas", disse.

Golda Meir não pôde retribuir visita

A visita de Willy Brandt contribuiu decisivamente para a melhoria das relações entre a Alemanha e Israel, mas não para a pacificação do Oriente Médio. Poucos meses depois, em outubro de 1973, eclodiu a Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão). Num ataque de surpresa, o Egito e a Síria avançaram no Sinai e em Golã, de onde só foram expulsos depois de muito esforço por Israel. Em conseqüência da guerra, a primeira-ministra Golda Meir foi obrigada a renunciar, em 1974, sem ter podido retribuir a visita de Brandt, o que seria feito por seu sucessor, Yitzhak Rabin, em 1975.

A viagem de Rabin à Alemanha foi o passo seguinte rumo à normalização das relações entre a Alemanha e Israel. Mesmo assim, até hoje não se pode falar de uma "normalização definitiva", como já ressaltou Brandt em 1973: "As relações teuto-israelenses – e isso eu quero sublinhar – precisam ser vistas diante do sombrio pano de fundo do regime de terror nazista. E é exatamente nisso que pensamos quando dizemos que as nossas relações normais têm um caráter especial", concluiu Brandt.