1960: Nomeada primeira chefe de governo no mundo | Os acontecimentos que marcaram o dia de hoje na História | DW | 21.07.2018
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Calendário Histórico

1960: Nomeada primeira chefe de governo no mundo

A 21 de julho de 1960, pela primeira vez na história, uma mulher foi nomeada chefe de governo, através de eleição livre. Com 44 anos de idade, Sirimavo Bandaranaike ocupou o cargo de premiê do Ceilão, atual Sri Lanka.

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Bandaranaike venceu as eleições no então Ceilão em 1960

O Sri Lanka é uma das mais belas ilhas do Oceano Índico e o maior produtor mundial de chá. Seu nome significa "ilha resplandecente". A natureza abençoou este pequeno país com todos os atributos de um paraíso tropical. No entanto, os seus habitantes viveram por muito tempo longe da paz paradisíaca, pois desde 1956 os grupos étnicos dos cingaleses e dos tâmeis travaram uma sangrenta guerra civil que durou 25 anos.

Assim, política nunca foi uma profissão fácil no Sri Lanka. E Sirimavo Bandaranaike sabia disso por experiência própria: em 26 de setembro de 1959, seu marido, o então primeiro-ministro Solomon Bandaranaike, foi assassinado a tiros diante de seus olhos. Este atentado, praticado por um monge budista, modificou radicalmente a vida da filha de latifundiário: Sirimavo assumiu a liderança do Partido Liberal e candidatou-se para a sucessão do marido.

Em pouco tempo, ficou conhecida mundialmente como a "viúva chorosa", devido a seus assomos de emoção e lágrimas. Sirimavo tinha 44 anos, havia sido educada em colégio de freiras, na melhor tradição da etiqueta colonial britânica, e meticulosamente treinada para o papel de esposa modelo. Porém, apesar da total inexperiência política, ela tinha, segundo uma nota biográfica, uma meta clara: "Demonstrar ao mundo que a mulher é melhor governante do que o homem".

Postura autoritária e prepotente

Ela venceu as eleições de 1960, em coligação com os partidos comunistas, tornando-se a primeira mulher do mundo à frente do governo de um país. Porém, contrariando as expectativas, Bandaranaike não adotou o curso da reconciliação e aplainamento das injustiças, mas impôs um tom polarizador e uma postura autoritária e prepotente.

Durante os cinco anos seguintes, manobrou os destinos do Sri Lanka em direção ao socialismo, numa política de contradições: a estatização rigorosa lado a lado com velhas estruturas de apadrinhamento e favoritismo. Dificuldades econômicas crescentes e as críticas a seu estilo antidemocrático de governo levaram à deposição de Sirimavo em 1965.

Mas, em 1970, ela conseguiu reeleger-se, encabeçando o governo cingalês durante mais sete anos, além de assumir os ministérios das Relações Exteriores e da Defesa. Tamanho acúmulo de poder acabou por precipitar sua queda.

Em 1980, uma comissão especial de três juízes condenou Bandaranaike por abuso de poder, cassando-lhe os direitos civis. Após sua reabilitação, ela retornou à política, continuando a geri-la como se fosse um negócio de família. Em 1995, sua filha Chandrika Kumaratunga assumiu a presidência do Sri Lanka, tendo sido reeleita em 1999. Sirimavo faleceu aos 84 anos, em 10 de outubro de 2000, após ter ocupado o cargo de primeira-ministra do Sri Lanka por três vezes.