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A atriz Janet Leigh durante a famosa cena do chuveiro em "Psicose"
A atriz Janet Leigh durante a famosa cena do chuveiro em "Psicose"Foto: AP
História

1960: Estreia o filme "Psicose"

Jochen Kürten

Em 16 de março de 1960, estreou em Nova York o filme "Psicose", do diretor Alfred Hitchcock. Embora não apresentasse cenas explícitas de violência, o filme causou forte impacto psicológico.

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Uma mulher é esfaqueada debaixo do chuveiro. A sequência, de apenas 45 segundos, é considerada uma das mais elaboradas da história do cinema. São mais de 70 tomadas de câmera, cortes rápidos, montagem em ritmo alucinante. Psicose é considerado um clássico do cinema e uma obra-prima do filme de suspense.

O filme Psicose (título original: Psycho) foi feito pelo diretor inglês Alfred Hitchcock, o mestre do suspense cinematográfico. A cena do chuveiro é uma prova de que Hitchcock, mais do que assustar, queria chocar o público, matando a estrela do filme logo nos minutos iniciais.

Cartaz do filme
Cartaz do filme "Psicose"

A reação inicial da crítica foi negativa. Diziam que o filme era muito brutal e que a sua dramaturgia era superficial. Só aos poucos é que se reconheceram suas qualidades. É uma película que consegue abordar, no mesmo nível, problemas existenciais e do dia a dia.

Assassino e canibal

O roteiro de Psicose, escrito por Joseph Stefano, é inspirado na vida de um certo Ed Gein, conhecido como o assassino canibal de Winsconsin. A principal personagem é a secretária Marion Crane (Janet Leigh), que rouba 40 mil dólares do patrão e foge. Vai parar num sórdido motel, onde se torna amiga do dono, Norman Bates (Anthony Perkins), uma pessoa com problemas psicológicos.

A fixação de Norman Bates pela mãe selaria o destino de Marion Crane. O papel do filho é representado pelo jovem Anthony Perkins, que viveu nesse filme o grande momento de sua carreira. O diretor deixa transparecer o desespero de Bates, preso aos seus próprios fantasmas, em meio ao clima de horror.

O diretor Alfred Hitchcock
O diretor Alfred Hitchcock Foto: AP

Hitchcock já havia dirigido algumas obras-primas antes de 1960. Mas Psicose é o seu filme mais assustador, cruel, sádico e pornográfico/voyeur. Foi produzido em preto e branco, com baixo orçamento e uma equipe de técnicos de televisão. A linguagem cinematográfica recorreu sobretudo a sugestões visuais, a fim de provocar suspense no telespectador.

Suspense é dilatar o tempo

Na sequência do chuveiro, só depois de consumado o assassinato é que se mostra o sangue, escorrendo pelo ralo do chuveiro. "Suspense não é a manipulação de material violento, mas sim a dilatação de um período de tempo, a ênfase no que faz o coração bater mais depressa", esta é a famosa frase de Hitchcock, que define seu conceito de direção de cinema.

O cinema de Hoolywood popularizou, na década de 1990, a figura do assassino em série. Hoje os filmes contam histórias brutais e violentas, com toda a naturalidade e usando os modernos efeitos cinematográficos.

O fascínio de Psicose não reside no efeito ou na grandiosidade do gesto cinematográfico, mas sim na poesia, no que é dito apenas subliminarmente, sem grande alarde.

Como, por exemplo, na cena final, quando Norman Bates, sozinho na cela de prisão, deixa transparecer a ambiguidade de sua personalidade, fragmentada entre seu ego e a sua mãe.

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