Às vésperas dos Jogos de Tóquio, surtos de covid preocupam | Notícias internacionais e análises | DW | 16.07.2021

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Tóquio 2020

Às vésperas dos Jogos de Tóquio, surtos de covid preocupam

A menos de uma semana da abertura dos Jogos Olímpicos, infecções em ao menos sete delegações são motivo de alerta. Funcionários de hotel testam positivo e forçam confinamento da equipe brasileira de judô.

Manifestação em Tóquio contra a realização dos Jogos Olímpicos

Manifestação em Tóquio contra a realização dos Jogos em frente a edifícios governamentais no último fim de semana

A menos de uma semana da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos em Tóquio, surtos de covid-19 envolvendo delegações transformaram hotéis de pequenas cidades em instalações de isolamento encarregadas de implementar medidas sanitárias complexas para proteger atletas de elite e a população local.

Autoridades detectaram infecções pelo coronavírus em pelo menos sete delegações que chegaram ao Japão. Especialistas em saúde apontam que os surtos evidenciam os riscos de realizar o maior evento esportivo do mundo em meio à pandemia e num país em que grande parte da população ainda não foi vacinada.

Embora as competições sejam realizadas sem público, especialistas em saúde e hoteleiros temem que as "bolhas olímpicas", nas quais os atletas e as delegações devem ficar isolados, possam não ser totalmente impermeáveis, porque a circulação de funcionários e voluntários pode levar a uma disseminação e desencadear uma disparada de infecções na população local.

Casos positivos em hotel de delegação brasileira

Os 49 membros da equipe brasileira de judô estão em quarentena depois que foram descobertos oito casos de covid-19 entre os funcionários de um hotel em que estavam hospedados em Hamamatsu, no sudoeste de Tóquio. Nenhum dos judocas testou positivo.

"Todas as medidas foram reforçadas no hotel. Nenhum desses funcionários teve contato com os atletas brasileiros", diz trecho de uma nota do Comitê Olímpico do Brasil (COB). "A delegação brasileira tem um elevador de uso exclusivo, usa apenas máscara N95, higieniza as mãos todo o tempo, faz as refeições num restaurante separado. Além disso, todos, equipe do hotel e delegação brasileira, passam por testagem diária."

O COB comunicou também que a delegação olímpica brasileira tem atletas que recusaram a vacina. O COB não citou nomes, mas confirmou que 30 dos 301 atletas brasileiros inscritos para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 ainda não receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19.

Uma autoridade municipal relatou que as delegações olímpicas foram obrigadas a assinar acordos formais de comprometimento com os protocolos anticoronavírus em relação a restrições de transporte, movimentação e na alimentação. Os funcionários do hotel foram transferidos para um centro de quarentena. 

Houve casos positivos de covid-19 nas delegações olímpicas de Uganda, Sérvia e Israel. Outras várias nações relataram testes positivos registrados antes do embarque de atletas – os casos mais emblemáticos são do tenista australiano Alex de Minaur e do jogador americano de basquete Bradley Beal. Outros tiveram que se isolar em hotéis após terem sido registrados casos positivos em meio aos passageiros nos voos para o Japão. 

Hotéis sob regras rígidas e preocupações

O Comitê Organizador dos Jogos de Tóquio 2020 exige que os hotéis comuniquem casos de membros de delegações olímpicas que deram entrada com alta temperatura e garantiram que – em cooperação com os centros de saúde – cuidarão dos surtos e casos suspeitos.

Os hotéis precisam fornecer serviço de quarto ou entrega de comida para atletas isolados, e reservar horários diferentes ou espaços separados para refeições entre hóspedes olímpicos e regulares. Os custos adicionais com refeitórios secundários ou divisórias de acrílico, por exemplo, não serão cobertos pelos organizadores. 

A agência de notícias Reuters conversou com seis gerentes de hotéis, que se mostraram preocupados principalmente em relação à separação dos atletas dos hóspedes regulares, bem como com a segurança de seus funcionários.

"Estou com medo de que alguém da equipe de limpeza seja infectado. As pessoas que entram nos quartos estão com medo", disse Koichi Tsuchiya, gerente do Ebina Vista Hotel, no arredores de Tóquio. "Isso está nos deixando nervosos."

Tsuchiya também disse estar preocupado com seus hóspedes. "Os agentes de viagens informaram os atletas antes da chegada: 'você não pode fazer isso, isso não é permitido, isso é proibido'. Tenho certeza que os atletas estão extremamente estressados", disse. "Estamos fazendo o nosso melhor para ajudá-los a relaxar. Mas esta é a situação em que estamos, então as medidas anticoronavírus são a prioridade."

Um funcionário olímpico que não quis se identificar e está hospedado no hotel afirmou que não tinha permissão para usar o elevador. "Há guardas em cada andar 24 horas por dia, sete dias por semana, nos impedindo de usá-los. Podemos ir ao restaurante e voltar aos nossos quartos apenas usando as escadas externas de emergência", disse.

Aumento de casos e protestos

A cidade de Tóquio entrou em seu quarto estado de emergência no início desta semana. Mais de 1.300 novos casos foram registrados na quinta-feira – o número diário mais alto desde o final de janeiro.

Segundo pesquisas de opinião pública, a maioria das pessoas no Japão acha que os Jogos Olímpicos não deveriam ser realizados.

Apenas 18% da população japonesa está completamente imunizada contra a covid-19.

pv/lf (rtr, ots)

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