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Tensão cresce com "troca de mimos" entre Embaló e Vaz

17 de setembro de 2025

O Presidente cessante Umaro Sissoco Embaló e o ex-chefe de Estado José Mário Vaz trocam críticas públicas antes das eleições de novembro. À DW, Luís Vaz Martins fala em "tentativa de conquista de espaço político".

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Gabinete de Apoio Técnico ao Processo Eleitoral (GTAPE) para a atualização do cadastro eleitoral na Guiné-Bissau, 2025
Com o prazo para formalização de candidaturas a terminar a 27 de setembro, começam a desenhar-se alianças e estratégias para as eleições gerais e presidenciais. O cenário promete ser disputadoFoto: Iancuba Dansó/DW

Na Guiné-Bissau, o ambiente político aquece com trocas públicas de declarações entre o Presidente cessante Umaro Sissoco Embaló e o ex-chefe de Estado José Mário Vaz, sobre uma possível disputa nas presidenciais marcadas para 23 de novembro.

Sissoco Embaló espera que José Mário Vaz apoie a sua recandidatura e descarta qualquer hipótese de confronto direto.

"José Mário Vaz não será candidato presidencial. Foi ele quem me disse que, se o seu filho não avança, ele irá apoiar-me. Eu e ele não podemos ser candidatos. Se quiser ser candidato terá de o dizer. Mário Vaz não vai concorrer contra mim. Ele reformou-se da política", assegura Sissoco Embaló.

"Respeita-te a ti mesmo"

Mas José Mário Vaz não ficou em silêncio. Reagiu com firmeza, pedindo respeito e recordando que regressos políticos são possíveis: "Reformando eu? Esqueceram que Nino Vieira saiu e voltou a ganhar eleições presidenciais?", questionou, acrescentando: "Não tenho muito a dizer, mas só devo dizer que, se alguém não te respeita, respeita-te a ti mesmo. É tudo que há a reagir".

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À DW, o comentador político Luís Vaz Martins entende que esta "troca de mimos" vem evidenciar não só que José Mário Vaz quer distanciar-se de Umaro Sissoco Embaló, mas também mostrar que o ex-chefe de Estado guineense tem uma agenda política.

"Recado mal acolhido"

O comentador político aponta uma "tentativa de conquista de espaço político", com Embaló a tentar mandar um recado para evitar potenciais candidaturas, nomeadamente a de José Mário Vaz.

"É nesta perspetiva que o Umaro Sissoco Embaló entende os últimos aparecimentos públicos de José Mário Vaz, querendo, de certa forma, pressioná-lo no sentido de desistir a favor dele. E, nesta perspetiva, tentou mandar o recado, que acho ter sido muito mal acolhido por José Mário Vaz", considera.

Com o prazo para formalização de candidaturas a terminar a 27 de setembro, começam a desenhar-se alianças e estratégias para as eleições gerais e presidenciais. O cenário promete ser disputado.

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Braima Darame - Jornalista DW
Braima Darame Jornalista da DW África