″Queremos que nos respeitem″, diz filha que não pôde homenagear Nino Vieira | Guiné-Bissau | DW | 16.11.2020

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Guiné-Bissau

"Queremos que nos respeitem", diz filha que não pôde homenagear Nino Vieira

Familiares do antigo Presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, estariam indignados pela forma como foi feito o processo de trasladação dos restos mortais do pai para o sepultamento na Amura. Filha quer que viúva deponha.

A filha mais velha de João Bernardo "Nino" Vieira, Florença Vieira, disse que os filhos aceitam que o pai seja sepultado no Panteão Nacional, na fortaleza da Amura - sede do Estado-Maior General das Forças Armadas do país, onde estão sepultados os antigos presidentes eleitos Malam Bacai Sanha e Kumba Ialá, além de Amílcar Cabral.

"Aceitamos, mas não desta forma que o Governo da Guiné-Bissau quer efetuar, porque 'Nino', apesar de todos os problemas, é um herói nacional. O ser humano não é perfeito, mas ele merece uma honra digna. [ ] O que tudo indica é que [a transladação] foi maquinada por um grupinho de gente", disse à Lusa Florença Vieira.

A filha mais velha do ex-Presidente lamenta que o túmulo do seu pai tenha sido profanado na madrugada de domingo e que não tenham permitido aos seus familiares prestarem uma última homenagem. 

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"O Presidente da República desrespeitou-nos. Eu falei diretamente com o Presidente da República, pedi-lhe com dignidade para não fazer esta barbaridade, para deixar os familiares prestarem a última honra ao nosso querido pai. Enganou-me. Pediu-me o meu número de telefone para brincar comigo. Comigo ninguém brinca. Eu não sou analfabeta nem burra ao quadrado, eu fui à escola, eu sou médica formada", disse Florença Vieira.

A filha de 'Nino' Vieira fez questão de sublinhar que os familiares de "Nino" Vieira exigem respeito. " Não queremos dinheiro, não queremos nada, mas que nos respeitem, principalmente a nós, filhos. Não é só a Isabel Romano Vieira que tem filhos com 'Nino' Vieira", afirmou.

O testemunho da viúva

A filha mais velha de "Nino" Vieira disse que pediu ao Ministério Público da Guiné-Bissau para ouvir o testemunho da viúva, Isabel Vieira, sobre o assassínio do pai, em março de 2009.  

"Porque durante 11 anos andou a correr pelo mundo a dizer que não tinha segurança para vir à Guiné-Bissau e como é que agora, de repente, há segurança para ela? Ela está aqui há três meses", afirmou.

Isabel Romano Vieira, mulher de "Nino" Viera, saiu da Guiné-Bissau em março de 2009, após o funeral do antigo presidente guineense assassinado em sua casa e nunca prestou declarações públicas sobre a morte do marido.

Bacari Biai Generalstaatsanwalt von Guinea-Bissau

Biai anunciou o arquivamento do processo

O Ministério Público realizou uma investigação, mas nunca conseguiu ouvir o testemunho da viúva, que sempre se recusou a prestar declarações.  O antigo Procurador-Geral da República, Bacari Biai, anunciou em 2018 o arquivamento do processo, alegando uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça - que refere que seis meses depois do início de uma investigação, se não houver acusação, o processo é arquivado.

Ninguém foi acusado pela morte de Nino Vieira, nem pelo assassínio do general Tagme Na Waie, que morreu poucas horas antes do antigo Presidente. "Depois de 11 anos ela põe aqui os pés e acontece esta cena catastrófica", afirmou, referindo-se uma vez mais à forma como os restos mortais do seu pai, sepultado no cemitério de Bissau, foram trasladados.

O antigo presidente guineense deixou 18 filhos reconhecidos, cinco dos quais de Isabel Romano Vieira.  Nino Vieira foi brutalmente assassinado em sua casa em março de 2009. Até hoje, ninguém foi acusado pelo crime e o Ministério Público guineense arquivou o processo.

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