Putin 4.0: O que esperar do próximo mandato do Presidente russo | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 07.05.2018

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Internacional

Putin 4.0: O que esperar do próximo mandato do Presidente russo

Vladimir Putin já tomou posse como Presidente da Rússia para um quarto mandato, que deverá prolongar-se até 2024. Especialistas avisam que o atual estilo de governação, cada vez mais autoritário, veio para ficar.

A cerimónia desta segunda-feira (07.05) foi semelhante às outras três que ocorreram nas duas últimas décadas, num salão adornado com ouro, no Grande Palácio do Kremlin. "Considero como meu dever e como o sentido da minha vida fazer tudo o que me for possível pela Rússia, pelo seu presente e pelo seu futuro", disse Vladimir Putin.

Com a mão direita sobre a Carta Magna, Putin jurou "respeitar e defender os direitos e as liberdades das pessoas e dos cidadãos, cumprir e defender a Constituição da Federação da Rússia, defender a soberania e a independência, a segurança e a integridade territorial do Estado e servir o povo com lealdade".

Reeleito em março com 76,7% dos votos, o seu melhor resultado desde que alcançou o poder, Vladimir Putin, de 65 anos, está no comando da Rússia desde o ano 2000, seja como chefe de Estado ou de Governo.

Inauguration Putin Gerhard Schröder

Antigo chanceler alemão Gerhard Schöder na tomada de posse de Vladimir Putin

"Farei tudo para aumentar o poder, a prosperidade e a glória da Rússia", disse na cerimónia em Moscovo, à qual assistiram mais de 6.000 convidados.

O Presidente russo também prometeu apostar numa agenda económica que melhore os níveis de vida em todo o país, na sequência de uma recessão económica em parte ligada a sanções internacionais.

Apesar de ter recuperado a proeminência da Rússia no palco mundial pela via militar, Putin tem sido criticado por não ter conseguido diversificar a economia russa, muito dependente das exportações de gás e petróleo, e por não desenvolver o setor industrial.

Política cada vez mais autoritária

O novo mandato de Putin deverá ser marcado por uma característica em particular: "continuidade", acredita Gernot Erler, do Partido Social Democrata da Alemanha (SPD), antigo representante do Governo alemão encarregado das relações com a Rússia.

"Receio que a destruição da margem de manobra democrática continue", afirma também Martin Schulze Wessel, especialista em História da Europa de Leste e professor na Universidade Ludwig Maximilian, em Munique. Além disso, acrescenta, "a luta contra a corrupção também não deverá ser bem-sucedida."

Russland Präsident Putin

Mais uma cerimónia de tomada de posse de Putin no Kremlin

Nos últimos anos, foram evidentes os resultados do governo autoritário de Putin na política interna: restrições à liberdade de reunião, intimidação da sociedade civil e maior controlo da internet e das redes sociais.

"O sistema irá tornar-se cada vez mais autoritário", afirma o especialista alemão Manfred Hildermeier, segundo o qual "Putin quer mostrar ao mundo uma cortina de fumo democrática".

Oposição sem espaço

Os especialistas concordam que é improvável que na Rússia de hoje aconteça uma insurreição contra Putin - como aconteceu nas antigas repúblicas soviéticas da Geórgia e Ucrânia ou atualmente na Arménia.

Assistir ao vídeo 01:08

Zhanna Nemtsova: É tempo de "acordar" a Rússia

Na última corrida presidencial participaram dois candidatos da oposição, Grigory Yavlinsky e Ksenia Sobchak, que se apresentaram como "representantes da oposição liberal". O líder da oposição extraparlamentar russa, Alexei Navalny, foi impedido de concorrer à presidência e apelou ao boicote eleitoral.

No sábado (05.05), dois dias antes da tomada de posse de Vladimir Putin, Alexei Navalny chegou a estar detido várias horas, acusado de resistência à polícia e de organizar uma manifestação não autorizada em Moscovo.

O dia ficou marcado por protestos em 20 cidades russas, que terminaram com a detenção de mais de 1.000 pessoas. O protesto nacional, organizado sob o mote "Ele não é o nosso czar", foi promovido por Navalny.

Economia: "calcanhar de Aquiles" de Putin

A continuidade dos protestos deverá depender do desenvolvimento económico do país, dizem analistas. Depois da crise de 2014, provocada principalmente pela queda do preço do petróleo e, em parte, pelas sanções ocidentais aplicadas após a anexação da Crimeia, Putin conseguiu estabilizar a economia russa.

Essa estabilidade, no entanto, está ameaçada pelas recentes sanções - mais duras - dos Estados Unidos da América (EUA). "O calcanhar de Aquiles de Putin é a economia, assim como a competitividade económica a nível internacional", considera o especialista Manfred Hildermeier.

E nos próximos anos, a situação económica na Rússia deverá complicar-se, prevê Stefan Meister, do Conselho Alemão de Relações Externas (DGAP). "Haverá menos dinheiro para pensões, para o bem-estar social e até mesmo para os militares", afirma. Por isso, refere, a política interna terá um papel cada vez mais importante durante o quarto mandato de Putin.