Observadores preocupados a um mês das presidenciais na Costa do Marfim | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 09.10.2020

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Internacional

Observadores preocupados a um mês das presidenciais na Costa do Marfim

A menos de um mês das eleições na Costa do Marfim, a calma nas ruas não chega para afastar a preocupação dos observadores. País elege novo Presidente a 31 de outubro, com a polémica candidatura de Ouattara em destaque.

Pelo menos 15 pessoas morreram na sequência do anúncio da recandidatura do atual Presidente, Alassane Ouattara

Pelo menos 15 pessoas morreram na sequência do anúncio da recandidatura do atual Presidente, Alassane Ouattara

O anúncio da decisão levou a protestos violentos no início do ano, que fizeram pelo menos 15 vítimas mortais e mais de 100 feridos.

Até agosto, estradas bloqueadas e veículos em chamas eram imagens vulgares nas ruas da Costa do Marfim. Agora, no entanto, "ao contrário do que vemos na comunicação social, o dia-a-dia está incrivelmente calmo", diz o cientista político Thilo Schöne, diretor da Fundação Friedrich Ebert, na Costa do Marfim. 

"Houve manifestações esporádicas em agosto mas, de momento, a situação está extremamente calma há quatro ou cinco semanas. Há pelo menos um carro da polícia em cada cruzamento. A situação está sob controlo do ponto de vista da segurança", conclui.

Elfenbeinküste I Ausschreitungen in Abidjan

Protestos em Abidjan contra a recandidatura de Ouattara

A eleição de 31 de outubro é controversa por vários motivos: há apenas quatro candidatos na corrida às presidenciais, depois de o Conselho Constitucional ter rejeitado 40 candidaturas. De fora ficaram personalidades como o ex-Presidente Laurent Gbagbo e o ex-primeiro-ministro Guillaume Soro. E a decisão gerou muitos protestos.

Por outro lado, Alassane Ouattara, o Presidente cessante, foi autorizado pelo Tribunal Constitucional a candidatar-se a um terceiro mandato, embora a Constituição só permita dois. O tribunal considera que, devido a uma emenda constitucional, em 2016, os dois primeiros mandatos de Ouattara não contam. A oposição rejeita este argumento.

Eleição não é vista como legítima

Por isso, apesar das ruas silenciosas, a preocupação mantém-se, diz Thilo Schöne: "Estamos a caminhar para uma eleição que não é vista como legítima por muitos atores na cena política, que também estão preocupados com o quão livre é esta eleição e quão democrática ela será. A situação é preocupante."

A oposição, que apela à dissolução da Comissão Eleitoral e do Conselho Constitucional,  tem vindo a levantar dúvidas sobre a sua participação nas eleições há várias semanas.

Vor der Präsidentschaftswahl in der Elfenbeinküste | Henri Konan Bédié

Henri Konan Bédié é considerado o principal concorrente de Ouattara

Vários líderes, incluindo o ex-primeiro-ministro Guillaume Soro, a antiga primeira dama Simone Gbagbo e o ex-primeiro-ministro Pascal Affi Nguessan, um dos candidatos, já declararam que a eleição "não terá lugar" até que as suas exigências sejam aceites.

O antigo Presidente Henri Konan Bédié, outro dos candidatos admitidos, apelou mesmo à "desobediência civil" em nome da oposição.

Observadores preocupados

Esta semana, uma missão diplomática da CEDEAO, União Africana e Nações Unidas mostrou "profunda preocupação" com "a falta de confiança entre os atores políticos marfinenses" e com "os atos de violência e o discurso de ódio com conotações comunitárias".

Florian Karner, da Fundação Konrad Adenauer, em Abidjan, também não está muito optimista. "Não sei dizer como é que se vão evitar surtos de violência e confrontos, porque não vejo o mínimo sinal de diálogo entre o Presidente e os líderes da oposição. Está tudo muito tenso", afirma.

Ainda assim, a crise não será tão grave como após as eleições de 2010, diz o analista político Thilo Schöne. Na altura, o Presidente cessante Laurent Gbabgo e o então opositor Alassane Ouattara declararam-se ambos vencedores. Os confrontos violentos que se seguiram às eleições resultaram na morte de mais de 3.000 pessoas.

"A diferença para 2010 é que não há dois campos com poder semelhante forçados a negociar um com o outro", lembra Schöne. "Desta vez, temos um Governo que controla o exército, que fez muita coisa no país do ponto de vista económico, pelas condições de vida dos marfinenses, e que tem relações internacionais."

A oposição tem os seus líderes no estrangeiro, lembra ainda o analista, mas "não se pode mobilizar e tem negligenciado a sua presença local, nas cidades e nas aldeias."