Moçambique: Subsidiar transportes é "meramente político"
5 de maio de 2026
A crise de combustível em Moçambique está a paralisar o transporte público. Na zona metropolitana de Maputo, muitos veículos ficaram, esta terça-feira (05.05), imobilizados por falta de abastecimento, tendo a "situação agravado nas últimas 24 horas", denunciou a Federação Moçambicana das Associações de Transporte Rodoviário (FEMATRO).
O Governo moçambicano admitiusubsidiar o transporte público de passageiros face à crise de combustíveis no país. Uma medida que, entendem os transportadores, tem de ser esclarecida.
Em entrevista à DW, Castigo Nhamane, presidente da FEMATRO, explica que o setor voltará a reunir, esta quarta-feira, com o secretário de Estado dos Transportes e vai questionar em que consiste este subsídio. Nhamane queixa-se que os operadores acumulam "prejuízos elevados" e exige do Governo respostas concretas.
DW África: Enquanto o subsídio que o Governo anunciou não chega, os motoristas estão a trabalhar? Quem está a pagar essa conta?
Castigo Nhamane (CN): Neste momento, os transportadores estão a acumular prejuízos elevados, porque os operadores não têm combustível, não conseguem trabalhar o dia todo. Às vezes, trabalham algumas horas, outras vezes não trabalham. Ontem e hoje, a falta de combustível é extremamente elevada. Há muitos carros que não saíram à estrada por falta de combustível. Isso representa prejuízo para os operadores.
DW África: A situação agravou-se nas últimas 24 horas?
CN: Sim, piorou. É um prejuízo grande.
DW África: E isso deve-se a quê?
CN: Não sabemos, não temos resposta para justificar essa falta. Porque, por um lado, quando aparecem figuras do nosso Governo para falar ao povo moçambicano, dizem que não há problema de stock, que há [stock] suficiente. Entretanto, nas bombas não há combustível. O que estamos a verificar é total falta de combustível e uma falta de explicação exaustiva do que está a acontecer exatamente no nosso país.
DW África: Qual a sua reação a esta iniciativa do Governo, que admite subsidiar o transporte público face à crise de combustível em Moçambique?
CN: Nós não nos podemos pronunciar neste momento. Primeiro, porque o que dissemos nas reuniões que temos tido com o Governo foi que, no dia em que subisse o combustível, nós íamos agravar a tarifa. Entretanto, o Governo fala em subsídio. Mas o subsídio tem de ser esclarecido, quais são os valores a ser subsidiados, porque os custos operacionais não incidem apenas no combustível. É verdade que o combustível é o essencial, mas ao subir o combustível, vai subir o preço do pneu, das baterias, dos filtros, óleos lubrificantes e todos os consumíveis de transporte. O Governo ainda não nos deu uma explicação clara sobre como é que será feito esse subsídio e quais são os valores.
DW África: Ou seja, esta decisão é meramente política?
CN: Exatamente, é meramente política. Então, esperamos na reunião que vamos ter amanhã com o secretário de Estado dos Transportes que nos diga alguma coisa. Até este momento, o que eu posso dizer é que há uma crise total de combustível e isso aumenta a falta de transporte na zona metropolitana de Maputo.
DW África: Como é que é o dia a dia de um motorista dos transportes neste momento?
CN: É enfrentar uma fila sem saber a que horas o combustível vai chegar nas bombas. É uma situação muito difícil. Quando nós nos cruzamos com um camião cisterna que sai do porto, nós todos começarmos a perseguir o camião. Não sabemos onde vai abastecer, porque em todas as bombas há filas.
DW África: E qual é a solução, na sua opinião?
CN: Se o problema é o preço, o Governo devia ajustar o preço, porque afinal de contas nem é problema do Governo moçambicano, é um problema do mundo. Quem somos nós, um país que nem sequer produz combustível? Não é possível não reajustarmos o preço do combustível, porque nós somos apenas importadores. A nossa opinião é que deviam aumentar o preço enquanto há combustível no mercado.