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Moçambique cai sete lugares em ranking de ambiente de negócios do Banco Mundial

24 de outubro de 2012

Abertura de novos negócios, acesso a crédito e proteção a investidores prejudicaram classificação de país africano. Especialista moçambicano critica critérios do Banco Mundial e questiona legitimidade de relatório.

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A capital moçambicana Maputo
A capital moçambicana MaputoFoto: picture-alliance/dpa

Moçambique é a economia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) onde o ambiente de negócios mais piorou do ano passado para este ano. No índice de Facilidade de Negócios 2013, divulgado esta semana pelo Banco Mundial, o país lusófono surge na posição 146, numa lista de 185 países.

No espaço de um ano, Moçambique caiu 7 lugares na lista dos países onde é mais fácil fazer negócios. O Banco Mundial analisou um total de 10 indicadores a ter em conta no processo de abertura de novos empreendimentos.

Moçambique chega a apresentar algumas melhorias em relação ao relatório do ano passado, em pontos como o registo de propriedade ou o comércio externo. Mas outros, tal como a abertura de novos negócios, o acesso ao crédito e a proteção aos investidores estão a prejudicar a classificação no ranking.

Para Joaquim Dai, presidente da Associação Moçambicana de Economistas, a AMECON, o problema está mesmo nos indicadores utilizados pelo Banco Mundial: "Normalmente estas quedas no Doing Business devem-se principalmente à introdução dos novos fatores de análise das economias", explica o especialista.

Para Dai, Moçambique é demasiado extenso. "Uma das condições que agora foram introduzidas é o tempo de acesso à eletricidade. É muito fácil nós conseguirmos fazer uma análise dentro das cidades ou em cidades mais pequenas, mas se formos ao interior e fizermos a pergunta a alguém 'quanto tempo é que leva para conseguir energia?', este índice penaliza bastante a nossa economia", exemplifica o presidente da AMECON.

Especialista questiona legitimidade de relatório

As críticas não se ficam por aqui. A forma como é levada a cabo a análise do ambiente de negócios pelo Banco Mundial também não satisfaz Joaquim Daí, já que o Banco Mundial, segundo ele, contrata escritórios de advogados que "não têm acesso a todas as informações que o governo, por exemplo, tem. Porque nem são escritórios, são individuais, por exemplo. Até certo ponto, qual é que é a legitimidade de um relatório feito por entidades que não estão ligadas às instâncias de poder? Ou instâncias que realmente têm acesso a este tipo de informação?", interroga Joaquim Dai.

Face ao crescimento do interesse internacional no país, o presidente da AMECON afirma mesmo que o índice do Banco Mundial pode estar a perder credibilidade diante da realidade vivida em Moçambique.

Para Joaquim Dai, "um país que tem crescido em termos de investimento direto estrangeiro, se estes investidores estão a vir, conseguem ir para as zonas de desenvolvimento acelerado, conseguem ir para as zonas de implantação de crescimento logístico e mineiro, se conseguem ir para as zonas de desenvolvimento remotas, ligadas à agricultura e à água – e cada vez temos mais empresas a vir e a abrir com menos tempo – o que acontece é que este índice, o Doing Business, é olhado com alguma desconfiança", afirma.

Perante as consecutivas descidas de Moçambique no ranking, Joaquim Dai deixa alguns dos passos a seguir pelo país lusófono africano para contrariar esta tendência: "O que temos que fazer é melhorar a competitividade. Olhar para os sectores e ter os ministérios ligados aos sectores com uma visibilidade e uma perspectiva de negócio melhor, não apenas do ponto de vista legal. E, acima de tudo, tentar perceber onde é que falhamos, onde é que fomos penalizados e fazer uma análise interna a nível da sociedade civil. Não só as entidades económicas, não só a nível do governo", explica o presidente da AMECON.

De acordo com o Banco Mundial, fazer negócios no espaço lusófono é agora mais difícil, com todos os países da CPLP a caírem na lista face à classificação do ano passado, à exceção de Portugal e de Timor-Leste, que se mantêm e de Angola que, apesar de estar perto do fundo da tabela, subiu dois lugares, para a posição 172.

A seguir a Portugal, Cabo Verde é a segunda economia lusófona onde é mais fácil fazer novos negócios. Já São Tomé e Príncipe desceu 3 lugares no ranking, para a posição 160. A Guiné-Bissau, por sua vez, aproximou-se mais do fim da lista, passando do lugar 178 para o 179.

Autora: Maria João Pinto
Edição: Renate Krieger/António Rocha

24.10.12 Banco Mundial Índice negócios 2013 - MP3-Mono

Logotipo do Banco Mundial: Joaquim Dai questiona legitimidade do relatório da instituição internacional
Logotipo do Banco Mundial: Joaquim Dai questiona legitimidade do relatório da instituição internacionalFoto: AP/DW
A barragem de Cahora Bassa, um dos megaprojetos de Moçambique: investidores estrangeiros tendem a ir a zonas de desenvolvimento acelerado e não levam em conta realidade do país
A barragem de Cahora Bassa, um dos megaprojetos de Moçambique: investidores estrangeiros tendem a ir a zonas de desenvolvimento acelerado e não levam em conta realidade do paísFoto: DW/M. Barroso