Milhares de apoiantes da UNITA exigem, no aeroporto do Cuito, os restos mortais de Savimbi | Angola | DW | 28.05.2019
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Angola

Milhares de apoiantes da UNITA exigem, no aeroporto do Cuito, os restos mortais de Savimbi

Apoiantes da UNITA estão a exigir, à entrada do aeroporto do Cuíto, capital do Bié, os restos mortais de Jonas Savimbi, líder histórico da UNITA, cujo paradeiro continua desconhecido e a ser alvo de muita especulação.

O corpo, segundo a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), deveria ter chegado de manhã cedo à capital do Bié (28.05.), mas, por razões ainda por apurar, não apareceu, havendo um descontentamento popular entre uma multidão que tem vindo a aumentar todas as horas, com fonte policial a estimar a presença e mais de cinco mil simpatizantes do maior partido da oposição.

"Queremos o corpo, queremos Savimbi" é a palavra de ordem repetida incessantemente por quem está à entrada do aeroporto Joaquim Kapango, no Cuíto, com dezenas de elementos da polícia a constituírem-se como uma segunda linha de uma defesa que está a ser assegurada por elementos da própria UNITA que, de mãos dadas, impedem a "invasão" da infraestrutura.

Falta de informação

Vários apoiantes de Savimbi, maioritariamente jovens, mas também muitas mulheres criticaram, em declarações à Lusa, a falta de informação do Governo sobre o destino da entrega dos restos mortais do fundador do partido, morto em combate em 2002, o que esteve na base do fim de uma guerra civil em Angola, que começou em 1975 e terminou nesse ano.

"Não sairemos daqui enquanto o corpo não chegar. Ficaremos o tempo que for preciso para recebermos o corpo do 'pai'", disseram à Lusa duas apoiantes da UNITA, exigindo, ao mesmo tempo, a entrega, no Cuíto, dos restos mortais de Savimbi, palavras secundadas pela multidão que as rodeava.

Reposição da normalidade

Os ânimos estiveram exaltados cerca das 13:00 horas locais, quando um grupo de jovens tentou furar o cordão de segurança da própria UNITA, deixando em alerta as forças policiais, face à possibilidade de uma multidão poder entrar no perímetro do aeroporto, cercado com uma rede de ferro com cerca de dois metros e meio de altura.

No entanto, a segurança do partido conseguiu acalmar os jovens e repor a normalidade, perante gritos de jovens que garantiam que não vai haver atos de violência, admitindo, porém, "não saber" o que fazer caso se confirme que o corpo de Savimbi não chega ao Cuíto, onde se encontra toda a direção da UNITA e grande parte da família do líder histórico do partido.

Um pouco antes, em conferência de imprensa no Cuíto, o presidente da UNITA, Isaías Samakuva, garantiu que os apoiantes e simpatizantes do "Galo Negro" têm indicações para não cometerem atos de violência, "algo que, de resto, não está enraizado na cultura do partido". 

Ouvir o áudio 03:44

Correspondente da DW, José Adalberto, fala sobre a situação no Cuíto

UNITA e familiares à espera A grande maioria dos familiares de Savimbi e membros da direção da UNITA permanecem dentro do perímetro do aeroporto, aguardando por novidades que não chegam, afirmando-se incrédulos com o facto de o Governo estar a desrespeitar o que fora previamente combinado e acertado a 20 deste mês.

Face à inexistência de alguém da parte do Governo no aeroporto do Cuíto, a imprensa nacional e internacional presente está a tentar por diversas vias ouvir a parte governamental, sobretudo depois de o ministro de Estado angolano, Pedro Sebastião, que esteve, por pouco tempo, no aeroporto, ter saído da cidade num helicóptero e ainda não ter regressado.

Desconhece-se o dia em que se procederá às exéquias fúnebres, uma vez que há indicações de que o Governo pretende que se realize na quarta-feira (29.05.) em Lopitanga, aldeia natal de Savimbi, enquanto a UNITA tinha definido que se realizaria no próximo sábado, no mesmo local, com um grande número de convidados nacionais e estrangeiros.

UNITA acusa Governo de "falta de diálogo

"O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, já condenou o impasse criado pelo Governo angolano, acusando o executivo de "falta de diálogo" sobre as questões ligadas às exéquias fúnebres do líder histórico do partido, Jonas Savimbi.

Numa conferência de imprensa no Cuíto, Samakuva indicou que estava tudo preparado para receber os restos mortais na capital do Bié e que face à falta de diálogo há "algo que se está a passar, que o partido não entende". 

 Rocha Pinto & CazengaAngola Luanda - UNITA - Ende des Wahlkampfs (DW/A. Cascais)

Isaías Samkuva

Segundo Samakuva, os restos mortais de Savimbi foram entregues na segunda-feira (27.05.) no Luena sem que a UNITA ou a família estivesse presente, pois não havia ninguém mandatado pelo partido ou pela família para o efeito.

"É preciso diálogo entre a comissão tripartida, entre o Governo, a UNITA e a família e desde dia 20 que, apesar dos nossos esforços, ninguém do Governo ligado direta ou indiretamente à comissão nos respondeu; apenas ontem [segunda-feira] soubemos que os restos mortais foram para o Luena", disse Samakuva, indicando que a urna estava numa pequena capela no cemitério local.

"O resultado é este; nem a família nem a UNITA vão andar para trás e para a frente à procura dos restos mortais", frisou o líder do partido, lembrando que deve haver respeito pela memória de Jonas Savimbi e pelos convidados do partido para a cerimónia que o 'Galo Negro' pretende realizar apenas no sábado (01.06.). 

O Governo pretende realizar o funeral no dia 29, quarta-feira, o que não faz sentido, segundo o líder da UNITA.

Do lado governamental, ninguém se encontra no Cuíto para esclarecer a situação, tendo Samakuva indicado que os restos mortais terão saído já do cemitério no Luena para um destino que disse desconhecer. 

Ainda segundo Samakuva, há indicações que o ministro do Estado e chefe da casa civil do presidente da República, Pedro Sebastião, estará no Andulo "a tentar convencer eventualmente alguns familiares para entregar o corpo", evitando a multidão que se encontra concentrada dentro e fora do aeroporto no Cuito. 


 

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