Medo e satisfação decidiram voto no MPLA nas eleições de 2012 | Angola | DW | 11.09.2012

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Angola

Medo e satisfação decidiram voto no MPLA nas eleições de 2012

Conhecidos os resultados das eleições gerais em Angola, bem como o descontentamento de muitos cidadãos e partidos da oposição, a pergunta que se põe é: porque é que mais de quatro milhões de eleitores votaram no MPLA?

As respostas à pergunta são muitas e, na maioria das vezes, divergentes: pressões, medo, falta de alternativa ou satisfação perante o trabalho do partido nos últimos anos são algumas das hipóteses colocadas em cima da mesa por dois analistas angolanos ouvidos pela DW África.

Mas, numa questão, Victor Aleixo e Fernando Heitor estão de acordo. Quaisquer que tenham sido os motivos que levaram à escolha do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) para continuar a governar, a abstenção tem de ser levada em conta na altura de analisar mais uma vitória.

No decorrer do processo eleitoral, constata Fernando Heitor, “aconteceram 1001 irregularidades, nomeadamente a obstrução ao voto, os nomes de muitos eleitores não constavam nos cadernos eleitorais, e um número elevadíssimo de eleitores não votou, um número bastante grande”.

Campanha eleitoral do MPLA

Campanha eleitoral do MPLA

Prosseguindo a análise, Heitor considera que se “se comparar este número com a percentagem que a UNITA obteve, mais de 18%, verifica-se que muitos eleitores da UNITA não votaram”. Segundo a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), a União Nacional para a Independência Total de Angola, UNITA, foi o segundo partido mais votado, com 18,66%.

Nível elevado de abstenção em Angola

O analista político Victor Aleixo concorda que “o nível de abstenção foi muito grande, o que significa que há um nível de descontentamento encapotado”. Ao mesmo tempo, verifica que “não existindo alternativa onde um “vencedor” seria, de facto, a abstenção, isto vem beneficiar o partido que está no poder", há 32 anos, o MPLA.

De acordo com a CNE, o nível de abstenção foi de 37,23%, cerca de três vezes superior à das eleições legislativas de 2008.

Voto do medo nas eleições de 2012

Mesmo com a elevada abstenção registada nas eleições gerais de 31 de agosto, mais de 4 milhões de pessoas disseram sim ao MPLA, liderado pelo Presidente José Eduardo dos Santos. Mas na opinião de Fernando Heitor, muitos eleitores “votaram coagidos”.

O nível de abstenção, de 37,23%, reflete o descontentamento dos anngolanos face à governação

O nível de abstenção, de 37,23%, reflete o descontentamento dos anngolanos face à governação

Segundo Heitor, “levantou-se o medo de que se não votarem no MPLA haverá guerra, alguns temeram que se não votassem no MPLA perdiam o emprego. O nível de iliteracia neste país é bastante grande, de tal forma que elementos de pressão jogam um papel muito importante na cabeça das pessoas”, esclarece.

Apesar do factor medo, Fernando Heitor salvaguarda que “há pessoas que optam pelo MPLA. O MPLA é um partido, um governo, que tem as suas realizações. Há pessoas que beneficiaram das realizações que o MPLA fez”.

Mesmo assim, o analista frisa que o domínio da comunicação social teve também grande influência na escolha dos eleitores, que poderia ser diferente “se as eleições fossem, de facto, transparentes e se não houvesse o boicote de acesso aos órgãos de comunicação do Estado por parte do MPLA. O MPLA domina completamente os média nacionais, o que influencia, evidentemente, todo o exercício de transparência e de liberdade que se pretende num ato eleitoral”, sustenta Heitor.

Oposição não se apresenta como alternativa séria, diz analista

Opinião diferente tem Victor Aleixo. De acordo com o analista político, os angolanos escolheram o MPLA por falta de alternativas, pois “se existisse, de facto, uma posição estruturada os resultados poderiam ser outros”.

O MPLA dominou os meios de comunicação, retirando espaço à oposição

O MPLA dominou os meios de comunicação, retirando espaço à oposição

Em seu entender, a culpa pelo resultado dos partidos da oposição recai inteiramente sobre os próprios: “o grande culpado foi a oposição que não soube desenhar as melhores estratégias que pudessem levar a um contra peso de políticas e mensagens defendidas pelos partidos da oposição”.

Para Victor Aleixo, o voto no partido de José Eduardo dos Santos acaba por ser inevitável, porque "não é que toda a gente seja do MPLA, mas o grande problema é que o país precisa de ser governado por um partido. Não existindo alternativas, o partido que está no poder aparece sempre como o mais priveligiado.

Pelos mais variados motivos, mais de 4 milhões de eleitores escolheram o Movimento Popular de Libertação de Angola para continuar no poder, posição que ocupa desde 1975. A maioria qualificada do MPLA foi conseguida com 71,84% dos votos, o que permitiu a eleição de 175 deputados do partido para os 220 lugares da Assembleia Nacional.

Autora: Maria João Pinto
Edição: Glória Sousa / António Rocha

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Medo e satisfação decidiram voto no MPLA

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