Novo governo de Eduardo dos Santos enfrenta desafios internos | Angola | DW | 10.09.2012

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Angola

Novo governo de Eduardo dos Santos enfrenta desafios internos

Com a vitória do MPLA, nas eleições gerais em Angola, pouco mudará no capítulo das relações internacionais do país; mas a nível interno são esperadas melhorias sociais - consideram analistas.

José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola

José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola

Agora que acabaram as acusações sobre a ilegitimidade da presidência de José Eduardo dos Santos, pensa-se que as eleições são agora o seu aval para continuar a dirigir Angola. Recorde-se que os 32 anos no poder, sem que tivesse sido escolhido democraticamente, originaram descontentamentos principalmente nos últimos dois anos.

Mas o Presidente angolano, eleito do pleito de 31 de agosto, poderá fazer uma viragem radical, considera o analista António Gaspar, do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais em Moçambique.

José Eduardo dos Santos abandonará o poder a meio do mandato?

Gaspar avança que "a especulação aponta que José Eduardo dos Santos pensa abandonar o poder, a meio do mandato. Não sabemos é quando isso vai acontecer, de tal modo que o vice-Presidente foi escolhido a dedo. Esta é uma corrente de opinião que colhe consenso e ganha alguma consistência".

As desigualdades sociais deixam a maioria dos angolanos revoltada

As desigualdades sociais deixam a maioria dos angolanos revoltada

Segundo o analista moçambicano, dois motivos terão levado José Eduardo dos Santos a legitimar a sua presidência, ao fim de 32 anos: em primeiro lugar, querer sair em “grande estilo” do poder, provando que tem o apoio da maioria; e em segundo lugar, dar tempo para que o vice-Presidente, Manuel Vicente, ganhe maturidade para o substituir.

Recorde-se que Vicente foi o número um da Sonangol, a empresa petrolífera estatal. Vicente tem fama de bom gestor, mas era questionada a sua tarimba política, mesmo ao nível do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), o partido no poder.

Na nova legislatura, as relações entre Angola e os seus parceiros do ocidente e oriente, “não vão mudar muito a curto prazo”, suspeita António Gaspar. Já ao nível de África, “Angola, devido a sua posição, aos seus recursos, ao seu PIB [Produto Interno Bruto] é sempre um ator importante no continente e poderá consolidar a sua posição e a sua contribuição é sempre bem-vinda, do ponto de vista da consolidação da paz no continente, assim como na promoção da economia", comenta o analista.

Cinco anos de muito trabalho para o governo de Angola

José Eduardo dos Santos foi eleito Presidente no sufrágio de 31 de agosto

José Eduardo dos Santos foi eleito Presidente no sufrágio de 31 de agosto

Se por um lado o governo do MPLA mostra sinais positivos ao nível político-estrutural e diplomático, por outro terá de enfrentar grandes desafios no seu relacionamento com a população. As gritantes desigualdades sociais deixam a maioria dos angolanos revoltada.

Na opinião de Katila Pinto de Andrade, diretora adjunta da Open Society Angola, organização da África Austral para a consolidação da democracia, “a abstenção [nas eleições gerais de 31 de agosto] reflete-se num voto de protesto, portanto, há muita gente que está descontente com a governação".

Assim, a abstenção representa "um grande desafio para o partido MPLA ,na governação do país, na implementação de políticas de combate à pobreza", sustenta a analista pelo que, defende, se seguem "cinco anos de muito trabalho" para as autoridades.

Abstenção três vezes superior à das eleições legislativas de 2008

A elevada abstenção dos eleitores angolanos reflete o descontentamento com a governação, segundo analista Catila Pinto de Andrade

A elevada abstenção dos eleitores angolanos reflete o descontentamento com a governação, segundo analista Katila Pinto de Andrade

Segundo a Comissão Nacional Eleitoral, a taxa de abstenção nas eleições gerais foi de 37,23%, cerca de três vezes superior à das eleições legislativas de 2008.

O elevado nível de ostentação por parte da elite ligada ao poder angolano choca com a extrema pobreza da maioria da população. Mas Katila Pinto de Andrade acredita numa mudança, pois apesar de tudo acredita que o país está a melhorar.

A analista defende que a mensagem implícita passada pelos eleitores, com a abstenção, será recebida pelos governantes, pois "teremos em 2017, novamente, eleições gerais, teremos antes as eleições autárquicas. Portanto, se o MPLA pretender continuar a ser governo no país, terá que acatar e fazer uma leitura deste resultado", remata Katila Pinto de Andrade.

Autora: Nádia Issufo
Edição: Glória Sousa / António Rocha

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