Manifestantes desafiam restrições no Togo | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 17.04.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Manifestantes desafiam restrições no Togo

Após uma pausa de mais de um mês, opositores do regime togolês voltaram a convocar protestos no fim-de-semana. As tentativas de mediar a agitação no Togo parecem falhar.

default

Protestos no Togo a 14 de abril de 2018

O jovem com uma toalha amarrada à cintura não faz ideia do que se está a passar em Lomé, no Togo. Acabou de tomar duche e parece ter entrado num filme de ação. Um camião acelera na esquina ao lado, agentes da polícia de intervenção sobem a uma parede e arrastam dois homens para fora de um prédio. "Não sabemos se eram ladrões ou só manifestantes", afirma o jovem.

Família há mais de 50 anos no poder

Grupos da oposição protestam regularmente contra o Governo togolês desde agosto de 2017. A família de Gnassingbé Eyadema, que assumiu o poder através de um golpe de Estado em 1967, governa o país há mais de meio século. Em 1992, Eyadema aprovou uma lei para limitar a dois os mandatos presidenciais Uma década depois, revogou-a para permanecer no cargo. Após a sua morte, em 2005, os militares ajudaram o seu filho, Fauré, a assumir a Presidência. É aí que ele se mantém até hoje após eleições controversas.

A oposição pede, no entanto, que o país volte a adotar a Constituição de 1992, que impede o Presidente de se candidatar a um terceiro mandato sucessivo de cinco anos. Desde agosto, já houve manifestações em que participaram mais de 100 mil pessoas, num país com menos de oito milhões de habitantes. Confrontos com a polícia são comuns. Dezenas de manifestantes foram presos e pelo menos onze foram mortos.

A onda de protestos foi interrompida em fevereiro, quando o chefe de Estado do vizinho Gana, Nana Akufo-Addo, interveio como mediador - houve conversações e prisioneiros foram libertados.

Togo Protesten

Ministro das Comunicações do Togo, Guy Lorenzo, não aceita os protestos

Mediação falhou?

A oposição convocou, no entanto, novos protestos, acusando o Governo de não estar disposto a fazer reformas sérias. Já o Executivo diz que as tentativas de mediação do Gana ainda não terminaram. Por isso, proibiu todas as manifestações no país. "Quem não aceitar, pode ir queixar-se ao tribunal", afirmou o ministro das Comunicações togolês, Guy Lorenzo. "Mas eles só querem protestar, e não aceitamos isso. Vivemos num Estado de direito."

As forças de segurança reprimiram duramente as manifestações do fim-de-semana - por exemplo, junto à casa do jovem que acabara de tomar de duche.

Ouvir o áudio 03:00
Ao vivo agora
03:00 min

Crise política no Togo sem solução

"Só estava a passar, não fiz nada", gritava um dos homens arrastados pela polícia.

"Há cinquenta anos que nos tentamos livrar desta ditadura", disse outro homem que estava à beira da estrada - mas só depois de a polícia desaparecer de vista - acrescentando que é escandaloso que a população já nem possa protestar num país onde os "jovens não têm emprego".

Gás lacrimogéneo e barricadas

A poucos quilómetros de distância, representantes da aliança da oposição, formada por 14 partidos, barricaram-se na sede do partido Convenção Democrática dos Povos Africanos (CDPA). Soldados foram até ao local e lançaram gás lacrimogéneo contra as poucas pessoas que estavam à frente do edifício.

"Nem estamos a protestar, estamos apenas a reunir-nos na sede de um partido político", contou o opositor Dodji Apevon.

O Exército tem sido alvo de críticas devido à sua proximidade com o Presidente. "O Togo também é vosso", afirmou uma mulher mais velha, dirigindo-se aos soldados.

Mas, enquanto decorriam estes protestos e movimentações no fim-de-semana, o Presidente estava reunido com os líderes regionais numa zona vizinha. Fauré Gnassingbé é o atual presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e na agenda do encontro estava a crise política na Guiné-Bissau. Já a crise na própria casa de Gnassingbé não foi sequer mencionada.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados